Olho pela janela e me perco.
Há altura demais para além de mim.
Olho-me em minha alma, fiz um cerco
De amarguras e, reticente, procuro um fim.
Onde está a paz que mereço?
Dela sou digno? Não sou tão bom assim?
A cada lágrima que cai, feneço!
Nada encontro no mundo de paz pra mim.
Do amor, encontrei fel tão triste...
Sobra um amargor que me obscurece.
Trago na alma gritos inquietos, punho em riste,
Mas transpareço calma e o amor de mim esquece.
Oh, lágrima que cai na sangrante ferida,
Como um ríspido golpe salga meu sangue exposto.
Sou de mim um corpo em despedida
À espera de um fim que a mim seja posto!
Janela ao chão. Tão triste seria impor-me tal fim...
Joguei então de lá meu coração que hoje é findo!
Antes, batendo, ele dava vida para mim.
Hoje resta apenas o corpo sem coração, existindo!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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