Do nada, ouvi: ''Ei, você aí: tudo bem?''.
Um homem estranho perguntou-me na rua.
Dei de ombros, nem disse sim, nem não também.
O homem olhou-me nos olhos e viu-me de alma nua.
Suas feições eram brandas, de paz...
Parecia-me como um conhecido.
Tinha barba mal feita, cabelos para trás.
Mas, mesmo assim, saí de perto, quase fugido.
Aquele homem lembrou-me Jesus.
Sim, Jesus se importaria comigo e perguntaria
''Como, meu amigo, você tem carregado sua cruz?''
Com soluços e sob lágrimas, assim eu responderia.
Cheguei em casa e dei de cara com a imagem dEle.
Uma foto do homem-Deus na parede.
Observei atentamente meu reflexo no vidro sobre Ele.
Eu, de barba mal feita e cabelos pra trás sentia sede...
Sede de amor. Sede de paixão. Sede de estar vivo.
Essa sede é uma carência, coisa humana.
Vejo o olhar de Jesus sem dor. É tenro, altivo...
Difere do meu olhar à frente de uma mente insana.
A doença consome minha sanidade?
Será que sou mesmo um doente?
Olho como uma utopia a felicidade,
Pois ela nunca está aqui, está sempre à frente...
À frente, ao longe. Não está aqui agora.
Utopias são assim: aquilo que nos faz caminhar.
Já fui feliz, sim, em tempos de outrora.
Hoje fico aqui, sozinho, escrevendo, a divagar...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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