domingo, 30 de janeiro de 2011

Ó, Noite

Ó, noite escura reluzente,
Repleta de estrelas
Que não são cadentes:
Venha cá, dentro de mim,
Trazer, a paz que almejo, enfim!
Deixe comigo, no coração e na alma,
A paz que me revelas através
Dos olhos meus que enxergam
Apesar da escuridão que se avizinha.

Sou teu triste admirador que, em vão,
Fita as estrelas, todas elas.
Tento tocá-las, mas, como que em transe de sonhos,
Estico meus braços querendo trazer-te para mim
Por entre minhas mãos calejadas.
Mas sigo a chorar de mãos vazias, atadas,
Presas em mim por total cansaço.
Sigo iludido pela escura e indiferente noite
Sem nunca ter a certeza do amparo naquilo desejo.

Doce noite que aos poucos esvai,
Que não depende de mim,
Nem acata ao que rogo:
De saída, deixa-me o calor do dia!
Deixe-me a luz do imponente sol com sua alegria
E deixa-me sonhando encontrar-te, em paz, tão logo.

Ó, sol, velho amigo meu,
Quem sabe contigo meu coração se aquieta,
Envolto nessa escuridão que te fala, chamada: eu.
Contigo, o calor despertará em mim...
Talvez também o zelo para comigo.
Quem sabe serei feliz assim?
Acho que consigo!
(Abandonarei a indiferença da noite. Passarei a seguir a luz, contigo.)

Quem sabe minha vida se torne, assim,
Menos enigmática e mais correta para mim?
Trarei comigo a tortuosa experiência da noite
E a certeza de, ao sol, ter enfim uma caminhada reta.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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