quarta-feira, 14 de junho de 2017

Fitando o solo

Sou uma cópia adulterada por mim mesmo
daquele homem que eu um dia sonhei que seria.
Planejei tanto. Sonhei tanto. E hoje?
Hoje resta apenas a certeza da não realização,
a certeza do não entendimento,
a certeza da não aceitação.
Hoje há certezas dos erros e
algumas conclusões sobre alguns acertos.
A balança pesa desigual!
Os tropeços somam-se e fico mudo.
Calado diante das coisas, dos fatos, dos momentos,
sou uma foto abstrata na parede. Não reconheço-me!
Apenas olho para dentro do que esperei de mim ser,
mas nada enxergo do novo e dos sonhos em mim.
Apenas rugas, dor nos ossos, enfim...
Uma mão que pende com uma caneta em riste,
e um rosto que abaixa-se fitando o solo, triste.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Paisagem para amanhã

Sinto-me tocado por coisas sóbrias ao meu redor....
E sinto-me regozijado!
Sinto-me apunhalado por coisas sombrias ao meu redor...
E sinto-me amedrontado!
A sobriedade não meu deu paz.
As sombras não me abandonaram, decerto.
Escuro, frio, como um pedaço de carne esquecido no chão,
sou eu mesmo um pedaço de carne que o tempo digere.
Não mais carrego a saúde que tive,
nem mais tenho tantos anos pela frente para seguir.
Pode ser hoje meu último dia?
Quiçá? Sou nem tão velho, mas nada mais moço a cada instante.
Pode ser hoje meu último dia?
Quem me dera? Poderia eu, pelo menos, escolher a paisagem para amanhã?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier