Se em certa altura eu voltasse a ter
A candura que aviva o peito que sente,
Teria sim mais lágrimas por correr,
Mas seria eu um alguém mais sapiente?
Sentimentos fazem, aos toques, tudo ser belo,
Mas já há belezas demais pelo mundo.
Em mim, sentimentos que brotam: cancelo!
Sinto menos na alma se sou menos profundo.
Há dores demais no peito de quem sente.
Sensações as tenho na audição, na visão, no tato...
Não por isso sou um homem descrente!
Sei que o ópio do amor pode fazer feliz de fato.
Quem encontra a sombra pacata do amor
Em meio ao sol escaldante da vida,
Traz para si ar puro de existência sem dor?
Ou, quando dói, de fato a dor é mais doída?
Sei que rechaço todo o amor por preconceitos,
Todos surgidos em lágrimas caídas que se foram.
Quiçá eu encontre, vencendo a dor, dias perfeitos,
Mostrando dentes, sorrindo, qual jóias que douram.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




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