Por debaixo de meus pés, sinto restos meus.
Pisoteados, caídos... Finjo os desconhecer.
Passo além deles, mas não digo adeus.
Sei que são partes de mim que não vão morrer.
Se partes de mim morrem, morro eu também!
Nas tentativas de mudanças do espírito que sou,
Sinto que deixo pedaços para trás, de mim além,
Mas todos ainda são parte do que, à vida, eu dou.
Doando à vida o máximo que tenho, o que há?
Há a certeza de que estou aquém do que devia...
Há o receio de me perder diante do medo que me dá
Quando vejo que sou fadado a ser sozinho na travessia.
Quem é obrigado a conviver comigo? Somente eu!
Os demais podem correr de mim - e eu, se pudesse, o faria.
Abandonaria meu eu deixando-o caído pra trás, qual se deu
Desde quando fui perdendo os primeiros pedaços do eu que havia.
Na via, ficam sobras, ficam restos... Mas o eu que sou segue ainda
Espalhado pelo chão ou caminhando sobre ele.
Sou os restos e sou o todo de um ser que, em si, se finda.
Resta saber da vida o que ela espera de mim ainda...
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