Do alto do telhado, viam-se a rua, calçadas desertas, o meio-fio...
Eu via tudo com meus olhos distantes, do alto daquele telhado vazio!
Ali havia apenas eu, mais ninguém, num imenso chão de telhas!
Em toda aquela paisagem, existia apenas eu com minha vontade de pular?
Nada mais de vivo existia ali? Ninguém mais havia para sentir ou enxergar?
Apenas alguns pássaros passavam, deixando-me com minha inveja...
Nem mesmo eles ficavam servindo de paisagem naquela soturna cena.
Alheia a tudo, a lua tentava iluminar o solo da noite melancolicamente plena...
Ainda havia resquícios de verão naquela madrugada tão abafada.
Tal como ela, meu coração também estava, de tão aflito, abafado!
Quê seria tal sensação? Qual seria tal sentimento? Eu apenas o sentia, calado.
Eu, sem saber, estava absorto, quieto, aguardando algo.
Era como uma apreensão indecisa, algo desgovernada, em mim!
Naquela cena, éramos eu, do telhado, e a calçada, mais nada; simples assim!
A solidão aqui seria menos dolorosa se a pedras na rua falassem comigo.
Olá? Nada ouço em resposta. Apenas calo remoendo a solidão!
Esperei que passasse tal sentimento cruento abafando-me na noite, mas foi em vão.
Seguia calada, na imensidão de calor da noite escura, aquela tão quieta madrugada!
Eu e a calçada? Sermos pisados por pessoas: era algo que nos unia!
Porém, o que nos restava à noite? Às ruas desertas, nenhum de nós servia...
Qual a nossa relevância naquela madrugada que se ia? Disso, vi-me a sorrir!
A rua e eu, éramos tudo ali! Além de nós, não havia mais nada.
O silêncio pairava na madrugada, tanto em mim quanto na pacata e fria calçada!
Estávamos sós naquela noite quente, solitária e escura que se nos passava.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:
Postar um comentário