Via-se distante daquilo, o mundo dos carros, dos aviões... O mundo dos computadores, o mundo das televisões... O mundo do dinheiro fácil! Oh, mundo hostil... Por debaixo de tetos de gesso, em arranha-céus os mais altos, imponentes como que em total empáfia de uma pobre e ignorante nobreza. Ele, criança, apenas tinha teu sorriso e o abraço da mãe alcoólatra. Mãe essa que, apesar de querida, bebia por desgosto tentando dar gosto à sua própria vida. Vida sem esperanças ou expectativas. Ela as havia perdido há muito, quando lhe roubaram o futuro tão sonhado em meio à sua infância problemática, no gueto da cidade imponente, com seus belos e vários arranha-céus para além da realidade hostil que era a dela... O álcool era para aquela mãe o refúgio do ladrão que, tentando esquecer-se dos próprios erros cometidos, abrigava-se por debaixo de um abrigo, um “teto” temporário e irreal que fosse, mas que lhe servisse de alento diante dos medos do amanhã ou dos medos dos próximos segundos na sua vida sabidamente inútil que levava...
Nascida e criada no gueto, caminhava a criança pela rua. Descendo do morro às pressas, rumo à escola, ao futuro sonhado de forma espantosamente responsável naquele pequeno ser. Morreria, porém, ali, na calçada, saindo do morro para a eternidade, sob um mar de balas que, rodeando o céu, procuravam um alguém que, em as recebendo, cairia ao chão, não pela força da gravidade apenas, mas, sim, pela gravidade dos fatos e da violência à qual ela, aquela criança, tanto se habituou a testemunhar. Caída no chão, com a bala no peito, caminhou para a morte infantil como apenas um dado a mais na estatística nacional, porém, não era uma morte menos triste que as outras.
Como sorria antes do fato, parecia feliz antes da morte. Como morreu com um tiro, parecia bandido. Como parecia bandido e corria pelas ruas em meio à calçada tumultuada, morreu - outro inocente atirado ao chão e à eternidade precocemente! A sociedade foi quem matou quando o deixaram viver ali, à mercê de oportunidades vãs e vis em um mundo violento, em um mundo hipócrita com realidades tão contrastantes e demasiado hostis...
Como sorria antes do fato, parecia feliz antes da morte. Como morreu com um tiro, parecia bandido. Como parecia bandido e corria pelas ruas em meio à calçada tumultuada, morreu - outro inocente atirado ao chão e à eternidade precocemente! A sociedade foi quem matou quando o deixaram viver ali, à mercê de oportunidades vãs e vis em um mundo violento, em um mundo hipócrita com realidades tão contrastantes e demasiado hostis...
Morre mais uma criança. Morre mais um na infância sofrida e corrompida. Morre nos pés do morro, chamando pelos braços de um Deus justo. Mas, apesar de tudo, nunca morre a triste realidade do sofrimento do povo, das minorias acuadas por um mundo capitalista e fantasioso que mata essas minorias - ou, para os que o defendem, as deixa morrer - ao invés de erguerem-nas para andarem juntas de todos os demais rumo ao futuro merecido, pois, afinal, somos todos irmãos. Todos iguais! “Humanos é o que sois” - diria Charles Chaplin em seu discurso de ''O Grande Ditador''. Que Deus tenha aquela criança com Ele, pois nos foi retirada como tantas outras, como tantos outros. “Vinde a Mim as criancinhas”. Não era isso que Ele pensou... Não era assim que Ele pediu!
Crianças: corram nas ruas, mas não corram por medo! Corram simplesmente por serem crianças. Pois: crianças é o que sois! Nunca corram do medo, lhes peço. Se ele existir em vós, pequeninos, sejam crianças apesar deles, sempre! Tiramos a infância de varias gerações com medos de guerras falsas baseadas em interesses escusos, ou ainda fazendo guerras, de fato reais. Façamos a paz para breve, pois da paz conseguiremos o futuro. Do futuro, conseguiremos crianças felizes, enfim! Não deixem de lado as minorias que sofrem. Não deixem de lado as crianças que choram. Olhai os lírios do gueto.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




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