Olhei uma pedra e senti-me rijo.
Sou tão duro quanto ela, mas finjo
Ser algo maleável, diante da vida.
Passam-se dias e não vejo nada
Que não seja a vida desgastada
Que construo em lamúrias sem fim.
Pra mim, sou apenas meu próprio algoz!
Mentalmente, crio discursos - mas calo minha voz.
Finjo mudanças que não vejo e forjo sorrisos.
Brinco com os olhares alheios, distraídos.
Faço transparecer que passo por dias bem vividos,
Mas dentro de mim o coração sangra e me bate.
Apanhando por dentro, sangrando calado...
Resta saber: até quando aguento ser esse fardo
Que construo para mim mesmo, em desalento?
Desesperado? Sim! Mas não deixo que vejam.
Forjo-me sob a dor doando aos outros o que almejam!
Sou pra eles algo bom, mas pra mim mesmo não.
Inimigo de si mesmo, vilão. Sou eu um arpão cravado
Na alma que se apequena, sem forças, sendo fardo
Com a qual, em plena vida, tal qual num inferno, ardo.
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