Recebi um golpe; caí.
Olhei-me; estava no chão.
Trôpego, levantei e saí
correndo como um homem vão.
Sentia que algo havia ficado caído...
Deixei parte de mim, perdida?
O que haveria desaparecido?
Eu me sentia com a alma ferida.
Sangrava, sim, mas não pela cabeça.
Era o coração que jorrava sangue.
Eu corria dali com a esperança avessa,
uma vez que via-me aturdido e estanque.
Havia morrido parte de mim? Sim!
Mas persisti e corri - sentindo-me sôfrego, opaco...
Correr demanda apenas ter pernas, entendi, por fim!
E corre-se bem mesmo com o coração fraco.
Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Sensação
O amor subiu as escadarias da casa.
Deu-se de frente com uma alta janela.
Vi tristeza nos olhos e um coração em brasa
numa noite tão comum que me parecia aquela.
Virei-me de costas, mas o amor sumiu.
Ele havia se jogado da janela aberta?
Não mais o vi, nem alguém o viu.
Restou uma sensação de perda, incerta...
Não quis acreditar que o amor havia sumido.
Não quis pensar que ele deixou-se abater.
Conseguia, sim, imaginar um coração partido,
Mas, de onde estivesse: haveria forças para vencer?
Deu-se de frente com uma alta janela.
Vi tristeza nos olhos e um coração em brasa
numa noite tão comum que me parecia aquela.
Virei-me de costas, mas o amor sumiu.
Ele havia se jogado da janela aberta?
Não mais o vi, nem alguém o viu.
Restou uma sensação de perda, incerta...
Não quis acreditar que o amor havia sumido.
Não quis pensar que ele deixou-se abater.
Conseguia, sim, imaginar um coração partido,
Mas, de onde estivesse: haveria forças para vencer?
Pensamentos avulsos - ainda sobre metafísica
Ainda sobre metafísica, tenho pensado demais...
O intuito de tudo na vida é nossa inquietação constante?
Sim? Vejo que há um enorme abismo entre ser feliz e viver.
Ser feliz demanda respostas de superação e abnegação, não raro.
Ao viver, impõem-se demandas de suportar dores e, claro, de superação.
Logo, penso: a felicidade e o viver podem ter esse ponto de conexão?
Sim, a superação! E não é pouco que a vida nos cobra.
Nunca estamos cem por cento preparados para viver e suportar tudo,
mas nos cabe ter a força necessária de enfrentar a luta, dia após dia.
Sim, viver é também persistir numa luta constante...
Resignar-se? Também é uma demanda tanto do ser feliz quanto do viver.
Uma características dos felizes é a capacidade de persistir! Fato!
Tantas dores que para uns seriam momento de martírio
para outros são passagem, são coisa que passa das quais fica
no máximo uma recordação denominada "aprendizado"...
Tantos são aqueles que conseguem ser fortes e aprender com a vida.
Viver é de fato muito perigoso. E somos mesmo aprendizes...
Nunca um autor esteve tão completo ao escrever uma frase
E a plenitude de saberes que Guimarães Rosa demonstrou
nos coloca em xeque. Afinal: sabemos viver os riscos?
Sabemos ter a resignação devida e a abnegação coerente?
Precisamos pensar em muitas coisas para viver e vencer na vida?
Ou melhor seria termos menos pensamentos e mais ação?
Sim, entendo olhando minha própria vida que
tantas decisões foram pensadas demais e deram-se em erros.
Tantas outras deram-se no erro e em sofrimentos
por eu ter pensado pouco... Então, nem ao mar, nem à terra, correto?
Temos que pensar o mínimo para não cometermos uma ignorância impensada,
mas não podemos perder tempo demais com metafísicas, queimando pensamentos.
Afinal: todo o tempo que se perde pensando é um tempo a menos agindo e vivendo.
Precisamos viver mais. Pensar o necessário. Ressentir o mínimo. Sentir o máximo.
Entendo que é algo nesse caminho.
E penso que, quando agimos por sentimentos, agimos melhor!
Melhor que quando nossa ação veio exclusivamente pelo pensamento.
Claro que quando o sentimento é ruim, a ação poderá ser ruim e errada.
Mas: e se passarmos a agir mediante pensamentos bons nossos?
