Sou terrivelmente teimoso.
Mas isso tem me ajudado.
Para dar, à tristeza, desgosto,
Vivo sorrindo, alegre, encantado.
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Não é que a vida queira lágrimas da gente.
Mas a tristeza aparece em todo momento.
Aprendi: basta ser teimoso e viver sorridente
Seguindo a vida, do choro, isento!
Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
domingo, 19 de julho de 2020
sexta-feira, 17 de julho de 2020
Carpe diem
Carpe diem. Frase mal interpretada! Alerta de "spoiler" - não se diz assim hoje?
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Aproveite o dia como se ele fosse o último, pois chegará a hora em que isso será uma realidade. Somos, embora isso mereça um texto à parte, de fato, "cadáveres adiados" - tal qual escreveu Fernando Pessoa. Em outras palavras: vamos todos morrer! Mas isso não pode, sob qualquer hipótese, apequenar a importância singular, ímpar de cada vivente.
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Prosseguindo... Ora, aproveitar o dia nos remete à ideia de prazer. Do gozo. E, dessas ideias, alguns entenderão que não deverá (ou não precisará) existir prudência. Espere um pouco, não é isso! Aproveitar pode retomar uma ideia de tirar vantagem, mas não é a questão. Talvez entenderíamos melhor a mensagem da frase latina, sob nossa cultura, se lêssemos: "desfrute o dia". Desfrutar é aproveitar, sim. É usufruir. Tentarei explicar a diferença e postulo uma releitura abaixo:
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É como desfrutar de um café, usufruindo de todo o momento e de todas as possibilidade que ele proporciona. Você está ali degustando, sentindo, esperando cada mililitro dele ser deglutido e aproveitado, de fato. Melhor ainda se houver pessoas para compartilhar daquele hábito... Porém, retomando, sabe que é um instante, um momento da vida, do dia e que as atividades que farão suas horas seguirem seus rumos estão logo adiante e seguem a despeito dele - o seu café! Mas, entendam: em nada isso deveria servir para retirar a graça que é poder usufruir de um café.
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Isso não quer dizer que café não proporcione um gozo, um prazer. Amo café, por exemplo... Há outros/as tantos/as como eu. Mas cito como exemplo apenas. Acho um dos melhores rituais que, como mineiro, aprendi a desfrutar dele. Sentir o cheiro, esperar o pó ser lavado com a água que esperamos alguns minutos para ficar quente o suficiente. Assistir ela passando por entre os poros do coador de pano - de preferência... Excelente! Mas, repito: sei que as atividades do dia estão logo ali. Logo à frente. O momento presente (meu café e tudo o que dele eu possa usufruir!) está diante de mim. O restante (as horas vindouras, as atividades por serem feitas) estará mais além. Mas não agora!
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Desfrutemos do que está aqui, diante de nós! O que virá, virá inevitavelmente - ou quase isso. Pronto! Entendem? Sabem a ideia do: "Entrego. Aceito. Confio. Agradeço". Penso que se aplica ao carpe diem em sua essência. Não sejamos desleixados quanto ao futuro. Não vivamos entregues e absortos na ideia de buscar prazeres permanentes. Não! É imprudente viver entorpecido num ideal de que somente haverá momentos alegres ou que a felicidade estará em cada instante, virginal, presente de maneira eterna. Mais uma vez: não!
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E também não sejamos idiotas vivendo no passado e estanques diante do presente esperando que alguém faça alguma coisa por nós e pelo mundo. Muito cuidado! Mario Sérgio Cortella fala brilhantemente que "passado é referência, não direção". É preciso estar atento aos ensinamentos quanto aos erros do passado. Aceitá-los sendo gratos pelas alegrias que se foram ou que surgiram e ainda existam. Mas e a nostalgia que há? E a retrotopia de tantos sobre a qual escreveu Zygmunt Bauman num livro publicado em momento póstumo? Basta!
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Missão: 1) desfrutar do presente - usufruir de tudo o que seja bom e ruim; 2) entender seus desafios, - entendendo que eles hão de existir sempre e que isso é o que nos engrandece; 3) aprender com lampejos de olhares para o passado - são referência e nada mais. Não há regras, todavia. Podem existir conselhos, dicas, troca de vivências. Mas quem vende regras para essa missão é charlatão!
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Cantaria Caetano Veloso: "é preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte". Isso também é carpe diem... Mas deixemos para outro texto. Retomando e concluindo: desfrutar de cada dia, cada ato, cada acontecimento - bom e ruim, repito. Ter entrega devida, aceitação despretensiosa, confiança indissolúvel - em si, em algo que sirva pelo menos em termos de esperança - e gratidão permanente. Entendo ser a essência do uso da frase carpe diem.
