sábado, 23 de julho de 2016

Questões metafísicas

Quem de fato sou eu que não concordo comigo quase nunca?
Quais são as minhas pretensões diante da vida além de entender-me?
Qual consenso trago para comigo? Quase nunca... Quase nada...
Pretensões demais. Sonhos demais. Eu e conclusões de menos!

Tentei acreditar um dia que vivia bem comigo mesmo sendo o que eu tinha para ser...
Mas como vejo-me hoje? Se é que vejo-me (pois sinto-me tão distante de mim),
tenho aqui um diminuto representante dos sonhos que tive,
mas hoje sem os sonhos, sem realizações, sem nada.
Daquele ser com sonhos que fui, apenas carrego o distintivo de ser eu ainda,
por nome e identidade para comigo!
Se não me houvessem dado documentos que me definissem como o que sou,
seria um corpo que vaga sem nome, sem sentidos, sem sonhos.
Embora chamem meu documento de "identidade", pego-a,
mas não me identifico, todavia! Seria eu, ali?

Quando pego nas mãos documentos com minha foto e meu nome,
de fato, sinto-me menos vazio, pois vejo que eu tive alguma definição de mim um dia
- embora ela não me baste ou tenha me bastado.
Um dia alguém reduziu-me a algo palpável pelo qual eu pudesse me apresentar
como sendo. Mas sou o que, hoje?

Guardo minhas fotos, meus documentos na gaveta.
Penso até em guardar na geladeira. Quiçá, assim, eu conserve mais
aquilo que fui ou aquilo que esperaram de mim.
Os conceitos? O que sou? Para onde estou indo com tanta metafísica?
Não entendo. Não digo que não entendo insistindo em ser daqueles
que usam a metafísica a pretexto de qualquer coisa.
Digo que não entendo, pois já me passam dezenas de anos de vida
e ainda vejo-me completamente sem sentido, sem rumos.

O que consegui nesses tantos anos de existência?
Criar a sensação de que um dia fui algo e que me perdi.
Isso sim. Consegui afastar pessoas ao afastar-me delas.
Consegui construir azorragues próprios e muros ao meu redor.
A ilusão de segurança que esperava ao me afastar de todos
não se concretizou. Eu, sem méritos diante das conclusões que fiz,
reflito e concluo: sozinho, penso mais. Acompanhado, penso menos.

Sou outro quando finjo-me. E as pessoas sentem-se bem.
Eu? Nem tanto, mas talvez tivesse sido melhor ter-me formado
como um ser sociável e não esse ser distante e acabrunhado.
Repenso minha vida e minhas escolhas. Escolho entretanto continuar pensando.
Penso. Existo? Acho que sim. Mas a custo ou a preço de quê?
Resta, para além de qualquer coisa, essa questão.

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