domingo, 9 de agosto de 2020

A CONVICÇÃO DO BALÃO

Demorei muito tempo para atingir a estrada que leva à convicção do balão da tirinha (vide imagem). Para os poucos que estiveram e, principalmente, restaram por perto nesse percurso, é cristalina a verdade de tantos que foram os anos e os danos para que ao menos eu chegasse à essa estrada.

O vazio inexplicável. A indignação que arrebatava qualquer vislumbre de resignação necessária diante do imutável. A ausência de algo ou alguma resposta para uma complexa interpretação do mundo e do sofrimento e razão de existir humanos...

A presença física, mas sem qualquer significado diante de tudo. A completa anedonia diante da presença das horas e do adiantar da vida. Que vida? Onde esteve? Onde estaria? O que era?

A certeza de ser, em si mesmo, a personificação do niilismo que tanto esforço exigia para não me manter fixo, atento a ele. Enxergar a erradicação da esperança entranhada na própria origem da minha visão do mundo, dos outros, de mim, do todo. Até de Deus.

Entender a si mesmo como sendo o personagem mais deletério da sua própria história poderia servir para tragédias épicas - tal qual tantas que já foram escritas - para alguém que soubesse traduzir vivências em histórias. Mesmo que fosse, ali escrita, a própria história.

Sim, não raras vezes, somos a pior coisa que nos aconteceu na vida. Entendi isso em diversos momentos e quis distância de mim, mas minha presença não era um balão para que eu simplesmente o soltasse e voasse para longe de mim. Afinal, esse eventual balão seria eu mesmo.

Mas, das pedras que nos jogam e jogaram, dos muros que construímos e vimos serem construídos diante de nossos passos, haveremos de pegar cada umas dessas pedras e, metro a metro (ou milímetro a milímetro - a depender da velocidade conseguida) pavimentaremos a estrada definitiva e segura que nos levará adiante. Quem sabe alguém ainda poderá se utilizar,enquanto caminho,das pedras que sedimentamos sob nossos passos?

E iremos rumo à convicção de que o vazio nada mais era que a ausência do entendimento de si mesmo. Estranho? Digo diferente: a antítese do vazio é encontrar a plenitude no eu que há. E aprender a ser feliz dentro daquilo o que se é. Eudaimonia!

_ um ensaio filosófico na esperança de resumir aprendizados e vivências diante de um processo depressivo. Valorizar o "Setembro Amarelo" é entender que existem motivos para lembrar dele durante todo o ano!

_ dedico gratidão especial a/à todos/as que estiveram e, principalmente, restaram por perto nesse percurso.

_ escrito por Pedro Igor Guimarães Santos Xavier.

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Créditos da tirinha: arte genial e tocante publicada no perfil e obra de @teoeominimundo .

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