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E você?
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_ texto em homenagem a aprendizados que adquiri e os vejo pelo retrovisor da minha existência.
De Pedro Igor Guimarães Santos Xavier.
FRAGMENTO
Em todos os dias existem os recomeços.
Em todos os recomeços existem os aprendizados.
Por todos os lados há gente pra ser amada.
Em todas as chagas há expectativas despedaçadas...
(...) continua
Em todos os recomeços existem os aprendizados.
Por todos os lados há gente pra ser amada.
Em todas as chagas há expectativas despedaçadas...
(...) continua
domingo, 12 de julho de 2020
Jeitos de amar... Tem jeito?
Meu jeito de amar adoece (e adoeceu)... Entendo isso hoje! Sou dos que sonham, criam romantismo mesmo que haja um imenso mar de solidão a dois... Crio esperanças e expectativas já de início. Sim, sou um idiota! E, além disso, não sei lidar com as pequenas e nem muito menos com as grandes frustrações na vida - no amor não seria diferente.
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Fernando Pessoa escreveu que "o mundo é para quem nasce pra conquistar e não para quem sonha que possa conquistá-lo - ainda que tenha razão". Já disse um dia e repito: penso que esse raciocínio sirva perfeitamente ao amor.
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Há os que se encontram num par logo de início. Quem não conhece casais que lutam no amor há décadas? Tantas vezes, desde adolescentes ou desde quando eram bem jovens, adultos jovens... Há os que nunca encontraram... E há os que encontraram amor e jogaram fora. Há vários. Você também?
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Neruda escreveu: "assim te amo porque não sei amar de outra maneira". Eu repetiria essa frase eternamente... Em todas as vezes em que dediquei tempo (sonhos, esperanças, expectativas) ao amor, fiz o melhor de mim, mas não sabendo ser um, não fui um bom "dois" naquele par. Seria isso? Quando não estamos bem em plenitude de nosso ser, há uma série de empecilhos para aquela pessoa que luta por nos amar. E entendo isso de forma serena hoje.
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Não dá para julgar quem nos deixa de amar quando não estamos sendo bons para nós mesmos; quiçá o seríamos para a mulher amada? Jamais daria certo. Dessa maneira, Fernando Pessoa acertou mais uma vez sobre a necessidade de ser inteiro, ser um, antes de querer ser dois, um par. Quem não é boa companhia para si, há de resolver isso logo ou aceitar a condição de ser sozinho. Não há nada que nos dê o direito de levar o caos que somos e temos dentro de nós para a vida da mulher que amamos. Correto?
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Quem sabe haja cura? Quem sabe haja amor? Quem sabe haja futuro? Quem sabe? Quem sabe haja jeitos de amar ainda?
_ uma reflexão após refletir sobre uma série de questões, perdas e fracassos.
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Fernando Pessoa escreveu que "o mundo é para quem nasce pra conquistar e não para quem sonha que possa conquistá-lo - ainda que tenha razão". Já disse um dia e repito: penso que esse raciocínio sirva perfeitamente ao amor.
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Há os que se encontram num par logo de início. Quem não conhece casais que lutam no amor há décadas? Tantas vezes, desde adolescentes ou desde quando eram bem jovens, adultos jovens... Há os que nunca encontraram... E há os que encontraram amor e jogaram fora. Há vários. Você também?
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Neruda escreveu: "assim te amo porque não sei amar de outra maneira". Eu repetiria essa frase eternamente... Em todas as vezes em que dediquei tempo (sonhos, esperanças, expectativas) ao amor, fiz o melhor de mim, mas não sabendo ser um, não fui um bom "dois" naquele par. Seria isso? Quando não estamos bem em plenitude de nosso ser, há uma série de empecilhos para aquela pessoa que luta por nos amar. E entendo isso de forma serena hoje.
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Não dá para julgar quem nos deixa de amar quando não estamos sendo bons para nós mesmos; quiçá o seríamos para a mulher amada? Jamais daria certo. Dessa maneira, Fernando Pessoa acertou mais uma vez sobre a necessidade de ser inteiro, ser um, antes de querer ser dois, um par. Quem não é boa companhia para si, há de resolver isso logo ou aceitar a condição de ser sozinho. Não há nada que nos dê o direito de levar o caos que somos e temos dentro de nós para a vida da mulher que amamos. Correto?
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Quem sabe haja cura? Quem sabe haja amor? Quem sabe haja futuro? Quem sabe? Quem sabe haja jeitos de amar ainda?
_ uma reflexão após refletir sobre uma série de questões, perdas e fracassos.
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