Sou uma cópia adulterada por mim mesmo
daquele homem que eu um dia sonhei que seria.
Planejei tanto. Sonhei tanto. E hoje?
Hoje resta apenas a certeza da não realização,
a certeza do não entendimento,
a certeza da não aceitação.
Hoje há certezas dos erros e
algumas conclusões sobre alguns acertos.
A balança pesa desigual!
Os tropeços somam-se e fico mudo.
Calado diante das coisas, dos fatos, dos momentos,
sou uma foto abstrata na parede. Não reconheço-me!
Apenas olho para dentro do que esperei de mim ser,
mas nada enxergo do novo e dos sonhos em mim.
Apenas rugas, dor nos ossos, enfim...
Uma mão que pende com uma caneta em riste,
e um rosto que abaixa-se fitando o solo, triste.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Paisagem para amanhã
Sinto-me tocado por coisas sóbrias ao meu redor....
E sinto-me regozijado!
Sinto-me apunhalado por coisas sombrias ao meu redor...
E sinto-me amedrontado!
A sobriedade não meu deu paz.
As sombras não me abandonaram, decerto.
Escuro, frio, como um pedaço de carne esquecido no chão,
sou eu mesmo um pedaço de carne que o tempo digere.
Não mais carrego a saúde que tive,
nem mais tenho tantos anos pela frente para seguir.
Pode ser hoje meu último dia?
Quiçá? Sou nem tão velho, mas nada mais moço a cada instante.
Pode ser hoje meu último dia?
Quem me dera? Poderia eu, pelo menos, escolher a paisagem para amanhã?
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
E sinto-me regozijado!
Sinto-me apunhalado por coisas sombrias ao meu redor...
E sinto-me amedrontado!
A sobriedade não meu deu paz.
As sombras não me abandonaram, decerto.
Escuro, frio, como um pedaço de carne esquecido no chão,
sou eu mesmo um pedaço de carne que o tempo digere.
Não mais carrego a saúde que tive,
nem mais tenho tantos anos pela frente para seguir.
Pode ser hoje meu último dia?
Quiçá? Sou nem tão velho, mas nada mais moço a cada instante.
Pode ser hoje meu último dia?
Quem me dera? Poderia eu, pelo menos, escolher a paisagem para amanhã?
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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