Talvez nossa alma seja feita de borracha.
Sim! Talvez ela vá se gastando aos desgastes.
As correções, as sequências, as vidas que passam.
Os erros que somam-se e vão sendo apagados...
Cirurgicamente, apagamos erros, mas esfarelamos.
Somos feitos de almas de borracha!
A cada nota errada, a cada movimento dissonante,
Saímos dos eixos e tentamos apagar.
"Força! Força! Não está apagando nada...".
Então, o que fazer?
"Pegue! Tome! Fique com minha borracha para você!"
Não, Deus, eu não queria errar.
Eu nem queria ser borracha maleável que conserta..
Não conserto nada. Não apago. Nutro! Reescrevo.
Garranchos. Apenas garranchos.
E o que há? Uma folha com arranhões, desgastada.
Essa folha sou eu. A borracha sou eu.
O tempo está ali, passando, a cada risco ou farelo.
A borracha, o papel, o tempo, tudo vai se consumir.
E eu, aqui, não terei escrito nada.
Não terei corrigido nada ou apagado nada.
Apenas terei sido rabiscos e farelos de borracha.
Sem sentido. Sem sentido. Sem sentido...
E o tempo? Passará para mim. Mas ficará aos outros.
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