Um passo de cada vez
E a vida tornou-se fria.
Dei passos muito lentos,
Muito aquém do que devia.
As horas passaram vãs,
Como gotas que caem ao dia
Molhando o solo de terras pagãs,
Fugindo ao deus que achei que havia.
Deus ouve-nos a diária prece?
Deus está um pouco cansado?
Gota a gota o tempo fenece
E o corpo definha, nosso malgrado...
O tempo esvai-se como pétalas caindo.
As flores morrem aos poucos despetaladas.
Nós, como flores, despetalamo-nos partindo.
E as horas seguem, apesar de Deus, desgraçadas...
Faltam-nos fé ou merecimento?
Temos um mundo de tantos dissabores...
Vejo pela janela apenas sofrimento,
Calçadas repletas de gente em dores.
Dores vãs, quais sejam, como duras farpas...
Não mais respira-se a paz a contento.
Tons de preto tomam conta de nossos mapas!
O mundo segue em escuridão, em farto sofrimento....