Talvez seja o segredo da vida feliz: agir pelos sentimentos bons.
Sentimentos bons que as pretensas escolhas nos geram de parâmetros.
Amar e agir sob a égide do amor nunca será um erro!
Perdoar e agir sob as rédeas do perdão também nunca será erro!
Logo: coisa boa é agir tendo sentimentos bons como base, parâmetro?
Pode ser isso um segredo da vida? Quem sabe?
Quem dera eu soubesse que isso é mesmo uma uma verdade...
Mas tenho pra mim que é um caminho para se pensar, no mínimo.
Ops, pensar sim, mas nem tanto! Afinal há a metafísica...
E metafísica é mesmo uma consequência de se estar mal disposto
(como muito bem nos disse Fernando Pessoa).
O intuito de tudo na vida é nossa inquietação constante?
Sim? Vejo que há um enorme abismo entre ser feliz e viver.
Ser feliz demanda respostas de superação e abnegação, não raro.
Ao viver, impõem-se demandas de suportar dores e, claro, de superação.
Logo, penso: a felicidade e o viver podem ter esse ponto de conexão?
Sim, a superação! E não é pouco que a vida nos cobra.
Nunca estamos cem por cento preparados para viver e suportar tudo,
mas nos cabe ter a força necessária de enfrentar a luta, dia após dia.
Sim, viver é também persistir numa luta constante...
Resignar-se? Também é uma demanda tanto do ser feliz quanto do viver.
Uma características dos felizes é a capacidade de persistir! Fato!
Tantas dores que para uns seriam momento de martírio
para outros são passagem, são coisa que passa das quais fica
no máximo uma recordação denominada "aprendizado"...
Tantos são aqueles que conseguem ser fortes e aprender com a vida.
Viver é de fato muito perigoso. E somos mesmo aprendizes...
Nunca um autor esteve tão completo ao escrever uma frase
E a plenitude de saberes que Guimarães Rosa demonstrou
nos coloca em xeque. Afinal: sabemos viver os riscos?
Sabemos ter a resignação devida e a abnegação coerente?
Precisamos pensar em muitas coisas para viver e vencer na vida?
Ou melhor seria termos menos pensamentos e mais ação?
Sim, entendo olhando minha própria vida que
tantas decisões foram pensadas demais e deram-se em erros.
Tantas outras deram-se no erro e em sofrimentos
por eu ter pensado pouco... Então, nem ao mar, nem à terra, correto?
Temos que pensar o mínimo para não cometermos uma ignorância impensada,
mas não podemos perder tempo demais com metafísicas, queimando pensamentos.
Afinal: todo o tempo que se perde pensando é um tempo a menos agindo e vivendo.
Precisamos viver mais. Pensar o necessário. Ressentir o mínimo. Sentir o máximo.
Entendo que é algo nesse caminho.
E penso que, quando agimos por sentimentos, agimos melhor!
Melhor que quando nossa ação veio exclusivamente pelo pensamento.
Claro que quando o sentimento é ruim, a ação poderá ser ruim e errada.
Mas: e se passarmos a agir mediante pensamentos bons nossos?
Talvez seja o segredo da vida feliz: agir pelos sentimentos bons.
Sentimentos bons que as pretensas escolhas nos geram de parâmetros.
Amar e agir sob a égide do amor nunca será um erro!
Perdoar e agir sob as rédeas do perdão também nunca será erro!
Logo: coisa boa é agir tendo sentimentos bons como base, parâmetro?
Pode ser isso um segredo da vida? Quem sabe?
Quem dera eu soubesse que isso é mesmo uma uma verdade...
Mas tenho pra mim que é um caminho para se pensar, no mínimo.
Ops, pensar sim, mas nem tanto! Afinal há a metafísica...
E metafísica é mesmo uma consequência de se estar mal disposto
(como muito bem nos disse Fernando Pessoa).
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Metafísica
Vivi. Sonhei. Amei. Confiei.
Como é possível permear a realidade disso tudo
sem conseguir tornar real nada disso?
Vejo-me morto.
Vejo-me sem sonhos.
Vejo-me sem amor.
Vejo-me sem confiança.
Jogado aos pés da cama, aquieto-me.
Vejo-me tão pequeno quanto um dia eu fora.
Vejo-me como um capacho de porta, alheio,
onde pessoas passam e me pisam
- sem quaisquer cuidados ou carinho para comigo.
O tempo irá sempre puir o capacho.
O tempo irá, também sempre, corroer minha vida, sei
- assim como meus sonhos, meus amores e minha confiança...
Queria ser menos humano - e ter menos metafísica,
pois ela destrói-me mais que o tempo!
Como é possível permear a realidade disso tudo
sem conseguir tornar real nada disso?
Vejo-me morto.
Vejo-me sem sonhos.
Vejo-me sem amor.
Vejo-me sem confiança.
Jogado aos pés da cama, aquieto-me.
Vejo-me tão pequeno quanto um dia eu fora.
Vejo-me como um capacho de porta, alheio,
onde pessoas passam e me pisam
- sem quaisquer cuidados ou carinho para comigo.
O tempo irá sempre puir o capacho.
O tempo irá, também sempre, corroer minha vida, sei
- assim como meus sonhos, meus amores e minha confiança...
Queria ser menos humano - e ter menos metafísica,
pois ela destrói-me mais que o tempo!
O senhor da vida
Às vezes a vida se me parece um algoz, um carrasco, algo assim.
Sim, um algoz obediente a um senhor que desconheço.
Sem motivos, ela vem e decepa parte de mim.
Corta a cabeça de sonhos e de expectativas que crio...
Não raro, quando menos espero, eis que há um revés, depois outro...
E, de revés em revés, fico eu, atônito, tentando conectar coisas e fatos.
Quais os motivos dos dissabores da vida?
O que eu faço a ela para que me venha e decepe minhas esperanças?
Tento ser o melhor que posso diante das coisas e das pessoas.
Mas tenho sido menos do que eu deveria, entendi,
aos olhos do senhor que comanda esse algoz que a vida consegue ser.
Sorrisos? Sim, há. Muitos motivos para sorrir permeiam a vida,
mas os motivos de choro, não raro, tomam vulto e nos cegam.
Pelo menos ocorre isso comigo! Será que é só comigo?
Chegam dias que ficamos tristes, chorosos; quem nunca experimentou isso?
Pego uma taça e coloco uma boa cerveja ou um bom vinho.
Imagino-me com cigarros imaginários nas mãos
e solto suspiros como se fossem fumaça pela boca...
Ah, sim, os suspiros e cigarros imaginários! Entende?
Suspiros são como dar um alívio ao carregar fardos da vida!
Sigo em horas de choro dando suspiros e goles numa boa cerveja ou num bom vinho...
Ainda encontrarei motivos e explicações, com sorte, para os dissabores da vida.
Por ora, apenas tento seguir meu rumo sem criar desgostos ao senhor que rege tudo.
Ou melhor: nessas horas, tento recolher-me e ser um melhor senhor para mim mesmo.
Serei melhor um dia e nada haverá de dar errado!
Haverá só sorrisos, goles de alegrias e esperanças. Muitas esperanças!
Assim espero e sonho - mas que a vida não decepe mais esse sonho meu...
Sim, um algoz obediente a um senhor que desconheço.
Sem motivos, ela vem e decepa parte de mim.
Corta a cabeça de sonhos e de expectativas que crio...
Não raro, quando menos espero, eis que há um revés, depois outro...
E, de revés em revés, fico eu, atônito, tentando conectar coisas e fatos.
Quais os motivos dos dissabores da vida?
O que eu faço a ela para que me venha e decepe minhas esperanças?
Tento ser o melhor que posso diante das coisas e das pessoas.
Mas tenho sido menos do que eu deveria, entendi,
aos olhos do senhor que comanda esse algoz que a vida consegue ser.
Sorrisos? Sim, há. Muitos motivos para sorrir permeiam a vida,
mas os motivos de choro, não raro, tomam vulto e nos cegam.
Pelo menos ocorre isso comigo! Será que é só comigo?
Chegam dias que ficamos tristes, chorosos; quem nunca experimentou isso?
Pego uma taça e coloco uma boa cerveja ou um bom vinho.
Imagino-me com cigarros imaginários nas mãos
e solto suspiros como se fossem fumaça pela boca...
Ah, sim, os suspiros e cigarros imaginários! Entende?
Suspiros são como dar um alívio ao carregar fardos da vida!
Sigo em horas de choro dando suspiros e goles numa boa cerveja ou num bom vinho...
Ainda encontrarei motivos e explicações, com sorte, para os dissabores da vida.
Por ora, apenas tento seguir meu rumo sem criar desgostos ao senhor que rege tudo.
Ou melhor: nessas horas, tento recolher-me e ser um melhor senhor para mim mesmo.
Serei melhor um dia e nada haverá de dar errado!
Haverá só sorrisos, goles de alegrias e esperanças. Muitas esperanças!
Assim espero e sonho - mas que a vida não decepe mais esse sonho meu...
Lágrimas
Ah, a janela de meu quarto.
A janela do quarto onde me deito.
Deitado, olho e ela se me mostra aberta.
Vejo todo o mundo defronte da minha sacada.
Imagino como seria se as pessoas fossem como janelas.
Se fôssemos como janelas, sem trancas, sem interposições,
nosso interior seria facilmente acessível, alcançável, visto.
Mas somos formados para fecharmo-nos para o mundo.
Ensinaram-nos um dia que quem muito se expõe, vira presa fácil.
Mas sinto que não haveria segredos se pudéssemos nos abrir feito janelas!
As pessoas poderiam ser mais sinceras umas com as outras e consigo mesmas.
Haveria menos dores no mundo (e dentro de mim)? Creio que sim.
O que me faz ser eu? Há uma enormidade de erros, acertos.
Mas nem tudo em mim é exposto.
Eu tenho acesso aos mais escondidos recônditos de meu ser.
Mas e os outros? O que consigo deixar que vejam?
O quanto veem de mim? Sou claro a eles? Transparente?
Ergo-me da cama e tento refletir sobre como ser mais visível.
Olho para a janela e vejo pessoas passando e não as conheço.
E eu para mim? Conheço-me a fundo? Quanto?
Olho para o céu e ele se mostra uma incógnita à luz do sol.
Resta a mim iluminar-me de algum modo e expor-me ao mundo.
Os medos me vêm à tona e temo não conseguir me mostrar.
Querendo ser felizes, escondemos nossos maiores defeitos
e tentamos banhar as mãos dos outros que nos tocam com qualidades.
Não somos só qualidades. Há em nós uma enormidade de fantasmas
de passado, de presente e de futuro.
Somos eternas crianças assombradas,
mas ensinaram-nos a ser (ou nos mostrarmos) fortes diante do mundo.
Vejo que precisamos ser feito janelas para acesso à nossa própria alma.
Precisamos ser melhores ao enxergar (e ao expor) a nós mesmos
- sem máscaras e sem estarmos fechados em nós próprios.
Somente assim estaremos sendo sinceros diante dos outros.
As pessoas irão nos amar ou nos odiar quando estivermos expostos?
Não sei! De minha parte, vejo-me repleto de medos e inseguranças.
O mundo é cruel com os temerosos.
Precisamos ter coragem, mas, para isso, haveremos de ser fortes.
Precisamos ser nós mesmos por inteiro, sem interposições, máscaras ou trancas...
Tentemos nos abrir mais para o mundo, então!
De minha parte, torço para que seja uma boa ideia esse devaneio
- e torço para que o mundo não me castigue com mais lágrimas.
A janela do quarto onde me deito.
Deitado, olho e ela se me mostra aberta.
Vejo todo o mundo defronte da minha sacada.
Imagino como seria se as pessoas fossem como janelas.
Se fôssemos como janelas, sem trancas, sem interposições,
nosso interior seria facilmente acessível, alcançável, visto.
Mas somos formados para fecharmo-nos para o mundo.
Ensinaram-nos um dia que quem muito se expõe, vira presa fácil.
Mas sinto que não haveria segredos se pudéssemos nos abrir feito janelas!
As pessoas poderiam ser mais sinceras umas com as outras e consigo mesmas.
Haveria menos dores no mundo (e dentro de mim)? Creio que sim.
O que me faz ser eu? Há uma enormidade de erros, acertos.
Mas nem tudo em mim é exposto.
Eu tenho acesso aos mais escondidos recônditos de meu ser.
Mas e os outros? O que consigo deixar que vejam?
O quanto veem de mim? Sou claro a eles? Transparente?
Ergo-me da cama e tento refletir sobre como ser mais visível.
Olho para a janela e vejo pessoas passando e não as conheço.
E eu para mim? Conheço-me a fundo? Quanto?
Olho para o céu e ele se mostra uma incógnita à luz do sol.
Resta a mim iluminar-me de algum modo e expor-me ao mundo.
Os medos me vêm à tona e temo não conseguir me mostrar.
Querendo ser felizes, escondemos nossos maiores defeitos
e tentamos banhar as mãos dos outros que nos tocam com qualidades.
Não somos só qualidades. Há em nós uma enormidade de fantasmas
de passado, de presente e de futuro.
Somos eternas crianças assombradas,
mas ensinaram-nos a ser (ou nos mostrarmos) fortes diante do mundo.
Vejo que precisamos ser feito janelas para acesso à nossa própria alma.
Precisamos ser melhores ao enxergar (e ao expor) a nós mesmos
- sem máscaras e sem estarmos fechados em nós próprios.
Somente assim estaremos sendo sinceros diante dos outros.
As pessoas irão nos amar ou nos odiar quando estivermos expostos?
Não sei! De minha parte, vejo-me repleto de medos e inseguranças.
O mundo é cruel com os temerosos.
Precisamos ter coragem, mas, para isso, haveremos de ser fortes.
Precisamos ser nós mesmos por inteiro, sem interposições, máscaras ou trancas...
Tentemos nos abrir mais para o mundo, então!
De minha parte, torço para que seja uma boa ideia esse devaneio
- e torço para que o mundo não me castigue com mais lágrimas.
sábado, 24 de setembro de 2016
Calado, atônito, frio, obtuso...
Acordei um dia e já não era eu mais.
Olhei ao redor, na cama, ao lado, o vazio.
Vi-me despido da vida que sonhei num instante.
Eu havia me travestido num sonho bobo outra vez.
Todo sonho de amor é, entendo hoje, bobo.
A tolice de crer no amor mata mais que o ódio!
A morte que se dá é interna... Não se perde o corpo!
Perde-se a alma!
Perdem-se os bons pensamentos, a alegria para viver...
E restam os sonhos de perder o viver para, assim,
poder defrontar a invencível falta de alegria.
Sim, perder o amor é perder-se.
Perdendo-se, tudo fica mais vão que o de costume.
Não há sentido em nada!
Não há nada que traga sentido algum!
Tudo resume-se ao vazio.
Espaço e pensamento vazios.
Vazio...
Vazio...
Onde havia dois e o amor se retirou, não fica nada
- nem mesmo o um que restou abandonado,
calado, atônito, frio, obtuso...
Olhei ao redor, na cama, ao lado, o vazio.
Vi-me despido da vida que sonhei num instante.
Eu havia me travestido num sonho bobo outra vez.
Todo sonho de amor é, entendo hoje, bobo.
A tolice de crer no amor mata mais que o ódio!
A morte que se dá é interna... Não se perde o corpo!
Perde-se a alma!
Perdem-se os bons pensamentos, a alegria para viver...
E restam os sonhos de perder o viver para, assim,
poder defrontar a invencível falta de alegria.
Sim, perder o amor é perder-se.
Perdendo-se, tudo fica mais vão que o de costume.
Não há sentido em nada!
Não há nada que traga sentido algum!
Tudo resume-se ao vazio.
Espaço e pensamento vazios.
Vazio...
Vazio...
Onde havia dois e o amor se retirou, não fica nada
- nem mesmo o um que restou abandonado,
calado, atônito, frio, obtuso...
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
A valer
Nasci e respirei. Chorei! Sim, fiz assim.
Quase que de imediato, pronto, fim:
Lá estava eu, vivo no mundo.
E, desde então, segundo a segundo,
fui vivendo os dias, seguindo adiante, a fundo...
Não poucas vezes, entretanto, vim a esmorecer.
Sim, esmorecer! Quis morrer, desaparecer...
Definições de morte diferentes apenas no dizer.
Mas, enfim, confesso: minha vida perdeu-se em sentido.
Isso foi conclusão que eu, várias vezes, havia tido
diante de inúmeros momentos nos quais, contido,
passei sozinho sem me dar ao luxo de desabafar.
Sem ser daqueles que desabafa, vi-me desabar.
Desabei do edifício que sou, andar por andar.
Virei cinzas no térreo que também era eu, sem vida.
Vida... Vida... Perdendo-se em sentido na lida,
fado, torna-se fardo que induz-nos a sonhos de partida.
Mas quem é forte o suficiente para se matar?
Coragem para tal, não tive, mas pus-me a pensar.
Como vencer tristezas profundas, dissabores ou o azar?
O que me faltava para ser mais forte? Ter, em meu favor, mais zelo?
Tentei de todas as formas ter pena de mim e fiz então um apelo:
''seja forte o quanto puder, por maior que seja o desespero''.
E tenho tentado, a partir disso, ser forte diante da vida.
Confesso: remédios ajudam e o álcool é uma alegre pedida.
Mas só existe felicidade se ela está em nós, mesmo que partida.
A questão é juntar os cacos de si e da felicidade para, enfim, viver.
Viver feliz é coisa para poucos - que são aqueles que dominam seu ser.
Não persigo mais o ''ser feliz'', então! Tento dominar a mim mesmo e viver.
A felicidade, como consequência benfazeja, estará comigo um dia, a valer!
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Maldisposto
"A metafísica é uma consequência de se estar maldisposto".
Sempre concordo com Fernando Pessoa.
Mais nessa vez, concordo inteiramente!
Pensar não é um mal em si, mas transfigurar a realidade
em sonhos e devaneios para além do que as coisas são?
Isso é criar para si martírios incontroláveis, decerto!
Devemos viver mais como seu heterônimo Alberto Caeiro.
Devemos ser gratos pelas cossas da vida e as viver.
Pronto! Sem sonhos de benevolência ou nada mais.
Devemos ser o que somos, como somos, esperando nada da vida.
A vida nada nos dá, mas muito nos toma. Por que digo isso?
Digo, pois a vida adora nos criar devaneios de posse.
Achamos ter pessoas conosco.
Achamos ter casa, comida, felicidade.
Achamos um emaranhado de "achismos".
Mas, o que ocorre é: cedo ou tarde, "bum"...
Tudo foi para os ares e você ficou com sua sensação
mal vivida de dizer: "o que em mim se deu?".
Perdão, amigo leitor. Estou num dia ruim.
Afinal, hoje, como em vários dias, estou cá muito maldisposto...
Sempre concordo com Fernando Pessoa.
Mais nessa vez, concordo inteiramente!
Pensar não é um mal em si, mas transfigurar a realidade
em sonhos e devaneios para além do que as coisas são?
Isso é criar para si martírios incontroláveis, decerto!
Devemos viver mais como seu heterônimo Alberto Caeiro.
Devemos ser gratos pelas cossas da vida e as viver.
Pronto! Sem sonhos de benevolência ou nada mais.
Devemos ser o que somos, como somos, esperando nada da vida.
A vida nada nos dá, mas muito nos toma. Por que digo isso?
Digo, pois a vida adora nos criar devaneios de posse.
Achamos ter pessoas conosco.
Achamos ter casa, comida, felicidade.
Achamos um emaranhado de "achismos".
Mas, o que ocorre é: cedo ou tarde, "bum"...
Tudo foi para os ares e você ficou com sua sensação
mal vivida de dizer: "o que em mim se deu?".
Perdão, amigo leitor. Estou num dia ruim.
Afinal, hoje, como em vários dias, estou cá muito maldisposto...
Como casca de pistache
Destruo minha vida como quem, andando pela calçada, distraído, pisa numa casca de pistache. Sim, estou comparando minha vida a uma mera casca de pistache. Mas o que sou eu de melhor que aquela casca?
Outrora, tive muitos sonhos que esperava realizar. Sonhei em voos altos com conquistas e vitórias. Já acreditei em minhas potencialidades, um dia... Mas hoje, raso, em planos e altiplanos desconhecidos, voo e, logo em adiante, caio.
Quantas vezes cairei? Muitas outras, sei bem. Mas quando irei me reerguer? Quando voarei voos conforme os sonhos que eu tinha? Sonhar... É o que se há para fazer, não é mesmo?
Sou em nada melhor que aquela casca de pistache que se pisa na rua, numa esquina qualquer, enquanto se caminha distraído. Meu único temor é eu ser uma casca de pistache no caminho de Deus e que ele pise em mim e me destrua de uma única vez.
Rezo todos os dias para que Ele me ouça desvie seu passo. Mas quem sou eu além de uma quase casca de pistache para pedir qualquer clemência aos caminhos de Deus?
Outrora, tive muitos sonhos que esperava realizar. Sonhei em voos altos com conquistas e vitórias. Já acreditei em minhas potencialidades, um dia... Mas hoje, raso, em planos e altiplanos desconhecidos, voo e, logo em adiante, caio.
Quantas vezes cairei? Muitas outras, sei bem. Mas quando irei me reerguer? Quando voarei voos conforme os sonhos que eu tinha? Sonhar... É o que se há para fazer, não é mesmo?
Sou em nada melhor que aquela casca de pistache que se pisa na rua, numa esquina qualquer, enquanto se caminha distraído. Meu único temor é eu ser uma casca de pistache no caminho de Deus e que ele pise em mim e me destrua de uma única vez.
Rezo todos os dias para que Ele me ouça desvie seu passo. Mas quem sou eu além de uma quase casca de pistache para pedir qualquer clemência aos caminhos de Deus?
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Nem todos tem sorte
Nem todos tem a coragem necessária.
Até o medo Deus soube distribuir bem.
Há aqueles que choram a tristeza arbitrária
Que se dá da falta de fé no amanhã que vem.
A falta de amor e a falta de motivação
São carências que fazem vidas serem destruídas.
Não amado, o homem vive embotado; vive vão.
Ninguém o repara desmotivado, ali, em ruínas.
Uns tem a sorte de olhar o dia e sorrir.
Outros tem a desventura de não enxergar alegria nisso.
Aqueles ''uns" lavam seus rostos e consegue sair
De casas, de algum modo, motivados pra isso.
Eu? O que tenho para dizer de mim?
Medos? Falta de coragem? Angústia vã?
Quem me dera ser um qualquer que não veja no fim
A única saída enquanto vaga, vazio, a cada manhã.
Até o medo Deus soube distribuir bem.
Há aqueles que choram a tristeza arbitrária
Que se dá da falta de fé no amanhã que vem.
A falta de amor e a falta de motivação
São carências que fazem vidas serem destruídas.
Não amado, o homem vive embotado; vive vão.
Ninguém o repara desmotivado, ali, em ruínas.
Uns tem a sorte de olhar o dia e sorrir.
Outros tem a desventura de não enxergar alegria nisso.
Aqueles ''uns" lavam seus rostos e consegue sair
De casas, de algum modo, motivados pra isso.
Eu? O que tenho para dizer de mim?
Medos? Falta de coragem? Angústia vã?
Quem me dera ser um qualquer que não veja no fim
A única saída enquanto vaga, vazio, a cada manhã.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Foz
Sorria.
Só ria.
Ria só.
Somente
Só!
Ria para si.
Ria de lá.
Ria de cá!
Vire-se.
Corra.
Mire.
Veja.
Mova-se.
Revolva-se.
Nó...
Nó na garganta.
Atada esperança!
Reduzido ao pó...
Só.
Somente só!
Meramente pó!
Pó da desavença.
Pó de descrença.
Pó que voa,
Poeira livre
Numa esteira que vive e corre.
Eis a vida que vai indo-se, só!
Só...
Somente só!
A poeira do adeus.
Do rio do nós...
Do fluxo que somos
Do qual nos tornamos foz.
Só ria.
Ria só.
Somente
Só!
Ria para si.
Ria de lá.
Ria de cá!
Vire-se.
Corra.
Mire.
Veja.
Mova-se.
Revolva-se.
Nó...
Nó na garganta.
Atada esperança!
Reduzido ao pó...
Só.
Somente só!
Meramente pó!
Pó da desavença.
Pó de descrença.
Pó que voa,
Poeira livre
Numa esteira que vive e corre.
Eis a vida que vai indo-se, só!
Só...
Somente só!
A poeira do adeus.
Do rio do nós...
Do fluxo que somos
Do qual nos tornamos foz.
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