sexta-feira, 22 de abril de 2011

De Braços Abertos



Olho para o céu, vejo-me como em reflexo. Sou parte de um universo infinito para mim. As luzes estelares se me apresentam como que um encanto de Deus. Abro os braços tentando abraçar o céu, mas meus esforços são vãos. Choro temendo ser tão pequeno quanto à luz diminuta daquela imensa estrela a anos-luz de meu coração. O sou; uma pequenina alguma coisa espalhada em algum canto da criação.

Como sou diante do universo? Alguém me vê acima da atmosfera que nos circunda? Os anos-luz de distância que me separam daquela estrela nos afastam um do outro mais que minha insignificância de humano que sou, sem asas, sem nada além de minha soberba tecnológica? Será apenas a distância que nos separa ou é assim que deve ser: uma dúvida quanto a distância entre nós? Será que há alguém lá? Ou serei apenas eu a sonhar daqui com aquela luz? Serei apenas eu e uma imagem brilhante a cintilar no céu escuro refletido em meus olhos? Sim? Não? Resta-me a dúvida.

Abraço a certeza da terra que piso, firme e sólida, e sonho com o algo além de minha atmosfera adjacente. Essa questão faz com que me lembre de que sou assim enquanto humano. Um ser que se mantém preso dentro si, seu corpo, sua atmosfera pessoal. Afasto-me dos demais além de mim; afasto-me do mundo ao redor pensando único e exclusivamente no ser que sou. Vivo dentro de mim mesmo como o homem em seu planeta, desdenhando o que há além dos meus sonhos, pensamentos, sentimentos individuais. Aprendi isso com o mundo ao meu redor, mas aquela estrela distante faz-me pensar no contrário. Vejo que, no máximo, manifesta-se em mim uma dúvida quanto ao que há além de meu corpo, minha atmosfera. O que há no outro à minha frente, ao meu redor?

Sinto-me fraco, incapaz de voar além de meu próprio ser. Como ultrapassar os limites que imponho a mim mesmo? Queria eu ser capaz de voar de dentro de mim para atingir o planeta do outro, atingir o interior do humano à mira de meus olhos, atingir seus sonhos e pensamentos, desfrutando da beleza de compartilhá-los...queria ser alguém importante a outra pessoa além de eu próprio. Porém, em mim mesmo, apenas circundo-me de carne, abrigando dentro dela ossos, sangue, sonhos, alma. Não ultrapasso meus limites do corpo (nem muito menos os da alma). Prendo-me dentro de minha atmosfera como o astronauta sonhador que mantém o sonho do vôo, mas é incapaz de voar.

Como sair de dentro desse ser que me define? Como atingir aquilo que os outros sentem dentro deles? Como tocar seus sentimentos, seu interior, a alma de todos? Quero compartilhar sentimentos, vivências, amores, desamores e vida com as pessoas ao meu redor ... mas, prendo-me em meu mundo, em minha atmosfera. Abraço a mim mesmo e deixo-me assim com os braços atados. Impeço-me de abraçar ao que há além de mim. Talvez por isso eu mereça ser tão pequenino...

Quero abraçar o mundo! Quero abraçar pessoas! Preciso estar de braços abertos para acolher a todos, ao mundo...Meus braços não estarão abertos como se eu fosse voar, pois não tenho asas - são apenas braços.! Preciso vencer o medo de ser importante para alguém e, assim, de ofuscar meus próprios sonhos dedicando-me à outra pessoa. Quero viver sendo importante ao outro, compartilhando, dividindo minha vida e sonhos e sentimentos e...o que houver para viver e sentir. Não quero ser o astronauta sonhador que apenas sonha, mantendo-se em solo firme. Quero olhar para as estrelas e tocá-las enquanto vôo, mas preciso voar. Quero olhar as pessoas e tocá-las, abraçá-las, mas preciso vencer-me. Preciso estar de braços (e coração) abertos. Preciso vencer-me para atingir algo além de mim.

Pedro Santos Xavier

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