SILÊNCIOS
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O silêncio faz parte do discurso, da música, da rotina... É uma espécie de direito: se calar! E, também, de se afastar daquilo (daqueles) que não cessa seus ruídos, afetando o enterno e, obviamente, nosso mundo externo e interno. Na pressa do passar dos dias e das atividades, no perseguir das metas (que tantas vezes nem são as nossas), não prestamos atenção ao significado indissolúvel do silêncio.
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Os momentos de silenciar fazem parte da vida! Sem isso, não conseguimos perceber o sentido, a melodia, a harmonia nas coisas... Tudo seria ruído constante; ruídos sem sentido que não provocariam nada além de danos. E, tantas vezes, os danos pelos silêncios que não soubemos fazer ou pedir (até exigir) demoram para aparecer - nesse momento, há uma imensa janela para a frustração e remorso. Saibamos exercer o silêncio antes que danos difíceis de serem resolvidos apareçam!
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É preciso saber que, por vezes, é hora de parar! Chega a hora de se fazer silêncio. Quando as atividades estão ensurdecedoras, não calamos nossa mente; não temos silêncio em nossas horas. Quando a vida estiver assim: é mais que hora de parar! Se você tem essa opção: faça isso! Se só seria possível mediante ajuda de alguém, de alguma pessoa: peça ajuda! Exercite a humildade, mas seja transparente quanto aos seus sofrimentos. Diga, por exemplo: "eu preciso desse momento. Eu preciso de sua ajuda!". Quem te ama, ajudará sem pedir nada em troca. Apenas vai torcer para que encontre sua felicidade e plenitude. É um exemplo claro, quando isso ocorre, de que há naquela pessoa o amor por nós.
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Os ruídos do mundo e de dentro de nós mesmos nos apequenam com o tempo. Quando há um som muito alto e desagradável, qual a nossa reação? Apertar as mãos sobre os ouvidos, encurvar o corpo e sair dali o mais rápido quanto possível. Não é assim? Pense na cena... Quando há pessoas e situações ao nosso redor que não se calam, não nos dão o direito ao silêncio, fazemos isso emocionalmente. Vamos deixando de ouvir e nos encurvando, nos distanciando... Daí, nem mesmo as coisas boas que surjam ou sejam ditas nós estaremos prontos para ouvir. Talvez seja, inclusive, tarde demais para parar e ressignificar aquilo tudo.
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Perdemos a noção de que a paz (externa e interna) seja possível quando não nos respeitam o direito ao silêncio. Exercer a solitude de forma plena, estamos conseguindo? Ou somos daquelas pessoas que perseguem o ruído da multidão por não saberem tolerar a própria presença no silêncio do isolamento? Tristes são esses que não conseguem ter uma boa companhia quando estão acompanhados apenas de si mesmos...
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Já viu como as síndromes associadas à saúde mental das pessoas (depressão, pânico, etc.) se tornam mais relevantes, estatisticamente, nas grandes cidades? Lá, essas pessoas têm sua saúde indo em frangalhos (mental e até física) e, não raro, não arranjam tempo para perceber isso. Tantas vezes, numa estratégia de defesa, pois parar, pedir ajuda pode causar medo.
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Não tenha medo! ninguém está só! Se está se sentindo sozinho/a onde estiver, saiba procurar. Voltar para onde veio, abandonar a cidade onde está, mudar de profissão, de amizades, de par... Enfim. Haverá sempre alguém disposto a ouvir, com toda empatia, sobre seu momento e auxiliar na busca por aprendizados.
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Repito: o privilégio de pertencer a si mesmo é, sim, um enorme privilégio. Já foi dito. Saibamos exercer a solitude. Saibamos buscar quem nos soma, quem nos engrandece. Aprendamos a amar quem está ao nosso lado, ajudar e consolar sempre. Mas não nos limitemos ao cárcere ao redor de situações e pessoas que não nos deixam parar, refletir, silenciar e dizer: basta! Quem ama dá motivos para seguir. Quem impede nossos progressos não nos ama. E, tantas vezes, a falta de amor está em nós mesmos para conosco.
Nas grandes cidades, não é o excesso de carros, multidões, de prédios, escassez de tempo que nos apequenam. O excesso de informações nos impede de executar o silêncio. Por vezes, sentimos uma imensa vontade de largar tudo o que estamos fazendo e correr dali. Ora, "jogar tudo pro alto"? Ora, "chutar o balde"? Quem nunca ouviu essas frases?
Quem ouve de si mesmo essas frases, perceba suas intenções, sentimentos, vontades. Você muito provavelmente precisa de silêncio! Silenciar. Isso pode precisar não somente de momentos de isolamento, mas de saber estar isolado. Saber que, dentro de cada um de nós, há o privilégio de pertencermos a nós mesmos - como já foi dito.
Saibamos buscar esse privilégio. Pertencer a nós mesmos. O silêncio nos pertence. É um direito que devemos receber do mundo, das outras pessoas e, claro, de nós mesmos. Calar as dores do passado, silenciar a pressa do presente... Criar uma melodia linda para um futuro próspero passa por isso.
Por vezes, de fato, é necessário parecer "bobo". Largar tudo, se isolar, se calar, executar o silêncio. Somente assim, poderemos ter a oportunidade de entender, daquilo o que fazemos, o que é da nossa vontade e o que é feito por nós para agradar as opiniões e expectativas alheias.
O que você deixou de ser quando cresceu? Já leu essa frase por aí?
(...) Continua
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