domingo, 23 de dezembro de 2012

O derradeiro momento


Era tarde quando tudo aconteceu.
Todos já estavam indo para suas casas após o trabalho.
Havia sido mais uma segunda-feira cansativa e triste.
O que aquele café da esquina reservaria a alguém?
Tudo pode acontecer quando o que virá já está escrito.
Eram ali, ele e ela, dois, até então, desconhecidos.
Para a cafeteria representavam apenas
Duas xícaras de café como quaisquer outras ali servidas.
Mas, a partir daquele momento, entre eles, eram a essência que faltava.
Tanto para ele quanto para ela, nas duas vidas solitárias de ambos.
Olharam-se e deram, tentando esconder, um longo suspiro tímido.
Os olhares cruzando-se, as almas descortinando-se logo ali.
O café esperava o primeiro gole de ambos.
Parecia algum encanto dos deuses aqueles olhares brilhando.
Os que estavam em volta, tornaram-se nada. Apenas cenário!
Ele aproximou-se, passo a passo, enquanto ela sorria de lado.
A cada passo dele, uma batida mais acelerada do coração sofrido...
Sim! Chegaria o momento da distância inevitável
Em que nada os separaria mais, apenas a vontade de um dos dois.
Ele estava decidido. Ela não o evitava,
Pelo contrário, o olhava com lindos olhos azuis,
Brilhantes de amor à primeira vista como nunca antes brilharam.
Mas não queriam perderem-se, ou afastarem-se.
Queriam atingir a união como nunca antes.
Queriam amor, como nunca antes.
Queriam algo além dos olhares crus, vagos, vãos que já receberam...
Já sofreram muito por amores frios e falsos.
Queriam, enfim, amar...O que tiveram, não valeu!
Seguiram acreditando e lá estavam os dois, ali, tão perto.
Era ali, naquele momento. Derradeiro instante que tanto durou,
Mas foram apenas alguns segundos no mundo real.
Para eles, foram uma eternidade.
Segundos esses nada mais que dez, ou menos...
Um para cada passo dado por ele em direção a ela.
Dez passos apenas que lhes afastavam naquele café da esquina,
Em mais uma corriqueira segunda-feira triste e solitária
Daqueles dois corações até então solitários.
As bocas secas. Mãos trêmulas. Corações disparados.
E então: ''Olá!'', ele disse. Ela sorriu! Estava feito.
O primeiro contato verbal para aquelas duas almas
Que pareciam conhecerem-se há muito, muito tempo.
Foi assim. O primeiro contato.
O derradeiro momento das vozes entrelaçando-se.
Dali em diante nada mais os impediria, nem os impediu.
Foram apenas felizes dali em diante; era só o que queriam.
Um casal a mais no mundo, mas único - assim o fizeram...
Apenas dois. Para todos, nada além do comum,
Mas eram eles, para eles, algo muito além do normal, do comum...
Eram, para si, tudo! Nada mais que tudo.
Tudo começou ali, naquele derradeiro momento
Que durou para sempre.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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