domingo, 11 de novembro de 2012

Levante

charge do cartunista argentino QUINO

Vida, quero-te verde como campina, sendo regada a cada lágrima minha.
No pé da sacada, a gota caída se choca; desfaz-se mantendo sua essência.
Gota a gota, o sentimento se cala à beira da janela. 
Sentimento a sentimento, a boca se cala sem mais palavras dela.
De tempo em tempo, o coração arrepende das recentes metas, 
Mas segue em frente, sempre a bater,
Mesmo que em batida demente....ou, de repente, ausente.

No dia chuvoso, a lágrima em nada soma;
No dia de sol, nem toca o chão, pois seca-se no ar...
Sentimento puro e inefável de amar, és o doce amargor da flor de lótus morta.
Ergue-se a voz, rebaixam-se os sentimentos.
Ergue-se o orgulho cruento, rebaixa-se toda e qualquer sobra de amor.
Dor, segue firme enquanto sentido orgânico.
Sentimento, segue morto como pensamento fugaz, momentâneo.

Vivo e pleno, caminhando em tempos chuvosos, molho o dorso e gasto as solas.
Sigo em frente cansado nos pés.
Adiante sempre, assim; fitando o horizonte.
Avante sempre!
Caminho em terras ermas, mas sinto um levante que enaltece meu brio novamente.

Sigo e espero. Que não seja simples brisa de momento.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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