O pranto tirou de mim algo - que foi tanto!,
Que hoje não mais sei entender de acalanto,
Ou de carícias, ou de encanto.
Bem-me-quer? Qual mito por trás de ti há?
Tudo que ficou do tempo é cólera perdida
Na página da memória que teima em não esquecer-se,
Preenchendo no coração todo um isolado canto...
Entala-se em minha garganta ainda muda de dor!
Dos tabefes da vida, bem dados,
Desviei, faceiro, a perplexa face!
Tomei o impacto na alma, entretanto.
E o sol bateu-me de cegar quando eu pensava
Que, enfim, seria apenas brilho a calar o pranto.
Nada foi como eu esperava, no entanto.
O lua transpôs-se linda e calma no caminho,
Onde, porém, eu pensava haver apenas sombras...
Hoje entendo que nunca é vã qualquer que seja a dor.
A lua trouxe-me não algo que havia de sombras,
Mas sim uma espécie de brilho escuro e calmo...!
Diminuto sofrimento é um grande espinho
Quando se entende pouco do que a vida há de trazer de amor.
Ora ou outra, a planta cresce. Daí, o espinho que era grande, desvanece....
E de tudo o que era galho tolo, seco e espinhento, surge a flor.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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