quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sobre o mundo técnico que temos

Não sei como eram os seres humanos antes da era tecnológica em que estamos. Mas vejo-nos em nossos dias e tomo opinião a partir do que vejo. E concluí: temos sido afeitos demais à técnica! 

Aprendemos com a exatidão das conquistas tecnológicas pautadas na matemática que temos de ser corretos, objetivos, práticos e rápidos. Precisos! Exigimos de tudo e de todos uma precisão maquinal que tanto admiramos. Mas nesse afã de sermos inseridos nas conquistas do mundo tecnológico, inseridos no mundo da pressa e da precisão, esquecemos de um fato crucial: somos humanos! 

Humanos são dotados de braços limitados, pernas limitadas e, por que não, mentes limitadas. Há limites em todos nós! Pronto! Difícil aceitar isso? Talvez sim. Estamos mesmo afeitos à pressa e à precisão, mas entendemos de nossos limites cedo ou tarde. Exigindo de nós e do mundo essa precisão nas coisas, vemos que o mundo não funciona assim. O mundo erra. Os seres falham. Tudo e todos fogem-nos do controle. 

O mundo é tocado por fenômenos que tentamos controlar, que tentamos prever, mas pouco conseguimos disso ou daquilo. O mundo é também tocado por animais e, aceitemos ou não, nós também somos animais. Logo: dividimos espaço com todos os fenômenos da natureza e com todos os demais bichos da natureza. Ah, as máquinas existem sim, daqui e dali, tentando ser parte do mundo. Mas máquinas não são naturais. São criadas. São artefatos que não existem sem o dedo humano que o criou. 

Existem máquinas que independem do homem? Sim. Mas, pergunto-me: para que elas servem? Para que foram criadas? Fico pensando, sem concluir muita coisa. Digo isso para salientar a relevância do aspecto humano que somos e que não vejo como certo nossa evolução hoje ser com uma espécie de rebaixamento de nossa condição diante das máquinas. Mas, decerto, somos fascinados pela tecnologia.

Através da tecnologia e do nosso apreço e entrega à ela, aprendemos que há outras formas de ver o mundo e a nós mesmos além das antigas formas como nos espelhos construídos ou os espelhos de reflexo d'água. Hoje, ambos ultrapassados. Também perdemos nossas capacidades de confiar nos nossos próprios olhos. Confiamos mais em câmeras para retratar as coisas, retratar os acontecimentos. Confiamos mais nelas que nas nossas capacidades próprias de enxergar e guardar memórias como se fossem arquivos de tudo.

Os espelhos foram quase que substituídos pelas câmeras de celulares apontadas para o alvo: nós! "Selfies"! Tecnologias auto-voltadas. Algo assim... Voltadas para nós mesmos e nossos devaneios narcísicos - ainda mais com o advento das redes sociais e, com elas, com a exposição incontrolável de nós mesmos. Os olhos humanos foram trocados por lentes precisas repletas de tecnologias controladas por um único botão. Pronto! Somos inseridos num mundo novo, repleto de possibilidades, mas repleto também de angústias.

Como mudaremos isso? Tais mudanças são inevitáveis? São incontroláveis? Não sei ainda. Apenas levantei questões aqui. Não sou preparado para conseguir respostas. Apenas, ainda, aprendi a levantar perguntas... E isso é péssimo!

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