Estou confuso, sim! Estou confuso.
São muitas escolhas para duas pernas só.
Meus trajes vão, sujos, puindo
Enquanto minha mente fenece, fervilhante.
Ah, os caminhos da vida...
Quantos mais haverei de enxergar
Para, assim, permanecer no meio deles,
Confuso?
Quantas vidas em mim passarão,
Sem que eu siga nenhuma delas
Ou as queira todas,
Confuso que sou?
Os dias passam... Sou mesmice tremenda.
Tremendo, de vivo e amedrontado,
Num excesso de zelo. Ah..
As molduras dos quadros com minha imagem
Não encerram ali um eu que haja, perene.
Mudo a todo tempo. Mudo a todo tempo!
Quero mais ou menos, quiçá, a cada hora.
Mas calo meus sonhos dentro de mim.
Confuso, calado, sigo cambaleante
Sem um norte determinado e claro.
Quero tudo? Não quereria nada?
Se pudesse, deixaria de existir,
Mas existo e isso tem sido um fardo.
E, de fardo em fardo, sou outro deles para mim.
Talvez eu seja a pior coisa que me ocorreu!
A vida segue aguentando meu peso morto.
Olho os arranha-céus sem ver sentido.
Olho as paisagens e não me encontro nelas.
Sigo como pena ao vento.
Por vezes, penso ser bom.
Quem não tem um norte, está livre para ir
A qualquer sul, leste.... oeste. Não?
Mas bem disse o Gato à Alice quando reforçou que
Para quem não sabe para onde vai,
Qualquer caminho serve!
Isso não é bom, afinal.
Pois, se não há um horizonte traçado,
Não há um local específico para cair, ou apoiar.
Como pena, pensamos ter a liberdade de voar como bela.
Porém, quem muito voa, não vê de perto a terra!
Quem muito voa acaba desacreditado
Pelos demais transeuntes de solo firme.
Basta de ser simplesmente pena livre, ao vento.
Voar é benfazejo, mas deveria ser
A ligação entre dois pontos:
O de partida e o de chegada.
Pronto! E, após, outro voo, quicá...
Mas não! Permaneço voando e,
Aéreo, perco minha sensação de ter pernas.
Flutuo sobre o mesmo chão achando-me pássaro.
Alado? Não... Leve? Não...
Apenas suspenso por algum outro motivo.
Enquanto isso, as pernas fraquejam
Sem saber se um dia pisarão terra firme.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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