domingo, 7 de julho de 2013

A outra margem


O rio parecia raso. Não era! Mesmo assim, o atravessei.
Levei tempos, sofri, chorei. Carreguei-me em prantos, deveras.
Hoje, do outro lado, vejo todo o rio que deixei para trás.
Olho e vejo: pura água que corre, correu e correrá;
Quem passou não fui eu pelo rio, o rio passou por mim.
Era eu apenas um simples sonho de atravessá-lo, 
Sem impor-lhe qualquer risco. Era eu um humano ali, apenas!
Braços mais fortes, os tenho hoje! Pernas mais firmes carregam-me.
O rio passou por mim e deixou-me mais preparado para caminhar.
Sim, de braços fortes e pernas firmes, sou mais apto à terra firme!
Sou assim, depois de tudo, um novo ser que refez-se, 
Lavando-se, sem saber, nas águas daquele rio, tido por inimigo.
O rio passou por mim! Atropelou-me! Inundou-me a alma,
Mas, hoje, eu sei: as águas contra as quais lutei
Foram grandes professoras que ensinaram-me a ser forte, não desistir.
Pedras no caminho? Que a água as leve na correnteza.
Pedras não esforçam-se. Acostumam-se e pronto!
São assim, sésseis, dizendo-se fortes e firmes também. Sólidas!
Porém os anos passam e, lasca a lasca, aos farelos,
A pedra tão imponente outrora vai tornando-se menor, menor...
Eu não! Sou do mesmo tamanho, ou melhor: sou maior!
Sou mais forte e, de fato, proveitosamente firme. Não sou sólido, nem só!
Não sou séssil, nem sou pedra que pára a onda, altiva, imponente!
Sou humano que bate as águas no peito e atravessa o rio.
A vida quer de nós coragem! Rumo à outra margem: atravessemos!
É o segredo dos problemas da vida. Eles querem tornar-nos fortes! 
Não esperam que sejamos assim já de pronto!
A força nasce-nos dos obstáculos, pois não somos pedras.
Não podemos ser sésseis, portanto, nem arrogantes diante da correnteza.
Diante do problema, diante das águas: cabe-nos nadar,
Lutando, braçada a braçada, contra cada golpe das águas.
Assim, ao final da travessia, seremos, enfim, fortes e firmes
E, diferente daqueles que fazem-se pedra: chegaremos ao outro lado!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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