quarta-feira, 20 de julho de 2016

Sombra de mais um

Pego-me calado.
Dou de ombros!
Fingo-me melhorado...
Respiro sob escombros...

Sou restos do que sonhei;
Sou parte do que pareço!
Finjo viver horas de recreio, sei.
Mas, por dentro, feneço, pereço...

Perecível como coisas de jardim,
Sou como um alimento insosso que ingiro.
Construo assim azorragues para mim.
Com isso me firo, me firo, me firo...

Ferido, sangro como todos.
Mas nem todos veem meu sangue.
Maquiado meu rosto, construo engôdos.
Banhado em sangue, permaneço estanque.

Séssil como pedra grande e bruta,
Tento em vão mudanças ao me lapidar.
Dilapidado, de coração vazio e alma arguta,
Sou fel na minha saliva e sustento do meu penar.

Fingindo como se não houvesse dores,
Forjo-me na luta como alma branda, um ser comum.
Vivo os dias observando a lida, buscando cores,
Mas, diante de tudo, sou apenas sombra de mais um.

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