sexta-feira, 20 de julho de 2012

O grito


Um grito me corrói por dentro,
Ferrugem, erva-daninha...
Faz-me tropeçar em lágrimas,
E perco a paz que há pouco eu tinha.
Sou forte, mas não sou tanto.
Sofrimento, manifesto em pranto:
Sou o máximo no que tenho feito!
Mas nunca sou o bastante,
Pois o grito me abafa o peito.
Soltar a voz, passando-me por louco...
Abrindo a garganta,
Num longo grito rouco.
Ora, fiz de mim um estarrecido, 
E me calo, pouco a pouco, abatido,
E o grito me consome o peito.

A lembrança me mata a alma.
Não fiz nada que me tirasse a vida,
Mas tenho estado morto,
Sem paz, sem calma, sem saída.
Sou filho de Deus,
Espero mudanças.
Espero amor, amizades, esperanças.
Tudo de bom, há de vir.
Soltarei meu grito da garganta,
Vencerei a sombra que me segue,
Que me mata, que me espanta.
A luz, hei de seguir.
Dia após dia, sem parar, nem cair.
À luz, dedico minha existência.
Tenha, oh Deus, piedade e paciência,
Se eu tornar a falhar no porvir.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


quinta-feira, 19 de julho de 2012

A vida, o meio e o fim

Em meio à tarde fria,
Velhos amigos se encontravam.
Duas mentes pensantes se viam.
Duas mentes que se somavam.
-
Um perguntava ao outro
Questões que não lhe calavam.
O outro perguntava ao um,
Sobre aquilo que ambos pensavam.
-
Discutiram o porquê da vida,
Sobre o mundo e tanta discórdia.
Venceram-se pelo cansaço,
Numa tarde, até ali, fria e sórdida.
-
Debateram sobre a arte,
Sobre a beleza do viver.
Somaram seus devaneios,
Refletindo, na tarde a correr!
-
Se viver é uma arte,
Da arte da vida vivemos?
Pensavam, por toda parte:
Da vida, o que faremos?
-
Lembraram dos tempos de infância,
Tempos da eterna inconstância
De estar pronto para mudar,
De estar apto para viver.
-
Colorindo os nossos dias,
Crianças são aquarela.
Proporcionam-nos alegrias,
E a vida é tornada uma tela.
-
E vivendo vidas, pintando telas,
Trazem em si a leveza do ser.
Ser criança é não ter fardos!
Ser criança é saber viver.
-
Vivendo, dia após dia,
Todos nós, entrelaçados,
Numa vida que se desfia,
Vamos indo, sempre ocupados.
-
Oh, crianças, ajudem-nos a ver,
De tudo, ao menos o que se possa.
Adultos não sabem viver!
A beleza da vida não é nossa!
-
Refletindo, sonho a sonho,
Num devaneio sem fim, duradouro,
Percebe-se na vida uma longa terapia,
Mas vivemos apenas na busca do ouro...
-
Adultos constroem riquezas, 
Moeda a moeda, dia a dia.
Crianças não têm moedas,
Mas são ricas em alegria...
-
Crianças não refletem, 
Apenas agem e aprendem assim.
Nós, adultos, mesmo refletindo,
Habitamos um vazio sem fim.
-
Poucos aprendem algo
Na vida - essa longa terapia,
Preocupados que estão todos
Na corrida do dia-a-dia.
-
Devotos da rotina,
Dos corriqueiros afazeres,
Deixamos a vida de lado,
Esquecemo-nos dos prazeres...
-
E, dessa forma, o tempo segue.
Nós, perdidos, a correr atrás
Da felicidade dos tempos de infância...
Da infância que foi tempo de paz.
-
A vida segue, companheiro, destarte,
Sem que isso se faça ver.
Mas há vida em toda parte,
E o que resta então fazer?
-
Do existir e do tempo, concluíram partindo:
''A vida estava lá, o tempo inteiro...''.
Redarguiu o outro amigo indo:
''E o tempo estava lá em toda vida, companheiro!''




terça-feira, 3 de julho de 2012

Homem do futuro


Eu não posso do mundo esperar o melhor,
Sem nem mesmo ter dado o suor
Pelas coisas que eu mesmo sonhei...

Quem sou eu para dizer que isso tudo é normal,
Que a tristeza é um fado real,
Só por que hoje parece ser lei...?

Quem sou eu para viver nessa vida sofrida,
Sem paz, sem amor, sem vida,
Nesse mundo em que nada me faz feliz?
   
Quem sou eu para pensar no homem do futuro?
Oh, meu Deus, me ajude, eu juro...
Vou viver sem sofrer dessa vez...

É verdade, hoje em dia ser feliz é raro.
Sorrir, eu sei, está difícil, é claro
Que ninguém tem errado por mal...

Mas por quê que ninguém tem sonhado comigo,
Com um mundo para além do umbigo
Dos que mandam pelo capital...

É verdade, que jurei ser um homem alegre.
Oh, meu Deus, é capaz que eu negue
Ter dito ser possível ou fácil fazer.

Dito foi e hoje eu vivo aqui tão perdido,
A sonhar nesse mundo sofrido,
Oh, meu Deus, me ajude a viver...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


Tonto...

Era uma vez um homem tonto.
Gastou tudo em bebidas,
Conto por conto,
E, de bêbado, tropeçou,
Caiu no chão e, pronto,
Ficou assim, caído por lá!
História comum, nas ruas daqui.
Com certeza, nas de todo lugar.
Bêbado daqui, ou de acolá,
Todos caindo de tontos,
Gastando seus contos...
Morrendo de beber e, pronto,
Sem forças para poder parar.
Mais horas se passam,
Lá está o bêbado de novo.
Mais parece um maltrapilho,
Caminhando em meio ao povo.
Todos lhe notam o jeito de andar,
Mas ninguém ali quer lhe ajudar...
''Sai pra lá, tonto!'', disse um;
''Some daqui, tonto!'', disse um outro,
Enquanto ele continuava a caminhar.

Apenas nasceu, cresceu e vive...
Dia após dia, de bar em bar,
Sem nunca ter tido um lar.
Ainda não morreu, mas o queria.
Quem sabe feliz ele seria
Chegando do lado de lá?
Perguntava-se todos os dias,
Mas bebia, sem querer parar,
Pois a angústia lhe consumia,
A ponto de quase lhe matar.
Matava a tristeza na bebida,
E nunca alguém lhe ouvia,
Nem lhe dava um ombro amigo
Para que pudesse chorar.
Pobre bêbado, um vagabundo,
Caído na rua mais uma vez.
É ele que anda errado,
Ou errados são todos vocês?
Pensou...parou...caiu...e ficou.
Mais um bêbado que se foi de vez.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Oração Cotidiana

Deus, Pai querido, amado e protetor,
Dai-nos a graça de uma existência digna
E redenção pelo poder do amor.
Pedimos, oh, Pai, hoje e sempre, iluminação.
Que tomemos Tua força em nossas mãos,
Fazendo das boas intenções, verdadeira ação.
Pai de bondade e justiça,
Permita-nos vencer a cobiça,
A ambição desenfreada do ser.
Faça em nós Tua vontade, Pai,
E que sigamos Contigo no viver.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier