Juntei as peças de um quebra-cabeças louco. Era a minha própria imagem que havia se perdido, de pouco em pouco. Não a tinha visto completa nunca, era fato! Éramos eu e os pedaços de mim espalhados na mesa do quarto.
Levantei, olhei tudo de longe. Tentei encontrar o ponto para começo. De onde, dali, haveria algum caminho? "De tais caminhos, desconheço..." -pensei! Mas queria montar minha imagem. Como seria? Ao certo, eu não sabia... Vendo-me montado, eu estaria como penso ou seria o avesso? Eu era apenas um emaranhado, um amontoado de pedaços soltos, dispersos, esparsos de mim...
Pensei bastante ali, parado. O que traria pra mim de novo montar a mim mesmo? Eu estava errado? Saber como sou, de algum valor seria? A imagem que se formasse, a receberia de bom grado? Deus que sabe de mim nunca quis me mostrar, seria eu que procuraria nisso um fado?
Guardei na gaveta mais esquecida que havia meu quebra-cabeças, cansado! Doía demais ficar pensando tantas coisas ali parado. Não que eu tenha me acovardado, nem muito menos comigo mesmo me decepcionado em meio aos tantos pedaços de mim que vi. Assim como nas peças, vi-me desfeito, jogado! Era um fato! Como viver sabendo que estive aos pedaços em tudo quanto vivi? Antes fosse eu outro que não aquilo, emaranhado sem nexo, sem nem mesmo servir pra montar um todo.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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