quarta-feira, 20 de julho de 2016

Alma penada

Resta saber de mim: o que espero mesmo?
Resta saber de mim: serei mais que esse ser, à esmo?
Resta entender, enfim: o que sobra para além disso tudo?

Resta vencer os dias como guerras travadas, insanas.
Resta entender que não sou são, por isso faltam-me ganas
De poder vencer o eu falho e vil que sou, de fato.

Dia após dia, ato após ato, sigo como um eu falho e tosco.
Vejo - séssil, embora inquieto - o mundo por um prisma fosco.
E, não me entendendo com a realidade de forma clara: choro!

Choro de tanto perceber que a vida passa por mim,
Mas o que tenho eu deixado nela ou à ela, enfim?
Nada construo. Em nada sou bom. Não me encontro.

Sou um destro escrevendo um epitáfio como um canhoto.
Sou um cego andando correndo pela rua, insano, absorto...
Sou o ligamento roto que sustentava a perna manca, antes firme...

Rompido, dilacerado, sou como chaga que inflama.
Sou como a alma perdida, entregue ao inferno, que clama...
Clama...Clama... Mas quem irá salvar-me da desdita?

Ah, maldita falta de coragem; maldita alma falha e doente.
Não mais consigo ter forças! Não mais consigo ser crente!
Sou uma alma cheia de si e repleta de perguntas vãs.

Ninguém irá responder minhas questões, nem perguntarei nada.
Apenas seguirei duvidando de tudo - apesar de ser alma calada!
Quem sou eu além de, para mim mesmo, essa vil alma penada?

Nenhum comentário:

Postar um comentário