segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Olhos Secos


De onde vem a chuva que me corre dos olhos? Por entre as têmporas, meu olhar se derrete em lágrimas vívidas de um presente tumultuado. Morro gotejando um sofrimento meu. Quem sofre, tem pressa. Dizem que ''a pressa é inimiga da perfeição'', mas cessar um sofrimento é perfeito, mesmo que às pressas. Quem sofre quer o retorno da harmonia. A harmonia traz consigo a paz. A paz faz do homem um ser feliz. E, feliz, o homem se vê sorrindo. Sorrindo, vê-se satisfeito. Satisfeito, olha de cabeça erguida para o horizonte, mesmo que distante, e, enfim, com o olhar de quem tem os olhos secos.

Cessado o sofrimento, continua ele a sua vida. Avante, homem, pois teu tempo não pára, apesar de interromperes a tua própria caminhada. As horas estão, apesar de ti e de teus desejos, sempre a correr. Corre também, rápido como o vento, homem! Leve como a pluma. Voe, homem, voe alto e não chores mais. Tuas lágrimas não te diminuem perante os gigantes, mas interrompem teu raciocínio, tua jornada. Concentra-te na caminhada. Avante, homem, sereno e firme, segue o rumo do horizonte, pois a vida está sempre ali, adiante...adiante.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A doença do mundo

O mundo está doente. Todo ele. Não restam dúvidas! Como isso aconteceu? O período de incubação foi longo, acometendo tal moléstia apenas nos dias de hoje, ou ela era mais uma daquelas mazelas insidiosas que já vinha infiltrando o organismo terrestre há tempos, mas não havíamos percebido? O mundo está com febre. Vejam: aquecimento global! É isso. Estão crescendo-lhe verrugas por toda parte. Vejam: construções aqui e ali, concreto e mais concreto. Prédios e mais prédios. Gente e mais gente...Minha nossa! O mundo está doente. E está ficando careca, perdendo os cabelos, alopécia. Vejam: o desmatamento! Nada mais é como antes. Estão matando o mundo. E suas entranhas? Estão sendo extirpadas, consumidas. Deteriorando a cada dia mais. Numa verdadeira gangrena, retiram-lhe materiais, necrosam sua pele. Vejam: as mineradoras e nossos ouro e minério de ferro, o petróleo...todos indo, tudo indo, indo, indo. O mundo está perdendo sua água. Está se desidratando. Vejam: a poluição dos lagos, rios, mares...Estamos contaminando o mundo, usurpando sua saúde. Somos para ele uma verdadeira sepse. Invadimos sua saúde, tomamos toda ela para nós - e esse será nosso fim!

O que estamos fazendo? O que fizeram? Nós que éramos verdadeiros comensais, que inicialmente não causávamos males à Terra com nosso parasitismo, hoje, usurpamos dela o que  lhe há de melhor. Não somos mais aquela, digamos assim, flora normal da tez do mundo. Somos vis parasitas que lhe consomem tudo, toda sua saúde. O que resta da Terra para nós?

Sim, há outros planetas em nosso sistema. A Terra também é apenas uma célula do corpo de Deus. Sim, há esperanças. Há? Não, nada de pessimismo. Realismo! Pronto. Esperança. Isso mesmo: há no futuro um retorno do equilíbrio. Vênus, Marte, Plutão...aí vamos nós um dia. Outros planetas, nos aguardem. Eles ainda são felizes e saudáveis. Lá não há, ainda, nenhum de nós, parasitas humanos - será?. Sim, o mundo está doente - ou sou eu quem está? 

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Definição


Caminhando, reflexivo e calmo,
Peito aberto e linguajar ameno,
Consegue-se bem-dizer a vida,
A passos curtos,
Em caminhar sereno.

Da vívida carne, resta o espírito
Perdido na batalha.
O corpo fica na terra,
A alma, no eterno, espalha.
Como se morre feliz
Ao perder-se lutando!
Dura batalha, vive-se na vida,
Dia após dia, a viver aguardando...

Quem morre estando vivo?
É o mesmo que chora ao ver-se em espelhos...
É o mesmo que vive sendo um cativo...
É aquele, choroso, de olhos vermelhos.

É aquele que ama nada além de si mesmo.
Faz de si, o próprio e único esteio,
Como quem insiste em caminhada vã, a esmo.

É pena gozar da paz
Sem estar com os que amamos.
Quem ama guarda amor e aguarda o tempo.
Não importe para onde vamos.


Do tempo, nos fica o esperar.
Da espera, nos resta o zelar...
E do zelo, ficamos com o tempo
E, momento a momento,
Segue a vida a passar.

Caminhe adiante!
Caminha viajante.
Segue seu rumo que a paz está lá,
Logo ali, no começo do horizonte.


Quem sabe sobre a paz?
Seria um alvo perdido?
Ou um nada,
Algo indefinido?


A paz, não tem sentido.
É um ‘’algo’’ de ‘’alguma coisa’’...
Quem sabe sobre essa ‘’coisa’’
Que chamem: Deus, inexplicável, indefinido...

Acredito poder definir,
Como fosse algo para entender.
Aguardo um dia conseguir.
Mas falta-me muito...
E assim há de ser.
A paz não é coisa morta,
Mas encontra-se no morrer.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Deitado sobre as espáduas


Sem paz e com os medos que tenho,
Impeço-me de seguir adiante.
Cansado, franzindo o cenho,
Tento ser forte, radiante.

Vendo a vida correr, pela janela,
Percebo quanto tempo passou.
Já fui massa de aquarela,
Hoje, sem cores é o que sou.

Escalas de cinza,
É o que pareço.
Pintar-me transparente,
Creio ser o que mereço.

Não sei alegrar pessoas.
Não aprendo a ser feliz.
Sigo choroso, cabisbaixo...
Jorro lágrimas, sou um chafariz.

Que triste fim é o que tracei,
Vivo e morto, num corpo esguio.
Perdi o calor humano que eu tinha...
Passo os dias transmitindo o frio 
E mais frio...

Olho e vejo-me distante
Do que fui e do que sonhei.
Tento viver, mas erro bastante,
Pois da vida, quase nada sei.

Misturei-me em cores,
Permaneci tela em branco.
Faltam a mim mais dores,
Ou basta-me um suspiro
Sincero e franco?

Deitado sobre as espáduas,
Vejo aves no horizonte,
Num vôo ao longe e alegre,
A solidão e eu: fronte a fronte.

Oh, Deus, aqui estou eu.
Sinto que me olhas,
Mas sou um filho teu que se perdeu.

Longo caminho, 
Árdua trajetória.
Dia após dia, em meio a prantos,
Aguardo o dia da sonhada vitória.

Hei de tê-lo, 
Hei de alcançá-lo.
Sigo rogando em apelo
Aos anjos que me jogaram
Nesse mar de loucos, em desespero.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Inacabado

Sinto-me uma porta
Que por dentro se fecha,
Sem passagem, nem rota,
Fechado, sem brecha.

As lacunas perfazem-me em breu.
O céu parece-me distante.
Luto por seguir adiante.
O que em mim sucedeu?

Perdi-me em pedaços caídos.
Ficaram todos para trás.
Os momentos que foram vividos...
As alegrias dos tempos de paz...

Fechado, dentro de mim,
Eu aqui, e o mundo a correr,
Caminho rumo ao fim,
Tão triste como o morrer.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nós e os nós...


Será que é amor
O que tens para mim?
Temo não ser assim.
Temo causar-me dor.

De temores e dores,
Choro por nós dois.
Deixo tudo pra depois...
É a vida perdendo as cores.

O tempo vem dando a mim,
Em lampejos, ensinamentos.
Devagar, em cautelosos movimentos,
Carrego-me pela vida, estrada sem fim...

Amor, é o que tens para nós?
Sente-se feliz comigo?
Desataremos esses nós?
Acalme-se, coração amigo...


Trago-te beijos, meu amor.
Pegue-os, são todos teus.
Traga-me tua alegria, teu calor...
O que é frio e triste, deixe para Deus.


Levo-te em mim.
Das lágrimas e felicidade?
Do choro, não tenho saudade.
Seremos felizes enfim?

Trago comigo a lembrança
De todos os dias contigo.
Deus, traga-nos a esperança
De reencontrarmos no amor o abrigo.

Um beijo, um abraço...
São todos para ti, amor.
Perdoe as tormentas que faço.
Superemos juntos essa dor.

Pare de doer, dor doída
Que, por dentro, corrói meu ser.
Mãos dadas, amor, pela vida,
Sigamos juntos até morrer.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


domingo, 2 de outubro de 2011

Mediterrâneo


O pasto de meu reino,
É árido como meu coração.
Em tantas lágrimas,
Perdidas no tempo,
Tornei-me em mim
Um corpo seco,
De alma vazia
A vagar em vão.
Triste, numa carruagem em fogo,
Continuo a transitar
Sem momentos de logro
Pela tortuosa estrada da vida,
Aguardando um pasto verdejante
Onde, deitado,
Ao sopro de um levante,
Eu possa ser notado
Em meio ao vazio,
Na paisagem distante,
Por um alguém...
Um qualquer.
Um transeunte...
Um iluminado errante...
Oh, presente
Que hoje me é dado,
Banhado pelo suor 
Caído ao chão, 
Desperdiçado.
Agora, aqui, 
Pego-me pensando
No tempo,
No que passou.
O que deu errado?
A criança que havia em mim
No ontem que era terra firme,
Morreu.!
O amanhã era simplesmente
Algo ''a ser conquistado''...
Mas chegou-se, e qual é o resultado?
Às conclusões sobre o tempo,
Que dia após dia esvaneceu,
Qual fim, enfim, foi dado?
Quisera eu ter um dia alcançado
O sucesso da pena ao vento:
Carregada sem esforços,
Sem sofrimento, que voa e voa,
Sem medos, sem destino traçado.
Perseguindo ideais 
Que nos dias de hoje
Perfazem mentes utópicas
De loucos acabrunhados,
Perdi-me entre meus sonhos
No duelo dos tempos:
Futuro e passado...
Contemporâneo,
Qual uma esfinge faraônica,
Sigo perdido e sem verdades...
Mediterrâneo? Dividido em mim,
Entre o amanhã e o ontem,
Diante das realidades
Com as quais me deparo.
No sem fim da vida,
Como sendo extinto e raro,
Sigo tal qual pedra caindo.
Refletindo e sem faro:
Será que um dia, qualquer que seja,
Encontrarei um anteparo
Com o qual, em choque,
Desfaça-me de imediato
Sem deixar pistas do local que fui
Após tanto ter sonhado
Enquanto vivo e acordado?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


sábado, 1 de outubro de 2011

A Luta de Classes

A luta de classes é um eterno dilema. Pessoas ainda acreditam que em nosso mundo moderno busca-se a igualdade para as pessoas, ou que através do capitalismo os cidadãos tornar-se-ão ricos igualmente, felizes igualmente etc (igualmente!). Não! Não chegaremos a esse destino ''hipocritamente'' idealizado, jamais... Vivemos em um mundo onde todos buscam a riqueza, pois querem comprar coisas, adquirir coisas, sendo felizes assim como coisas que também o são - pois se vendem ideologicamente como se fossem um produto na estante do mundo atual. Porém, surgem as crises financeiras internacionais, as doenças em epidemias, a falta de empregos e oportunidades de trabalho. Nesse momento, todos se deparam com a triste realidade da falácia capitalista e se perguntam, desamparados: ''quem vela por nós nesse mundo?''. Ora, se uma empresa importante no mercado internacional decreta falência, todo o resto do planeta - mesmo não tendo nada a ver com isso - sai perdendo. Isso está certo? As bolsas caem, todos empobrecidos, caem com elas. Se algum país ''desenvolvido'' decreta crises financeira ou política internas, atrapalha-se toda a riqueza mundial? Ora, que rumos estamos tomando? Há anos perdemos o caminho planejado inicialmente, caminho esse deixado metaforicamente (ou não) por moedas perdidas, caídas no chão, por pensadores capitalistas de outrora que pensavam além de seus tempos... Visavam o bem social, não do capital... Hoje, não mais se debate o capitalismo, pois isso soa como démodé. E há muitos interesses por detrás disso...

Dizer-se socialista, pensar de maneira socialista, soa como pejorativo. Socialista é um cara sujo, pobre, feio, que não sabe de nada e que vive falando bobagens? Essa é a imagem que pintam nas redes de informação capitalista de hoje (e de sempre). Não se pode pensar em caráter social mais?! Não se pode pensar de maneira socialista?! Menos ainda de modo comunista... Não creio que exista ainda um método, digamos assim, político-financeiro perfeito, já traçado e pronto para nós. Mas creio que esse modelo ou método, se um dia for alcançado, será bem mais parecido com o socialismo que com o nosso habitual e corriqueiro capitalismo comodista e pouco reflexivo dos dias de hoje.

Perguntem aos ricos se eles são felizes. Claro, eles o são! Perguntem o que acham do socialismo. Claro, eles abominam. Mas voltem essas perguntas aos mais pobres. Teremos um conflito de idéias - uma luta de classes, mesmo que ideológica. As verdadeiras (e importantes) decisões que traçam os rumos de nosso mundo são feitas por ricos, uma minoria ''eleita'', em tese, mentes ''pensantes'' e, mesmo não sendo pré-requisito, favorecidas financeiramente que, por conseguinte, pensam também, digamos assim, financeiramente. Entre gastarmos trilhões salvando bancos e acabar com as crises humanitárias (de fome, miséria, epidemias etc) em regiões pobres desse vasto mundo, preferem salvar bancos e empresas, omitindo as verdadeiras crises que nosso planeta vive. Entre lutar pela solução das crises humanitárias ou simplesmente demonstrar comoção nas grandes redes de TV e mídia no geral, preferem optar pela segunda opção...Comover-se em público vale mais hoje em dia que agir no anonimato. Um vagabundo ''comovido'' vale mais hoje que um ativista decepcionado com a realidade do mundo, mas que doa sua vida por seus ideais humanitários. 

Quem mais ''vale'' às grandes redes de TV e mídia hoje em dia: um famoso médico cirurgião plástico de celebridades ou um médico da atenção básica (ou, semelhante a esse último, um médico sem fronteiras)? Vivemos em um mundo ''umbigocêntrico'' - perdão pelo neologismo bobo. Mas somos assim criados: ''corra, o mundo é teu...teu...TEU!''. Isso ecoa em nosso âmago voltado ao capitalismo... Por isso, ''compramos o mundo'' ou achamos que isso é possível desde criança. Trabalhamos para enriquecer, não para melhorarmos nossa sociedade com nosso suor. Lutamos pelos nossos bens, não mais pelos nossos ideais ou pelo bem propriamente dito, acima de qualquer coisa.

O mundo ainda não está perdido, mas estão lutando por isso deixando nossas crianças cada dia mais e mais fúteis - tal qual conseguiram para os nossos jovens de hoje. Uma juventude torpe, embriagada no álcool que molha suas gargantas nas noites sem fim em festas fúteis. Jovens não conversam mais sobre política, pois estão preocupados demais com os ''hits'' eletrônicos do momento, ou algo assim. Triste enredo de nossa história atual... Mas esse texto é apenas uma opinião, um desabafo. Porém, ainda assim torço: tomara que eu esteja completamente errado.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier