quinta-feira, 30 de maio de 2013

Reticências



Penso e logo dissolvo-me. Há algo demasiado ácido em meus pensamentos. Frutos de incansáveis momentos de devaneios, cada qual de todos eles, ao seu tanto, faz-me ser um outro ser a cada momento ou sentimento, quer seja em sorriso, quer seja em pranto. Rego-me de esperanças e tristezas, ora uma, ora outra. Há raciocínios demais em vãs filosofias que carrego no pensamento.

Forjo-me a cada instante. Não há espaços para tristezas em meio aos sorrisos que todos esperam? Não sorrir é um ultraje, mas sorrir de alma triste, é uma farsa comum - mas perdoável, diga-se de passagem! 

Não quero rir risos torpes, nem quero chorar lágrimas por faltar-me o devido zelo. Quero apenas existir em cada momento obedecendo ao seu devido e correlato sentimento. Quero entregar-me à fonte vívida da experiência humana qual um espírito qualquer em sua experiência da carne. Quero, em meio a tantas sombras de desespero, encontrar a paz de espírito que por fim me desarme.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


sábado, 18 de maio de 2013

Salve Jorge...

(das tirinhas do célebre Maurício de Souza)



Sentir indignação, hoje, nos dignifica!
Não pode-se viver em paz nessa baderna!
E indignado, percebo, ao que tudo indica:
Somos todos, de novo, homens da caverna!

Vemos a realidade qual sombras na parede.
Não mais agimos como sendo uma nação.
Retratado pela TV, nosso país morre de sede:
De ordem, de progresso, de cultura, de educação...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Questionário



O que deixa-me feliz? O álcool!
O que me mata? Um tiro, uma faca...
O que deixa-me irritado? Tudo...
O que acalma minha alma? Ficar mudo.
O que tenho de bom? Algo que desconheço.
O que espero de mim? Nada espero, reconheço!
O que de fato sou? Alguém por definir-se.
Qual a espera da vida? O momento de despedir-se.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Espera


A vida é como o Mar Morto: mesmo quando decide-se por afundar-se, ela de alguma forma nos impede e empurra-nos pra cima. É como uma eterna busca de algo além que há de chegar. Não nos cabe entender, apenas esperar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Disparate


Às vezes sinto que calo e, no calor do dia, a dor desvanece.
Lágrimas caem, molham-me o chão, mas nada floresce...
Não mais sinto-me vivo. Pego-me então sonhando disparates.

Espero do chão algo que brote. E de mim, o que espero?
Dia após dia, vêm-se as dores, mas, sem elas, o que quero?
Sou como o jardineiro que planta, espera, mas nada colhe!

O mundo tem dores demais. Sobram as felicidades falsas que vejo.
Em sentimentos tolos e frios, todos vendem-se e, sem gracejo,
Todas as cores tornam-se pálidas, tal qual uma tela sem vida!

Perdão pelo desespero que traço em linhas, forjando um poema!
Não agrado ninguém com as palavras que seguiram-se do tema:
''Vida que segue sem amores é desperdiçada, não vale a pena!''
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



A vida não tem freios


Externo por mim alegria que não existe.
Trago ao peito tristeza que não se cala.
Choro e desoriento-me, é a dor quem fala:
''Não mais existo: tornei-me um chiste!''

Quê de fato faço eu da vida em que existo?
Existo para a vida? De fato, faço o quê dela?
Sou mero filete de carne! Perdão pela querela.
Digo em prantos: não sou por mim benquisto!

Espero o tempo que passa em meio a devaneios.
Não sei mais agir, ou sorrir, ou fazer algo além...
Tornei-me algo vão, nulo, um indefinido alguém!
Sem forças: sigo, pois a vida não tem freios!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier