O amor é colcha de retalhos; tece-se parte a parte, passo a passo. Não é possível tê-lo de pronto! Vem de singelos momentos, por tácitos sentimentos e completa-se sem presságios definidos. Amor não explica-se! Certezas têm do amor apenas os tolos, os tontos!
O amor é duro feito pedra, frio como mármore. Corta como lâmina; fere, pois se faz arma! Sequestra sonhos consigo. Faz-se, de início, amigo, mas acaba com toda uma vida sem quaisquer pesares. Destrói rumores de paz. Transfigura-se em deus e diabo.
O amor, quando não se dá conta de si mesmo, expande-se de não caber no peito, ao mesmo tempo que destrói aquele que sente quando a ele alguém não corresponde. O amor consome seu dono, de secar! Extrai-lhe o sumo do ser que é eterno, transformando e transtornando tudo o que nele há: tanto de certo como de engano, a deixar-lhe sem rumo. O amor não explica-se!
O amor é ferida que mantém-se aberta. A qualquer momento, infecta-se de esperanças e daí destrói sem chances ao indivíduo que cai em dores. Disso penso: amor não é eterno, eternas são as dores? Essas nem sempre matam, mas, do amor, quando gera-se dor já é sinal de danos. O amor aleija!
O amor deixa sequelas, pois transpassa ao que é lógico, sem deixar vestígios. Do amor, nada conclui-se em vida, e a vida é uma eterna busca do amor, mas buscar o amor é desencontrar-se. Há desencontros demais pela vida, já disseram. De amor? Entende-se apenas das estatísticas de danos, despeito e dores.
O amor, tal qual o supomos, é sentimento de deus ou motivo de enganos? Não ama-se por inteiro sem, antes, entender-se primeiro! Quem sou eu a entender de amor? O amor não se explica! Explica-se , isso sim, apenas o significado da alma existente que sente!
O sentido da vida não está no amor, mas sim na própria trajetória em que o ser traspassa-se para, assim, definir-se. É uma viagem ao seu interior, uma auto-descoberta que, em si, gera dores e feridas abertas. Nada há de amor nisso! Quando, porém, o ser a si mesmo encontra, está ali então o amor: à frente, em toda parte. O amor está no ser em si mesmo, pois o amor é a essência de todos!


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