segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sobre filhos, sobre a vida e sobre uma necessária força de vontade

Quantos pais mentiram para seus filhos
Dizendo que os levariam para viagens?
Ou dizendo que só fariam mais uma ou duas coisas
Do trabalho antes de, enfim, darem seu tempo a eles?
Quantos pais esqueceram dos seus filhos,
Tão preocupados com acumular riquezas que estavam?
Quantos pais deixaram em casa seus filhos
Esperando brincar à noite, mas isso nunca ocorreu?
Quantos pais mentiram sobre fazer algo diferente
No final de semana, mas estavam cansados e nada fizeram?

Ah, a vida! Somar riquezas no somatório dos dias!
Ah, a vida! Somar riquezas no somatório dos dias?
"Quais conquistas, enfim, valeram à pena?"
Eis que essa deve ser a pergunta derradeira
De todo humano antes da morte!
Mas penso já hoje e mesmo assim não sei a resposta!
Troféus de empregado do mês?
Uma poupança polpuda a servir de herança?
Um carro que ficará na garagem?
Ou quem sabe os filhos deixados na vida?
Não sei a resposta, mais uma vez, saliento!
Viver deveria ser algo sobre usufruir do tempo?
Algo de servir a si próprio e aos que amamos?
Ou de gerar dias inesquecíveis com nossa presença?

Ah, a vida... Mais tempo gastamos dormindo
E trabalhando que amando as coisas que dizemos amar!
No fim, pouco sabemos do amor, pois pouco dele utilizamos.
No fim, pouco entendemos da vida, pois pouco nela "vivemos"!
No fim, pouco aprendemos da liberdade, pois não somos livres!
Os grilhões das obrigações diárias prendem-nos
Numa arrogância eterna por somar coisas, mais e mais...
A guilhotina do cotidiano nos vence e tira nossa cabeça!
Sem cabeça, sem razão, sem exercer coisas do coração:
Somos seres ocos, sem sentido, que vagam!
Entre nascer e morrer, há um lapso de tempo
Em que não basta apenas respirar e ter frequência cardíaca!
Haveríamos de ter amor, prazer, felicidade nesse lapso!
Mas gastamos todas as nossas energias e nossos dias
Tentando juntar coisas que nos convençam
Que todo esse desperdício de tempo vale a pena!
No final, alguém chorará por nossa morte?
Não sei! Apenas sei que todos morreremos!
E quem ao nosso lado pôde ser cativado?
Demos tempo para alguém nos conhecer e nos amar, de fato?
No final, viver é uma questão de força de vontade!
Vontade de seguir vivendo cada dia.
Mas qual vida? Para quê? Para quem?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

2 comentários:

  1. caraca...desculpa...kk
    essa é profunda..quero licença para editar umas partes para mim posso?

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  2. Fico feliz por ter gostado. ;-) Obrigado! Pode sim!

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