sábado, 31 de maio de 2014

Autoconhecimento


Queiramos ou não, o sol também sofre abandonando as terras para a escuridão da noite. Porém, há que se dispersar a luz que há em nós para onde nos seja possível e dela precisem. Ao abandonar terras, o sol permite que as estrelas brilhem e a lua reluza com o aproveitamento da luz que ele distribuiu pelo universo... Sim, onde alguém passa deixando luz, outras luzes se acendem. Cabe todos entenderem que o objetivo da existência é fazer brilhar o que nos há de melhor, enquanto humanos, na trajetória humana. É a questão que resume-se na frase de Che: ''o conhecimento nos torna responsáveis''. Porém, não nos enganemos: com o autoconhecimento também aplica-se tal verdade.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

De olhos secos

De onde vem a chuva que me corre dos olhos? Por entre as têmporas, meus olhos derretem em lágrimas vívidas de um presente tumultuado. Morro gotejando um sofrimento meu? Quem sofre tem pressa... A pressa é inimiga da perfeição. Ora...? Mas cessar um sofrimento em pressa é perfeito. Todos apressam-se diante disso! Deve assim ser.

Quem sofre quer o retorno da harmonia. A harmonia traz consigo a paz benfazeja. A paz, por sua vez, faz o homem feliz e, feliz sendo, o homem sorri novos sorrisos! Sorrindo, ao seu modo, o homem vê-se satisfeito. Satisfeito, olha para o horizonte de cabeça erguida e não mais se assusta. Cessado o sofrimento, continua a vida em paz, feliz, satisfeito... E, enfim, de olhos secos!

Avante homem, pois teu tempo não pára, apenas interrompes a caminhada por tuas fraquezas. As horas estão sempre a correr. Corre também, homem, rápido como o vento e leve como pluma! Voe, homem! Voe alto e não chores mais. Tuas lágrimas não te diminuem, mas interrompem teu olhar e teu raciocínio diante das belezas que te passam diante dos olhos por ora úmidos. Concentra-te na caminhada! Avante, homem! Avante!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 3 de maio de 2014

Mero e vago devaneio

Por trás das cobertas que são o corpo, a pele que me aquece, trago um esqueleto sedento de vida. Trago em mim muitos sonhos, muitos objetivos, muitas metas, mas, já hoje, sem mais a tamanha vontade de seguir que há anos era minha... tão minha. Será que o esqueleto frio venceu o calor do corpo? Tornei-me um humano que não mais se aquece?

Por vezes, percebemos: tamanhos são nossos erros que tropeçamos ainda mais a partir dessa constatação. Tanto ficamos vidrados em olhar para trás tentando entender erros que cometemos que acabamos por deixar de olhar para frente com a devida atenção. Logo, quem não está vendo por onde anda acaba tropeçando e, por vezes, cai. Caio eu, cai você. Caímos todos quantos de nós insistam em andar sem a devida atenção direcionada aos passos do presente. Pés que caminham sem o norteamento dos olhos atentos raspam ou trombam em obstáculos. São esses algo como freios que nos aparecem. Não deixemos nossos pés caminharem sozinhos. Eles precisam da atenção de nossos olhos...

Nosso olhar tão assustado e perdido por tantas razões de assim o ser... Como deveria terem sido melhor aproveitados nossos olhares enquanto crianças que éramos até pouco tempo atrás. Ah, crianças... Não caminhem como nós! Não ouçam nossos conselhos. Não sabemos de nada! 

Crianças, seus pés são pequenos, seus passos curtos, mas com os olhos puros e cheios de paixão que trazem caminharão sempre mais e chegarão sempre distante, além de nós. Não deem ouvidos ao que os adultos lhes falem. Eles não sabem de nada, crianças... Caminhem com seus próprios olhos, com seus passos em seus pequenos pés... Grandes serão, dessa forma, suas caminhadas.

Olhos nos pés, não no chão... Sim! Adultos, prezam demais por proteger o caminhar. De fato não prezam por proteger os obstáculos, em si, das possíveis agressões ao trombarem seus pés neles. Prezam por não machucar os pés, acima de tudo! É sutil, mas há uma real diferença. Não podemos errar na interpretação, pois quem mais olha o chão que o seu próprio caminhar não aprende a caminhar, de fato. Espero que entendam tais argumentos tolos. Medos dos traumas - o fato em si e/ou a consequência deles. Traumas são boas e amplas metáforas.

Quem mais olha o chão que qualquer coisa apenas passa a ver tudo quanto passe como um obstáculo. Não vive os passos, não sente os passos, não emociona-se com o caminhar. Apenas desvia-se quando ache devido. Não sejamos apenas daqueles que vivem a esquivar-se. Que sejamos dos que sabem andar, que gostam de andar, que observam esse andar e sabem aproveitar isso. Deus não dotou-nos de asas, mas que voemos baixo com nossos pés conforme seja possível. Não sejamos medrosos nos passos. Caminhemos!

Há muito o que se aprender com as crianças, e aprendendo com elas aprenderemos a dar passos corretos na caminhada da vida. Quem muito se preocupa com os obstáculos não vive com paixão a caminhada, o prazer do caminhar... Sejamos mais puros dos olhos! Olhemos mais profundamente as coisas sem travas, sem medos. Conheçamos o mundo tal qual as crianças: a fundo. Não nos bastem a primeira impressão ou nossos medos do que de fato sejam as coisas reais pela estrada. Saibamos nos aventurar! Só assim, em não tendo medos de subir em árvores para pegar a mais alta das frutas, saberemos contornar obstáculos ganhando experiências com todos eles - nesse caso, uma doce experiência como tantas outras que poderíamos ter. Sim, a fruta foi uma metáfora pobre... Confesso! 

Quem sobe, pode cair, quem caminha pode tropeçar. Quem não anda ou anda devagar corre menos esse risco, mas que vida leva? Qual vida lhe ocorre? Saibamos subir nos obstáculos da vida e pegar frutas, colher frutos. Assim, seremos adultos mais felizes e nossa criança interior estará menos distante de nós em tempo e em espaço.

Sim, é um mero e vago devaneio...                                                 Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Inquietação

Rostos ao longe ou por perto.
Tanto faz! Todos tão distantes...
Rostos tensos, de semblante incerto,
Franzindo o cenho, sorrindo aos montes...

Vidas inquietas por detrás da face...
Quem as vê? Por quê a trazem assim?
Em cada rosto jaz um templo, um disfarce...
Vejo em todos um pedaço disperso de mim!

Quem sou eu na imensidão de rostos?
Quem sou eu na face em que me escondo?
Ruídos constantes da cabeça à alma impostos,
E cada pergunta perfaz-se como um surpreso estrondo.

Louco? Menino? Adulto? Humano!
Há um pouco de mim em cada conceito.
Na busca por respostas, encontrei meu engano,
Pois das perguntas é que transponho-me, refeito!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Existindo

Olho pela janela e me perco.
Há altura demais para além de mim.
Olho-me em minha alma, fiz um cerco
De amarguras e, reticente, procuro um fim.

Onde está a paz que mereço?
Dela sou digno? Não sou tão bom assim?
A cada lágrima que cai, feneço!
Nada encontro no mundo de paz pra mim.

Do amor, encontrei fel tão triste...
Sobra um amargor que me obscurece.
Trago na alma gritos inquietos, punho em riste,
Mas transpareço calma e o amor de mim esquece.

Oh, lágrima que cai na sangrante ferida,
Como um ríspido golpe salga meu sangue exposto.
Sou de mim um corpo em despedida 
À espera de um fim que a mim seja posto!

Janela ao chão. Tão triste seria impor-me tal fim...
Joguei então de lá meu coração que hoje é findo!
Antes, batendo, ele dava vida para mim.
Hoje resta apenas o corpo sem coração, existindo!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Do amor


O amor, sim, é fato, custa a desenvolver-se, amadurecer, aprimorar-se enquanto sentimento até tornar-se realidade. Atinge, com sorte, seu ápice! Porém, é sabido, certas vezes surgem desavenças e, por vezes (ou na maioria das vezes!): a decepção precipita-se! Esta última rapidamente tritura todos os pavimentos e alicerces de todo um cenário bem construído até ali por aquele sentimento: o amor. Daí, permanecemos como que anestesiados para as sensações que o amor nos traria ainda... Isso dói! Melhor dizendo, isso é pior que a dor de fato existente, surgida daquela decepção, pois a dor em si, mesmo que desagradável seja, é uma sensação. Não mais sentir é péssimo! 

Anestesiar-se para as sensações do amor que nos avizinha é ruim, um ultraje, uma falta de sorte... A decepção, por sua vez, extrai de dentro de nós as melhores das sensações: a de ser amado e a de amar! Consequências daquela anestesia inicial (e permanente, às vezes!)...

Abaixo as decepções, as falhas, as farsas, os equívocos, os ditos e não ditos de forma incorreta. Abaixo as mágoas. Sim! Por um mundo com mais amor. Abaixo as decepções! Amemos! Ou, talvez mais produtivo seja: saibamos amar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier