É como se tudo fosse um sonho.
Quem sabe, eu diria, um pesadelo?
Às vezes, acordado, sinto algo medonho...
De assombro, caio da realidade em apelo.
De joelhos, choro aos deuses que me ajudem.
Em silêncio, observo o passar das horas.
Inquieto, sou falho. Meus medos me aturdem.
Ouço: "Que queres de mim enquanto choras?".
Uma voz na escuridão saindo de minha cabeça?
Penso que estou só, mas mesmo assim sinto
Algo dentro de mim tentando dizer: "cresça!".
Perco tempo demais na vida enquanto minto...
Finjo. Minto. Não sou como deveria ser, sei bem.
Estou longe da retidão que gostaria de exigir.
Do sonho da criança distante que fui, sou aquém.
Quanto tempo ainda me resta para, assim, existir?
Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
terça-feira, 28 de março de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
Solidão e metafísica
Eram dois que muito se olhavam.
Estavam separados, ali, na fila do pão.
O homem se aproximou dela; se beijavam.
Daí percebi que eram um casal, então.
Saíram abraçados, sorrindo da padaria.
Ele, ela; um amor de casal exposto.
E me peguei olhando. Quem não o faria?
Admirei a felicidade - mas me vi indisposto.
Como eu não tinha aquilo que via?
Quais e quantos erros eu houvera cometido?
Errei muito, sim. Era a conclusão que eu trazia.
Era eu consequência de meu erro desmedido.
Paguei pelos meus pães e sai.
Subi as escadarias do prédio e entrei.
Dei boa noite ao porteiro e subi.
Novamente, sozinho, em casa cheguei.
Os cômodos pareciam grandes demais.
Ou será que era minha pequenez falando?
Liguei a televisão para ouvir sons. Quais?
Pessoas quaisquer, avulsas, conversando.
Já criei esse hábito, quando sozinho:
Ligo a TV e deixo os sons saírem dela.
Pode ser que me falte juízo; eu em desalinho!
Mas, por vezes, sozinho, a casa parece-me uma cela.
Condenado à solidão... Comigo, quantos são?
Serei só eu o maldisposto, introspectivo, profundo?
Lembro-me de Pessoa e da metafísica, em vão.
Se ele estivesse vivo, seríamos dois, ao menos, no mundo...
Estavam separados, ali, na fila do pão.
O homem se aproximou dela; se beijavam.
Daí percebi que eram um casal, então.
Saíram abraçados, sorrindo da padaria.
Ele, ela; um amor de casal exposto.
E me peguei olhando. Quem não o faria?
Admirei a felicidade - mas me vi indisposto.
Como eu não tinha aquilo que via?
Quais e quantos erros eu houvera cometido?
Errei muito, sim. Era a conclusão que eu trazia.
Era eu consequência de meu erro desmedido.
Paguei pelos meus pães e sai.
Subi as escadarias do prédio e entrei.
Dei boa noite ao porteiro e subi.
Novamente, sozinho, em casa cheguei.
Os cômodos pareciam grandes demais.
Ou será que era minha pequenez falando?
Liguei a televisão para ouvir sons. Quais?
Pessoas quaisquer, avulsas, conversando.
Já criei esse hábito, quando sozinho:
Ligo a TV e deixo os sons saírem dela.
Pode ser que me falte juízo; eu em desalinho!
Mas, por vezes, sozinho, a casa parece-me uma cela.
Condenado à solidão... Comigo, quantos são?
Serei só eu o maldisposto, introspectivo, profundo?
Lembro-me de Pessoa e da metafísica, em vão.
Se ele estivesse vivo, seríamos dois, ao menos, no mundo...
Vá!
Você precisa acordar. É tarde.
As pessoas já se movem nas ruas.
No céu, o sol já se elevou e arde;
as paisagens recebem-no, nuas.
Acorde! Não se deite novamente!
Veja a luz que aparece pela janela...
Vença o desânimo. Use a mente!
Isso aqui é seu quarto, não uma cela.
Sei bem que não está sendo fácil, amigo.
Mas sem força para erguer-se, quem o fará?
A cama, o sono, são parte do dia, não abrigo!
Saia, corra, ande, vista-se e vá!
De nada vão adiantar mais dez minutos...
De nada vão te valer mais horas na cama.
Os sofrimentos da vida nos soam injustos,
mas viver é imperativo. Vá! A vida te chama!
As pessoas já se movem nas ruas.
No céu, o sol já se elevou e arde;
as paisagens recebem-no, nuas.
Acorde! Não se deite novamente!
Veja a luz que aparece pela janela...
Vença o desânimo. Use a mente!
Isso aqui é seu quarto, não uma cela.
Sei bem que não está sendo fácil, amigo.
Mas sem força para erguer-se, quem o fará?
A cama, o sono, são parte do dia, não abrigo!
Saia, corra, ande, vista-se e vá!
De nada vão adiantar mais dez minutos...
De nada vão te valer mais horas na cama.
Os sofrimentos da vida nos soam injustos,
mas viver é imperativo. Vá! A vida te chama!
Nós, os outros e a escuridão
A luz às vezes nos falta. Uns olham-na e cegam-se. Outros tentam olhar, mas não a encontram. São tempos difíceis! Talvez no passado tenham repetido isso também. Talvez não estejamos pior do que estiveram os outros, antes...
Nossos ancestrais podem nos achar confortáveis. Mas nossos tempos têm trazido medos, inseguranças. Somo tomados a cada esquina por assombros, a cada clique nas redes de mídia, uma novidade nos deprime. Para onde estamos indo?
Como iremos frear todo esse aparato de tristezas que montam em nossas casas todos os dias? Como venceremos as incertezas? Como romperemos as amarras que nos prendem aos interesses escusos que nos retiram a luz de dias melhores sonhados?
Suspiros... Suspiros... Algumas lágrimas e pronto. Estamos preparados para mais um dia em que todos irão contra nós, mas tentaremos ser fortes, robustos e alcançar sucesso ao não sucumbir ao desespero iminente.
Em tempos de escuridão, qualquer sinal de luz é um afago! Precisamos iluminar com sorrisos, com afagos, afeto, com apertos de mão sinceros o passar das horas. Sem afetividade, sem confiança no bem, no outro, estaremos fadados à tristeza da solidão em meio a uma escuridão contra a qual não temos nada a fazer.
domingo, 19 de março de 2017
Esquecimento
Não olho para mim
e vejo-me como coitado.
Apenas olho para minha vida e, sim,
percebo que a vivi errado.
Tantas falhas cometi
que nem sei como as enumerar.
Fugi, fracassei, menti...
Não haveria outro destino a esperar.
Não se completa a corrida da vida
correndo de si mesmo.
É necessário extrair do eu uma saída,
senão o correr da vida dá-se à esmo.
Com os próprios erros, se confrontar.
Eis aí um grande, mas tardio, ensinamento!
Não que seja fácil o exercer ou o aceitar...
Sem confronto, aprendizado é esquecimento.
e vejo-me como coitado.
Apenas olho para minha vida e, sim,
percebo que a vivi errado.
Tantas falhas cometi
que nem sei como as enumerar.
Fugi, fracassei, menti...
Não haveria outro destino a esperar.
Não se completa a corrida da vida
correndo de si mesmo.
É necessário extrair do eu uma saída,
senão o correr da vida dá-se à esmo.
Com os próprios erros, se confrontar.
Eis aí um grande, mas tardio, ensinamento!
Não que seja fácil o exercer ou o aceitar...
Sem confronto, aprendizado é esquecimento.
A criança
A criança tentava dar passos na praça...
Os pais, orgulhosos, a olhavam admirados.
Vez ou outra, ela tropeçava. Uma graça.
Os pais se riam e se olhavam, apaixonados.
Naquele momento da tarde, o sol já batia de lado.
O chão ia se esfriando com as horas passando...
O casal seguia vendo a filha, abraçado.
E a criança? Vivia plena sua infância, brincando.
O pipoqueiro vendeu um pacote aos pais.
Pegaram-se comendo e rindo, sentados no chão.
A criança, pequena, de mãos sujas demais,
nem quis saber de pipocas, não.
Pequenina, cambaleando, mas andando em frente,
a criança dava sinais de sua total felicidade.
E os pais? O que faziam de diferente?
Deixavam a vida passar - felizes, é verdade!
Os pais, orgulhosos, a olhavam admirados.
Vez ou outra, ela tropeçava. Uma graça.
Os pais se riam e se olhavam, apaixonados.
Naquele momento da tarde, o sol já batia de lado.
O chão ia se esfriando com as horas passando...
O casal seguia vendo a filha, abraçado.
E a criança? Vivia plena sua infância, brincando.
O pipoqueiro vendeu um pacote aos pais.
Pegaram-se comendo e rindo, sentados no chão.
A criança, pequena, de mãos sujas demais,
nem quis saber de pipocas, não.
Pequenina, cambaleando, mas andando em frente,
a criança dava sinais de sua total felicidade.
E os pais? O que faziam de diferente?
Deixavam a vida passar - felizes, é verdade!
sexta-feira, 17 de março de 2017
No leito
Os cães ladram enquanto durmo.
Nas ruas, passos são dados e nem sei...
Enquanto todos vivem, eu, num absurdo,
Permaneço deitado sem saber se levantarei.
A cama toma conta de mim
Enquanto todos lá fora seguem suas vidas.
É estranho olhar e me ver assim,
Mas, entregue ao leito, não encontro saídas.
Nas ruas, passos são dados e nem sei...
Enquanto todos vivem, eu, num absurdo,
Permaneço deitado sem saber se levantarei.
A cama toma conta de mim
Enquanto todos lá fora seguem suas vidas.
É estranho olhar e me ver assim,
Mas, entregue ao leito, não encontro saídas.
Desde então
Nasci como um velho.
Desde novo, cheio de dores.
Sim, e cheio de lágrimas.
Arrependimentos de coisas que nem sei...
Um aperto no peito... Uma angina?
Não sei bem definir a fisiologia.
Sei bem apenas sentir os fatos, os acontecimentos.
De dores em dores, como num parto,
Nasço e renasço a cada dia com novos sonhos,
Mas hoje com menos esperanças que outrora tive.
No peito, bate um coração calejado por enganos.
A mente não perdoa as falhas que cometi.
Os pesadelos não me dão trégua.
Fico sem fôlego às vezes e me calo.
Suspiro profundamente.
Ergo-me da cadeira.
Olho pela altura da janela, o vão aberto...
Respiro um ar novo e sei-me como antes.
Choro mais lágrimas sabendo-me estanque.
Vejo fotos na parede, na memória.
Fico cego de saudades por um instante
E o mundo se acaba para mim em sentido desde então.
O amor perdeu-se.
A saudade ficou.
A dor deixou cicatriz.
A cicatriz sou todo eu.
Desde novo, cheio de dores.
Sim, e cheio de lágrimas.
Arrependimentos de coisas que nem sei...
Um aperto no peito... Uma angina?
Não sei bem definir a fisiologia.
Sei bem apenas sentir os fatos, os acontecimentos.
De dores em dores, como num parto,
Nasço e renasço a cada dia com novos sonhos,
Mas hoje com menos esperanças que outrora tive.
No peito, bate um coração calejado por enganos.
A mente não perdoa as falhas que cometi.
Os pesadelos não me dão trégua.
Fico sem fôlego às vezes e me calo.
Suspiro profundamente.
Ergo-me da cadeira.
Olho pela altura da janela, o vão aberto...
Respiro um ar novo e sei-me como antes.
Choro mais lágrimas sabendo-me estanque.
Vejo fotos na parede, na memória.
Fico cego de saudades por um instante
E o mundo se acaba para mim em sentido desde então.
O amor perdeu-se.
A saudade ficou.
A dor deixou cicatriz.
A cicatriz sou todo eu.
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