sexta-feira, 11 de julho de 2014

O pássaro e a árvore

Um lindo pássaro pousou na árvore de minha vida. Os galhos, apesar de tortuosos, mal cuidados, serviram-lhe ao pouso. Aquele belo pássaro ficou ali por um fração inesquecível de tempo, colorindo a beleza da paisagem, tomando para si toda a atenção da natureza presente no entorno. Entretanto, num dia infeliz, aquela árvore aparentemente imponente, alta, estava doente e seu galho fraquejou, balançou, quebrou e deixou sem avisar o pássaro sem seu pouso, sem chão, sem rumo, sem entender. E o pássaro teve de voar, pois a árvore não se fez forte o suficiente...

O pássaro voou, a árvore quebrada permaneceu sem ser cuidada. Ela era imponente, alta, via-se de longe, mas os que de perto testemunhavam sua presença nunca haviam notado que ela estava doente, nem mesmo o pássaro que pousou ali com toda sua confiança e peito aberto. Mas com o galho caído, faltando-lhe um pedaço, a árvore seguiu doente, sem o pássaro que era como um pedaço seu, o mais importante pedaço. O pássaro era um fragmento alado daquela árvore e que, ciente de suas asas, voou.

Chuvas aconteceram, irrigando a alma e as raízes daquela árvore, e num belo dia, a árvore sentiu-se enfim cuidada, curada...  Ela viu-se, entretanto, apesar de agora sã, sozinha, sem ver aonde estava o pássaro. Ele não mais voltou-se a ela. Passava voando sem que a árvore pudesse fazer algo, ou chamar-lhe a atenção. Pousou em outras árvores e aquela árvore vira certa vez aquele pouso. Doeu tanto ver o pássaro por outros galhos... Mas quem veria as lágrimas caídas daquela árvore de alma ferida e doente, aquela árvore tão só? O pássaro seguia procurando outras árvores...

Aquela árvore então, não mais serviu de pouso aquele lindo pássaro, inesquecível pássaro que infelizmente desfrutou de um mal momento daquela árvore e foi vítima de sua doença. Perdera a confiança naquela árvore e ela, sem dar frutos, sem ser pouso para aquele pássaro, permanece viva rezando pelo dia em que ele volte e colora sua paisagem como outrora fora. Como doía não mais ser pouso daquele pássaro...

Nessas horas, lembro de Guimarães Rosa quando quase em uma profecia me disse em um livro seu: ''amar é a gente querer se abraçar com um pássaro que voa''. E meu pássaro voou...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

(ao amor das minhas vidas)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Batidos

A faca que corta não mata mais
Que a dor da perda que à morte exorta.
Queria poder recuperar o amor e, ademais,
Trazer à vida a amada que faz-se morta.

Dia após dia, cultivando sonhos contíguos,
Ser um par pleno, perfeito, que se ama.
Sentir palpitarem sentimentos ambíguos
Do amor, da amizade, e a presença que inflama.

No peito, trazendo chagas curadas em prantos,
Das lágrimas surgindo a cura para toda dor.
De mãos dadas, o amor vencendo desencantos,
Tornar a sentir no peito e na alma o amor.

Quantos mais dias me restam
Tendo, no peito, o coração a pulsar
Em batidos persistentes que infestam
Meu corpo de vida que não queria achar?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Estou aqui

Peço uma chance, a derradeira, querida.
Dê-me-la e dela farei um estandarte.
Permita-me ser teu de novo na vida.
Farei do amor teu aconchego, um baluarte.

Peço perdão pelos erros cometidos.
Tantos foram que hoje me nego
A ver-me tão torpe. Erros desmedidos,
Trouxeram sofrimentos os quais hoje enxergo.

Amo teu corpo, tua alma, teu sorriso...
Amo a vida que posso ter contigo.
Sem ti não acho o caminho. É preciso
Trazer de novo aquele sentimento antigo.

Deixei passar males que não sei medir...
Deixei morrer a flor que plantei em ti.
Deixei passar tantas coisas ao partir.
Mas peço-te de novo uma chance. Estou aqui!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Dura dor

Dói muito mais a dura dor
Que ocorre na perda da vida
Quando, vivo, de coração batendo,
Perde-se o amor da alma querida.

O corpo que segue, sem alma transita
Pelos rumos e cantos do mundo.
Sem vida, o coração no peito palpita
Em ritmo caótico de sofrimento profundo.

Dor que não passa, que mata todo o ser...
Dói a alma, dói o corpo, dói a vida, a saber...
E em dores, em prantos, o que há de se ter?
Esperanças? Encantos? Melhor seria morrer.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Amor no coração, sorriso na face

Você chegou de mansinho, abriu a porta.
Nem dava para ouvir seus passos, chegando.
Aquela casa triste, que antes parecia morta,
Ganhava vida e cores, com tudo ali brilhando...

Por quanto tempo poderia eu negar-me ao amor
Que dentro de meu peito, antes oco, adormecia?
Você surgia ao meu lado tal qual a flor
Que nasce do chão dito infértil, mas agora vivia.

Sonhos? Sim, vi pássaros queimando no ar.
O sol brilhante de teus olhos tostava todos.
Um coração pulsava ali, via-se tudo queimar;
Ressurgia então um cenário novo, sem engôdos.

Seriam ali novos passos, em novos caminhos?
Seria então a mesma estrada conosco por lá?
Sabia eu, todavia, que não estávamos mais sozinhos.
Eu era um homem novo, em nova vida, quiçá...

Abracei teu corpo, senti seu cheiro tão suave...
Não queria que aquele abraço acabasse.
No correr da vida, nada há que nos salve
Que não o amor traduzido em sorriso na face.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier