Penso e logo dissolvo-me. Há algo demasiado ácido em meus pensamentos. Frutos de incansáveis momentos de devaneios, cada qual de todos eles, ao seu tanto, faz-me ser um outro ser a cada momento ou sentimento, quer seja em sorriso, quer seja em pranto. Rego-me de esperanças e tristezas, ora uma, ora outra. Há raciocínios demais em vãs filosofias que carrego no pensamento.
Forjo-me a cada instante. Não há espaços para tristezas em meio aos sorrisos que todos esperam? Não sorrir é um ultraje, mas sorrir de alma triste, é uma farsa comum - mas perdoável, diga-se de passagem!
Não quero rir risos torpes, nem quero chorar lágrimas por faltar-me o devido zelo. Quero apenas existir em cada momento obedecendo ao seu devido e correlato sentimento. Quero entregar-me à fonte vívida da experiência humana qual um espírito qualquer em sua experiência da carne. Quero, em meio a tantas sombras de desespero, encontrar a paz de espírito que por fim me desarme.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier





