segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre o pensar

      

Às vezes, penso que pensar é ruim! Observar as coisas também! Através disso, percebemos que há pessoas que tentam nos prejudicar. Ou percebemos que estão falando mal da gente pelas costas. Ainda também percebemos más intenções nas atitudes veladas dos outros. Pensar é ruim, entendo! Observar também. 

Ora tornamo-nos mais retraídos com medo do que os outros pensarão de nós. Ora recuamos por esse mesmo medo. Ora pensamos que somos mais espertos que deveríamos ser – e aí nos decepcionamos conosco próprios. Somos falíveis, é notório! Afinal, somos humanos. Homo sapiens? Disseram que sim! Mas, pensar é, de fato, ruim? 

Ora percebemos que fomos aquém do que poderíamos ser. Ora percebemos que erramos de novo... Ora percebemos que mais esperamos durante a vida que as coisas acontecessem do que nos mobilizamos para essas coisas de fato acontecerem. Ora percebemos que somos um fracasso. Pensar, pasmem, é sempre, portanto, ruim! 

Ora percebemos que falamos besteiras. Ora percebemos que não há mais formas de voltarmos no tempo para corrigir as falhas reveladas com o passar das horas, dias, anos... Ora olhamos para trás e pensamos: "Eu fiz aquilo?". Vem por vezes então, nem horas como essa, uma pitada de arrependimentos... Ora percebemos que sempre somos criticados por uns e outros. Ora percebemos que poucos nos apoiaram em acertos que conseguimos ao suor de nossas faces, mas são muitos os que alguns outros "cutucam" as feridas alheias, sabe-se lá por qual interesse hostil que haja. 

Sim, erramos! Sim, pensamos! De pensar, talvez falharemos outras vezes! De tanto pensar e observar as coisas, falta-nos paz de espírito em alguns momentos. Daí, pensar é nunca estar sozinho, entendo. Pensar é ruim! Pensar é um erro? Pensar não deveria ser dessa forma. Os dias nascem belos sem que o sol precise de um cérebro. A noite cai majestosa sem nunca ter pensado nisso ou dado intenções ao fato. As flores são elogiadas por todos por seus cheiros e cores, sem nunca terem tido sequer um lampejo de pensamento. Pensar é ruim! Mas será que o erro está no pensar ou no que fazemos dessa nossa capacidade? Serão os pensamentos mártires ou algozes de nossos avanços d’alma? 

Sim, pensamos. Pois, já disseram em algum lugar: "não são as respostas que movem o mundo, mas sim as perguntas". Pensando criamos essas perguntas! Problematizamos - diriam alguns. Isso é avançar, mesmo que aos poucos. Percebendo-nos fracos em progressos, mas ávidos por mudanças, temos aí o primeiro passo para o sucesso que poderá vir adiante. Pensemos nisso. Pensemos juntos. Pensemos sempre!

Pedro  Igor Guimarães Santos Xavier

A relação médico-(mídia)-paciente

Houve uma época em que médicos e pacientes viviam em completa harmonia. Médicos eram bem quistos pela sociedade, que os retribuíam com convites para festas de aniversário, para o lanche da tarde junta às famílias de seus pacientes, recebiam gratificações como galinhas, frutas, grãos de certas colheitas numa forma de pagamento que mais tinham de manifestação de afetividade que de outros interesses. Eles, os médicos, nada exigiam dos pacientes além da oportunidade de exercerem a medicina plena. Nada exigiam, os pacientes e familiares, dos médicos além da atenção despendida e do esforço para a cura das doenças que mitigavam a saúde daqueles enfermos. Essa época deve ter sido boa! Hoje sobram, segundo os otimistas, algumas dessas manifestações em áreas longínquas pelo interior de nosso país, talvez. Alguns médicos, segundo esses, ainda trabalhariam apenas pela oportunidade de servirem à medicina. Alguns pacientes ainda não esperariam nada além do esforço e atenção do ‘’doutor’’. Mas, com o advento da comunicação em mídia impressa, televisiva, ou outras quaisquer, essa história foi se perdendo. Interesses escusos passaram a se misturarem aos caminhos da relação médico-paciente. Médicos e pacientes se digladiam nos canais de televisão, uns acusando os outros, uns querendo mais e mais do outro, numa relação doentia de mercado, em quem todos querem ganhar algo em troca, que nunca deveria fazer parte do trabalho médico, mas infelizmente passou a fazer e a estigmatizá-lo.
Hoje, muitos têm medo dos médicos, outros têm raiva, outros inveja, poucos persistem na admiração e respeito – embora algumas pesquisas apontem para o contrário, mas ainda teimo em ser descrente quanto a isso. Muitos médicos não conseguem se dedicar adequadamente à medicina e, por conseguinte, aos seus pacientes – dizem uns ser devido à falta de tempo, excesso de pacientes, pelo sistema de saúde em pura calamidade. O que é fato, hajam pesquisas ou não sobre isso, médicos e pacientes se distanciaram e se distanciam cada vez mais. Não se ouve mais – ou ouve-se muito pouco - sobre médicos que visitam seus pacientes, que aceitam doações repletas de afeto (frutas, galinhas, presentes quaisquer) na forma de pagamento ao invés de dinheiro ou algo que o represente. O que nos distanciou de nossos pacientes? Algo há entre nós! Esse ‘’algo’’, creio eu, é explícito e faz parte de nosso cotidiano: a mídia. Somos, como médicos, alvos de repórteres inescrupulosos e sensacionalistas que querem apenas ver suas reportagens no ar - ‘’doa a quem doer’’, diria o jargão popular. A busca pelo ibope da mídia passou a andar na contramão da relação médico-paciente. Médicos são acusados de errar, como se errar fosse algo inconcebível, até mesmo desumano.
Reportagens em todos os horários, em todos os jornais, tentam denegrir a profissão médica. Tornam os médicos verdadeiros culpados perante a sociedade. Fazem nosso povo ver em nossa profissão um amontoado de homens e mulheres cheias de dinheiro e que querem apenas mais e mais dinheiro pelo atendimento aos enfermos. Daí, os antigos ‘’advogados de porta de cadeia’’ mudaram de endereço, habitando hoje nas portas dos hospitais à espreita, aguardando uma oportunidade de convencer um paciente de que a morte de algum ente querido tenha ocorrido por erro daquele que recebeu dinheiro para salvar o enfermo, merecendo, assim, ser processado e humilhado diante dos jornais. Não se importam em saber os motivos que levaram ao possível erro, o que estava por trás do óbito ou da seqüela de um paciente. Apenas é vista a oportunidade de culpa para o médico. Volta-se à idéia de que médicos não erram ou que não podem errar. Por vezes, penso: aonde iremos parar? Nossos pacientes se afastam de nós e passamos a aceitar de braços cruzados os noticiários da mídia que nos estigmatizam. Nada se fala dos médicos que estudam por seis anos, fazem em média mais 2 ou 3 anos de residência, totalizando um total de quase 10 anos de estudos para à dedicação mais competente aos seus pacientes. Não são lembrados os médicos que trabalham em plantões durante as madrugadas, que atendem de forma gratuita em instituições de caridade, ou que se dedicam a movimentos humanitários como os Médicos Sem Fronteira, por exemplo, para não citar outros. Nada falam dos médicos que ainda aceitam aqueles ‘’presentes’’ na forma de pagamento por seus atendimentos (Opa, sim, sou um daqueles otimistas! Creio, ou melhor, tenho certeza de que esses médicos existem).
Nada se faz pelos médicos que são acusados em rede nacional e depois prova-se sua inocência. Jornalistas podem acusar os erros dos outros. Juízes podem condenar médicos por seus erros, mas não deveríamos pensar que jornalistas também erram? Que juízes também erram? Sim, existem os erros dos jornalistas, os erros dos juízes, dentre os de outras profissões, não apenas os erros médicos. Todos erramos. Juízes condenam inocentes, inocentam culpados e vigaristas. Jornalistas se sujeitam a denegrir inocentes a fim de terem reportagens polêmicas que tragam ibope aos jornais. Todos somos corroídos pelo erro, em menor ou maior grau. Mas não se erra, creio eu, de forma consciente. Mas, não posso me enganar: todos erramos. Somos humanos e sempre seremos. Sejamos médicos, pacientes, jornalistas, juízes etc. Que nossos pacientes voltem a nos olhar com bons olhos mais que às reportagens sensacionalistas. Que nós, como médicos, sejamos cada vez melhores como profissionais – para nós mesmos e principalmente para os que estão enfermos. Que o jornais passem a respeitar os profissionais médicos e, atentem-se ao fato de que também existem os ‘’acertos médicos’’ – embora, na mentalidade desses jornalistas, esses ‘’acertos’’ não consigam aumentar o ibope.
Bom, para nossa sorte, ainda existem médicos que querem simplesmente exercer a prática médica e serem úteis aos seus pacientes. E, também para nossa sorte, nossa população tem percebido que os jornais são, sim, sensacionalistas. Um dos exemplos interessantes e recentes que temos seria o programa E24, que é visto num emissora de TV de grande porte de nosso país. Nesse programa todos conseguem perceber o quão difícil é ser médico num sistema de saúde em calamidade.
Sonhar que aqueles tempos de outrora, onde havia completa harmonia entre médicos e pacientes, deve ser prática diária de todos nós acadêmicos de medicina. Queiramos ou não, somos vítimas de críticas de jornalistas e de outros profissionais, mas, se estivermos sendo alvo dos elogios de nossos pacientes, isso já nos basta! Para eles (nossos pacientes) formamos, por eles trabalhamos, como eles morreremos. E que, enfim, aprendamos a aplicar a máxima: ‘’amar ao próximo como a ti mesmo’’. Assim, médicos e pacientes serão parte de um futuro harmonioso e duradouro.


Pedro Santos Xavier

Meu lugar


À luz do dia, peguei-me sonhando acordado.
Eu estava longe de tudo o que me rodeava...
Mas perto de algo que ainda não havia notado.

Era a imensidão, o infinito, algo assim para mim.
Aquilo que eu buscava  há tempos não era mais 
Que parte do que, enfim, eu já havia encontrado.

Paz? Era ali! Amor? Sem dúvidas: também!
Estava em toda parte, bastava olhar. Como não vi?
Plenitude; perfeição. Tudo que sempre sonhei ter.

O que temos nesse lugar, não nos basta?
Sim, eu tinha ali a plena sensação do prazer! 
Isso é perfeito, já basta, sim. É aqui o meu lugar.

Eu via tudo isso ao ver-me de volta à minha casa!
Eu estava novamente como novo, no meu lar!
Refeito, meu mundo viu-se ali. Aquilo, enfim, era eu.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Ás da Paz


Sou o cão voraz que persegue a presa
E tenho por presa a minha paz!
Faço isso com toda a certeza
De que encontrarei aquilo que me apraz!

Sou pedra ao vento nessa intenção.
Não mudo meu caminho, a trajetória...
Sou ás nessa caça e não abro mão:
Faço da busca de mim minha história.

Dou de minha alma o máximo ao mundo.
Busco tudo de coração são e peito aberto...
Aberto e às migalhas, sei disso. Não sou profundo.
Sou espírito em formação, ainda incerto.

Tantas lágrimas as quais já perdi...
Mesmo assim, trago comigo a certeza
De que a viagem para a qual parti
É aquela que me trará leveza.

Tendo leve, enfim, minha alma,
Farei de mim novo homem!
Sendo novo, trarei a sonhada calma,
Extirpadas as dores que me consomem.

É  sim, minha trajetória, dotada de percalços.
Da vida e suas glórias, sabemos nós o que?
Caminhando desnudos pela vida, pés descalços,
Calejados e sangrando, aprendendo sobre o viver...

Ao fim de tudo, que haja a paz no caminho,
Pois, na vida, só busco essa paz.
Tendo a alma serena, mesmo que sozinho,
Terei esquecido esse sofrimento que em mim jaz.

Pedro Guimarães Santos Xavier

Homem Aquém



Tua galhardia não é mais 
Que tua covardia disfarçada.
Homem, pareces criança! 
Largue essa fantasia de menino e avança!
Não luta pelos objetivos que, a ti, Deus confiou?
Se dizes que não os tem, te digo: blasfemou!
E blasfêmia, talvez não saibas, é a defesa do incapaz
Que maldiz o que é verdade 
E fecha os olhos para o que não faz...
Que finge ser alguém que não é, 
Se passando por homem de bem.
Tenta parecer melhor que os outros, 
Mas, no fundo, vê-se aquém...!
Aquém do que sonhava, 
Aquém do que tenta se ver;
Aquém daquilo que se acreditava, 
Aquém do que esperava ser.

Homem-menino, de falsas atitudes.
Vive à espera de milagres 
Ou de alguém que o ajude!
Mas não pede ajuda - finge que não precisa.
Vive em sua mente confusa, incorreta, imprecisa,
A sonhar com a realidade de seu mundo...
Um mundo distante que prefere habitar.
Quem sabe um dia perceba que sua vida é aqui, não lá!
Amou? Quem sabe? Não sei. Apenas espero ver um dia 
Que esse menino cresceu, tornou-se rei...
Rei não de um reino, mas de si mesmo!
Que ele viva sendo o monarca nesse seu eterno reinado.
Que tua rainha seja tua alma e tuas ações teu legado.
Confiança em teu cajado, menino!
Assim deixarás de ser sua vítima, um malfadado! 
Por si mesmo dominado,
Seguirá sua vida sorrindo
Para enfim sentir-se amado.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Verão

Lá fora está frio, mas confio em que o verão irá chegar! O tempo está mudando, mas continua a passar por diante de meus olhos, segundo por segundo, dia por dia, lembrança por lembrança. 

O tempo sempre há de passar! Nós sempre iremos passar! Tudo passa enquanto carne que é, matéria bruta e simples. Tudo permanece enquanto espírito, enquanto lembranças, enquanto alvo e parte de um sentimento! Posso estar triste. Posso estar aquém do que devo ser de fato, mas sei que o verão irá chegar trazendo um sol que ilumine a alma que carrego pelos dias que seguirei vivendo! 

Posso estar perdendo tempo nessa luta contra meus sentimentos e pensamentos, mas hei de vencer a mim mesmo, pois sou melhor que já fui e sei que o verão irá chegar! Por mais que me desespere, por mais que as coisas não estejam na forma que (para mim!) deveriam estar, aqui permaneço! Sob a chuva torrencial que se me apresenta nesses dias, sei que o verão irá chegar. Sei que está mais próximo a cada dia o reencontro com a luz que por ora afasta-se; nesse momento, terá início minha primavera. 

Sou dentro de mim algo que espero ainda ser, mas ainda não o sou, não externo - mas serei! Já disse e repito para que eu ouça bem - guarde bem isso coração: o verão irá chegar! E, juntos, eu e meu passado de lágrimas, de chuva torrencial que inunda minhas terras da alma, nos tornaremos uma terra fértil e benta, de luz, pois consigo o verão traz a paz e comigo ela há de permanecer! 

Chega de lágrimas por hoje. Chega de lágrimas para o amanhã. Permanecerei, desde um dia além de hoje, para todo o sempre num mar de paz. Eis a verdade que sonho e sou eu que decido: a partir de agora sei e sinto que o verão chegou.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Carta ao Amigo mal compreendido

       
homem de fé se faz errante. É pleno, repleto, feito do todo. És tu, homem de fé, a solução para a paz no mundo. Um caminho para o amanhã... Tú, homem de fé, sofre perseguições. Matam e, por Ti, morrem, assim como para Ti gritam blasfêmias; por Ti distribuem belas palavras. 

Tão amado, tão mal compreendido, tão pouco conhecido a fundo, mas sempre tão esperado! Injustiçado! Falam de Ti pelas costas acreditando falarem por Ti. Sorriem sorrisos largos com peitos estufados de soberba ao falarem Teu nome. Acreditam em Ti, mas pecam, homem de fé, dizendo coisas vagas como sendo Tua palavra. Vã filosofia a do homem comum, sedento por paz, amor, pelo colo eterno nos braços do Pai celeste... 

És tu, homem de fé, a massa do pão da terra, mas fazem de Ti couro de boi e açoitam-te! Alvejam-te com rajadas de ódio, com chicotes de palavras mal ditas. Luas vem e vão e aqui perpetuam aquilo que Tu não querias e tanto tentou alertar o mundo. 

Muitos Te carregam no peito, mas como estampa aos olhos alheios, ostentando Teu nome com interesses mundanos, nunca como marca real no coração. Amanhece o dia e estão a gritar por você. Não há dia nessas terras que passam sem clamar por Teu nome, sem Te incomodarem na Tua eterna meditação onde estejas. 

Caro amigo (perdoe minha intimidade apesar de pagão!): és pra mim mais que motivos de belas frases ou discursos, mais que motivo de rodas de discussões que motivam e motivaram tantas guerras, mais que instrumento de imposições ou discórdias. És de fato ''O salvador'', O elemento primeiro das coisas; és a obra do eterno que foi trazida até nós em sua essência aos ouvidos humanos, mundanos; és o tudo resumido, mas não detalhado de forma plena, eu sei, pois pouco entendemos das coisas ainda. 

Entendo-Te plenamente, embora tão torpe eu seja. Quisera eu que todos o entendessem mais a fundo ou por isso se esforçassem. Daí, amigo, clamo com aparente intimidade por Teu nome e digo: faça em mim Tua vontade, pois sou de Ti um servo como todos os outros, mas estou atento! Rogo a Ti como um filho de Deus qualquer, mas que busca no exemplo de humildade do orvalho em busca do chão ao desprender-se da folha a singela essência de tudo que precisamos exercer como natural. És o mestre e amigo. És Jesus e Teu nome é meu escudo e nada mais, basta - pois isso é tudo!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Poetizemo-nos

Por vezes, pensar é mais complicado que escrever. Escrevo certas horas sem pensar. Se penso, escrevo anedotas. Se escrevo anedotas me perco. Se me perco, não me encontro, portanto. Se não me encontro, perco o que penso dentro de mim. Daí, não sai nem mesmo um texto, ou sequer uma frase. Assim, é difícil dizer algo... Pensar qualquer coisa nova se torna martírio, não raro. Sofrível se torna o hoje quando pensamos demais! O papel sofre com rabiscos dissonantes que insistem em ter alguma harmonia...

Se como todos eu passasse a pensar: ''amanha é outro dia'', quem sabe amanhã eu pudesse escrever algo? Pensar demais é cansar-se parado! Cansar-se de pensar em demasia... Como dói e quão grande é a ânsia pelo descanso nesses momentos. Demasia, qualquer excesso, é a morte para o conservador. Quando algo é demais, qualquer um desconfia, assim como o santo quanto a esmola do dito popular... Entende? Refletir é, quando estamos descansados: pensar saudável - mas descansar mesmo é não pensar? Nem refletir? Sim, mesmo que soe estranho. Ah, descansar.. Apenas isso! Não quero mais saber de perguntas, nem de respostas. Quero o silêncio da ausência de sons e de pensamentos!

A paz é algo que se faz. Seja para o mundo, seja em si próprio. É um castelo de tijolos soltos construído por nós mesmos. É frouxa! Entende? É algo que se conquista, mas pode-se perder a qualquer momento. É, decerto, conquista apenas daqueles que fazem atrás dela sua busca incessante. Seguem as pistas! Pelo caminho elas estão espalhadas, basta para atenção, força de vontade. Simples, por vezes, como agachar e pegar! Horas de descuido. Alegria há nelas. Sem perceber, pronto! Eis um tanto de paz que nos cerca. O sorriso aparece. A alegria permeia. Ah, surge então quase que uma reverência à vida quando atingimos momento assim! Insistindo, buscando, estando atentos: quando menos esperamos, a paz se nos arrebata como um primeiro raio de sol do dia e alegra tudo como num descuidado calor afável de início de manhã primaveril.

Sempre que possível: pense menos! Mas escreva! Escreva mais. Escrevendo mais, chegamos perto de nos conhecer a fundo. Mas também, leia o quanto lhe for possível! Leia mais sobre si e leia mais dos outros! Nem todos gostam ou sabem escrever, claro. Mas isso também ocorre sobre o pensar! Nem todos gostam ou sabem pensar! Todavia, quando se escreve, aprende-se a pensar como que de arremetida. Entende? Sabendo pensar, escrever torna-se privilégio e, não raro, fácil... Agradar a todos que sempre será difícil. Agradar a si mesmo também! No mais, entenda: não sofra por pensar nem sofra para escrever. Conheça-ti a ti mesmo, porém deixe rastros de si às páginas...


Só o tempo dirá o que há ou o que nos falta. Temos de suficiente? Coletamos durante a vida um excesso de bagagem, decerto. Iremos nos desfazer dela em breve! Esse dia pode ser daqui há vários anos - e os anos podem ser de passagem como de escassos dias de tão rápidos! Não entendes? Explico! Ou melhor: não sei explicar! Calo! A vida é um martírio de uma repetição de atos, de coisas, de situações, de pensamentos. É um eterno remendar-se dos pedaços soltos que somos e coletamos ao longo dos dias. Não é? Basta lermos nossas vidas e interpretarmos o que dela vamos coletando. Não há manual, nem mesmo uma bula para usarmos dessa ou daquela forma nossa existência. Repita o que te agrada! Faça-se feliz e faça feliz aos outros. Não se importe com a rima tentando tornar sua vida um poema moldado... Aja naturalmente, na medida do possível! 

Assim como para os poemas, a rima é um controle, mas descontrolado, quiçá... Imposição? Sim. Desenfreada, não raro. Máquina dominadora da mente que quer poetizar as coisas nos versos. A rotina da vida quer todos nós rimando. Iguais, enquadrados em padrões. Caso consigas rimar, não rime teus versos com os dos outros que são, digamos assim: cotidianos! Não se espelhe em quem quer manter para seus dias nada mais que rotinas. Não aja como eles! Cada qual constrói seu poema em sua própria vida com palavras e rimas próprias, quais sejam . Necessárias que são. Pertinentes? Talvez. Cada um rima com o que quer! Seja uma rima com coisas novas, belas, amorosas... Tente entender algo disso. Eu mesmo, não raro, me complico em minhas conclusões.

Seja o que te satisfaz, mas preocupe-se com os outros! Sempre. Não há rima ímpar! Logo, para rimar, sempre precisamos de outra pessoa! É lícito, muito necessário e raro nos dias de hoje rimar nossos passos, nossos discursos, nosso amor, nossa fé...! Preocupe-se em ver quem se preocupa contigo, claro! Eis aí um conselho interessante! Se te impõem algo, imponha-se-lhes como humano que és, sabedor de suas coisas e dono de suas conclusões. Mas seja humilde e aceite errar! Por inúmeras vezes o erro será tua rima! Mais aparenta ser feliz aquele que pensa pouco? Pode ser que sim! Porém, pensando, pouco se preocupa e pouco reflete, concluindo poucas coisas nessa medida. É fato! Se pouco se preocupa, menos ainda uma mente põe-se a pensar, a refletir e, claro, a concluir! O mundo está cheio de conclusões erradas. Por isso, é imperioso pensarmos mais, refletirmos mais para concluirmos mais coisas. Coisas novas! Mas, assim como no início do texto alertei: pense com calma, devagar. Pensar demais por vezes dói! Não raro, pensando tanto, você sofre um choque de realidade brutal. Acalme-se. Segue pensando quando estiver refeito desse momento.


Seremos felizes se aprendermos a pensar melhor, a refletir sobre as coisas sem sofrer e, disso tudo, aprenderemos a colocar versos (com mais ou menos rimas - nas linhas e nas vidas) no nosso dia a dia! Aprenderemos a viver de forma mais amorosa, romântica, poética. De forma responsável, aos poucos, sem transformar a arte de viver, o poema da vida, numa peça que sofrerá por desgastes desnecessários - mentais, morais, espirituais etc. Entende?Isso nos basta por ora: aprender a pensar, aprender a viver! Escrevendo versos a cada dia da jornada, rumo ao poema que será escrito ao final, no derradeiro instante antes de nossa partida. Poema que nos será dado através do retrospecto de toda uma vida que se pôde ser feliz! Mas, para o poema ser belo, trabalhemos para o futuro nossas últimas lembranças desde o hoje! Poetizemo-nos com um presente, dia após dia, mais belo, afetuoso e bom!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Sempre melhores

       

Pensei certa vez estarem errados todos aqueles a quem ouvia. Calei-me diante da perplexidade dessa percepção. Nunca havia percebido ser tamanha a minha ignorância. Ora, se todos estivessem certos, todos teriam a mesma opinião sobre tudo. Se todos estivessem errados, não haveria ninguém para lhes mostrar a outra face da realidade. Seria eu o único certo? O único errado? Não! Sou apenas um em meio à multidão de distintos, perplexos, repletos de ansiedade, caminhando juntos, cada um ao seu passo. 

Somos seres caminhando na estrada da vida, do aprendizado, da eternidade. Queremos paz. Queremos alegria. Queremos muitas coisas! De tanto as querer, pecamos por excessos, às vezes. Queremos ter a inviável certeza sobre todas as coisas; ''como ocorrerão?'';''como as superaremos?''. Como? De tanto nos perguntarmos sobre as coisas, nos entretemos nas dúvidas e nos esquecemos de buscar as respostas. Sim, as perguntas movem o mundo, mas as respostas nos dão pontos de partida para cada novo início de jornada.

Nunca estaremos completamente certos. Nunca estaremos completamente errados. Nunca estaremos satisfeitos por completo. Pois somos seres constantemente em mudança. As mudanças serão sempre bem vindas; as mudanças deverão sempre ser analisadas, refletidas, para que se façam para o bem. O mundo muda! Nós mudamos! Mas sempre, vez ou outra, pecamos. Daí devemos estar atentos a cada mudança, pois muitas vezes mudamos para estados em que não mais nos encontrávamos, retornando dessa forma a pontos de partida já deixados para trás. 

Devemos sempre caminhar para a frente, mudando a nós mesmos para novos indivíduos cada vez melhores - e sempre melhores. Ou então seguirmos do mesmo jeito de sempre, baseando-nos no comodismo viciante, sendo infelizes e fazendo infelicidade aos outros... Basta a nós mesmo definirmos nossos caminhos. Que eles sejam sempre melhores, para que, assim, também o sejamos!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

SOBRE O SONHAR

Sonhar parece um sonho nos dias de hoje. Criamos o mito, ou apenas uma impressão minha, de que sonhar parece algo quase impossível atualmente. Estamos tão acostumados a vermo-nos privados de nossas intenções, de nossas vontades, sejam por dificuldades as mais diversas, sejam elas financeiras, sociais ou outras, que os sonhos hoje se nos apresentam como meras intenções futuras que, caso sejam alcançados, diríamos: ‘’ótimo’’, caso não: ‘’tanto faz’’.
Sonhar é a mais bela certeza que temos no futuro; é um lapso de esperança que pode durar anos, perdurando, certas vezes, por toda uma vida. É algo que transcende ao que os olhos conseguem ver no materialismo da vida, superando, às vezes, em muito, a realidade em que vivemos, seja em tempo, seja em qualquer outro aspecto da vida cotidiana. Sonhando, podemos nos ver como reis, rainhas, felizes, em paz conosco próprios, em paz com os demais. Guerras acabam. Vitórias são alcançadas. Passamos de ano. Vencemos partidas de futebol. Ganhamos os mais gostosos e fortes abraços.
Através dos sonhos, conseguimos as profissões que, no fundo, cremos que nos completariam. Sonhando criamos a família que nos tornaria felizes. Sonhando somos melhores. Somos felizes! Sonhar é a maior manifestação de esperança que podemos manifestar, quer seja para nós mesmos, quer seja para todo o mundo ver e ouvir. É a forma que Deus nos deu de crermos em nós mesmos, de termos fé na vida, de termos confiança no amanhã. Mas o que temos feito em relação ao amanhã?
Temos o hábito de denominarmos aqueles que sonham como pessoas malucas. Dizemos por aí: ''Ele(a) é apenas um sonhador(a)''. Fazemos questão de salientar o “apenas”,tentando denegrir a capacidade daquela pessoa que, por sua vez, é capaz de fazer algo tão sublime. Pobres de espírito são aqueles que dizem coisas tão ruins e mentirosas como a do exemplo dado. Esses dizem isso como se sonhar existisse na forma de algo que não fosse proveitoso. Como se eles, os ''sonhadores'', estivessem perdendo tempo. Quem sonha não perde tempo, ganha esperança! Quem sonha não deixa de viver oportunidades, ganha motivos para crer nelas, para ter forças para elas, e, mesmo que as percam vez ou outra, pois sempre perdemos coisas pela vida afora, ganham novas oportunidades através da renovação de suas esperanças, através da sua arte desenvolvida e aprimorada do sonhar.
Sonhamos dormindo. Sonhamos acordados. Mas, vez ou outra, ou às vezes o tempo todo, permanecemos sonhando. Sonhar é reafirmar para si que aquilo que esperamos para nós pode se tornar real um dia. Isso nos torna mais fortes para enfrentarmos nossos fantasmas diários. Mas estamos acabando com a capacidade das pessoas de sonharem. Temos perdido nossas esperanças de futuro e vida melhores para além daquilo que vivemos no presente.
Sonhar! Essa é a questão. Não sabemos nem mesmo através da ciência o que de fato isso significa para nós, enquanto dormimos. Não sabemos a importância do sonhar. Não damos crédito a essa nossa capacidade. Mas acreditem, precisamos sonhar! Sonhar é lícito e uma das poucas coisas que leis, regras ou ditadores nunca conseguirão nos impedir de fazê-lo.
Certa vez, ouvi a seguinte frase (que me perdoe o verdadeiro autor da mesma): “tudo o que hoje é verdade não é nada mais que parte de um antigo sonho impossível”. Sonhemos amigos! Sonhemos! Acordados ou dormindo. Que isso revigore nossas energias, pois movemos o mundo através de nossas forças, de nossos sonhos. É através dessas nossas energia e capacidade que somos capazes disso.
Sonhemos com um mundo melhor para nossos filhos e lutemos por conseguirmos filhos melhores para nosso mundo. E que assim seja e, enfim, tornemo-nos felizes. Talvez chegará o dia, de tão bela e plena felicidade, que sonhar será apenas parte de nosso passado, não sendo mais, nem sequer, necessário. Sonhemos com esse dia. Lutemos por ele. Assim, enfim, chegaremos lá, e chegaremos, se assim Deus o quiser, juntos!

Pedro Santos Xavier

O PREÇO QUE PAGAMOS














      Criamos um mundo repleto de idéias. Criamos um mundo. Nossos ancestrais duvidavam de nossas capacidades, mas superamos suas expectativas. Somos bons cientistas. Já fomos bons descobridores de sete mares, hoje desvendamos mistérios em outros planetas. Há anos tentávamos apenas acender fogueiras com pedaços de pedras e algumas fagulhas junto à palha seca. Hoje, somos bons. Aprendemos que a ciência nos torna melhores. Acreditamos na ciência. Com ela, curamos enfermidades. Com ela criamos e desvendamos hipóteses. Aprendemos com ela a cada dia. Ela é como um nosso filho: a cada dia nos surpreende mais a medida em que o tempo passa. Ela não cresce como nossos filhos, mas nos enche de surpresas com seus avanços. Ela...ela...ela. Ela é um dos nossos vícios. Com ela aprendemos que somos poderosos. Conseguimos certa vez criar vida em laboratório e dar prosseguimento a ela. Nos sentimos verdadeiros deuses. Mas não o somos. Isso nos limita e nos entristece. Que pena tenho daqueles que se dizem poderosos por motivo da ciência. Nenhuma ciência existe na singeleza da flor. Ela não estudou nada para ser tão bela e importante. Nem por isso deixa de ser tão bela e importante. Caeiro tinha razão; as coisas são o que são mesmo.
      
      Certa vez, vi homens no auge de suas autoridades negarem a existência de Deus, pois haviam descoberto certas coisas em seus laboratórios. Tristes, no fundo, com certeza, eram eles. Em meio a tantas de suas descobertas, nem mesmo sabem de onde vieram, nem muito menos para onde vão. Preferem dizer que de uma ‘’grande explosão’’ e ‘’para lugar nenhum’’. Respostas adequadas, pois não provam nada, não acrescentam nada, mas são respostas que calam o silêncio que viria após suas dúvidas e incertezas quanto a esses temas. Coitados de nós. Coitada da ciência.
      
      Temos nos tornado a cada dia mais e mais materialistas. A ciência nos corrompe os princípios de humanidade, de pouco em pouco. Nos dizemos superiores aos outros animais. Nos achamos mais poderosos em relação a esse ou aquele país, bem como aos seus povos, pois conseguimos mandar satélites ou outros pedaços de metal para o espaço e deixa-los lá. Mas não conseguimos, na maioria das vezes, atravessar uma rua para consolar a tristeza e acalentar o frio de um humano dormindo, só e sem rumo, ao relento. Pobre ‘’mendigo’’. Mandamos naves espaciais tripuladas para visitar a lua, enquanto não conseguimos acabar com a fome em nosso mundo. Enviamos mensagens pela internet, por celulares, para quaisquer pessoas do planeta, mas não conseguimos ouvir as lamentações de alguém ao nosso lado, pois nunca temos tempo. Temos tanta tecnologia de última geração e de tanta utilidade que não nos sobra tempo para sermos simplesmente seres humanos. ‘’Humanos é o que vós sois’’, disse Chaplin. Somos sim, mas nos esquecemos de como é sê-lo, caro amigo Charlie. Aprendemos que podemos ver as pessoas do outro lado do mundo pela internet, ao vivo, em cores, mas somos cegos nos negando a ver todos os que sofrem ao nosso redor; todos os que passam fome e frio nas ruas, todos aqueles que alguns infelizes, pobres seres sem inteligência e sabedoria, dizem ser simples ‘’vagabundos’’. Somos vis. Somos maus. Somos inescrupulosos quando queremos. Somos céticos em muitas coisas, mas cremos na ciência, embora ela não nos pertença. Pertencemos a ela. Ela existe por si só, apesar de nossos esforços, de nossos cálculos, apesar de nós.
      
      A natureza não usa números, não possui calculadoras para se fazer tão bela, tão imensa, tão superior a nós, pois somos apenas parte dela. Somos enganados por nós mesmos. Estamos criando uma multidão de céticos enganados por uma mentira vaga, vã; explicitamente vaga, implicitamente contestada. Estamos vendo, por debaixo de nossos tecnológicos óculos e de nossos naturais olhos, crescer uma juventude perdida. Não estamos fazendo nada por ela.
    
      Nos nossos dias, jovens se perdem em meio às teclas dos teclados de seus computadores, em meio à tecnologia dos jogos, em meio às formas de comunicação via internet. Perdemos nossas famílias por motivo dos avanços da ciência. Tamanha a importância que damos a ela, a ciência, que perdemos nossas famílias por ela, e nada estamos fazendo para reverter esse quadro. Nossos jovens começam desde cedo a beber, voltam para casa bêbados, sedentos por amor dos pais, pelo colo das mães. Lembro de que há alguns anos isso ainda existia. Mas não! Criamos seres tecnológicos. Tecnologia não precisa de amor. Se nossos filhos choram, damos a eles jogos para que se alegrem. Se nossos filhos se drogam, os internamos para que novas drogas - desenvolvidas pela nossa ciência - os desintoxiquem. Se nossos filhos se sentem sós, damos a eles celulares, iPods, videogames modernos. Esquecemo-nos da sensação de darmos abraços, de darmos belos e sonoros ‘’bom dia’’. Esquecemo-nos de como é beijar nossos filhos antes deles dormirem e de abraçá-los para que não tenham sonhos ruins. Se nossos bebês choram, damos a eles CDs com músicas que tocam calmas e tranqüilas nas tecnológicas babás eletrônicas modernas. Somos fiéis desconhecedores de nossa raça, nossa raça humana.
    
      Humanos é o que somos. Não somos máquinas, mas nos habituamos a elas e, com isso, nos tornamos parte delas. Somos infelizes corpos orgânicos que invejam os parafusos e chips das máquinas modernas. Queríamos ser como os computadores. Quando em dificuldades diante de um computador, deletamos coisas, desligamos os programas, recomeçamos. Na vida isso não é possível. Desaprendemos a errar e consertar erros, principalmente o último. Aprendemos a vida fácil dos jogos de simulação onde podemos errar e recomeçar ‘’do zero’’. Nas nossas vidas isso não é possível, por isso frustramo-nos. Pobres somos nós, pois cremos na mentira de que somos inferiores às máquinas, que elas nos derrotam. Não! Somos muito melhores que elas. Somos muito melhores, inclusive, em relação ao que somos hoje!Nos falta voltar à certeza da beleza da vida, à beleza dos abraços, dos beijos fraternais, dos ‘’bom dia’’, ‘’boa tarde’’, ‘’boa noite’’ da boa e velha vida humana, com ou sem computadores que nos espreitem. Somos melhores que isso, mas estamos dando mau exemplo aos nossos jovens.
     
     Estamos criando uma multidão de descrentes na vida, de decepcionados homens e mulheres. Estamos vivendo e deixando um mundo de caos e desespero, de desapego para os nossos jovens, pois criamos ‘’verdades’’ mentirosas para pautarem nossas vidas, nossos hábitos, nossas ações e, principalmente, nossas desculpas e nossos erros. Fracassamos! Estamos criando uma geração inteira baseada nessas mentiras. Não podemos criticá-los, caso nossos filhos errem conosco ou errem com outros, pois os ensinamos a serem assim. Somos hipócritas e deixamos a hipocrisia como herança. Criamos nossos filhos junto às novas gerações entremeados a falsas expectativas, em meio às nossas falhas de comportamento, em meio aos nossos erros infindos. Falhamos!
      
      Nossos filhos, apenas com muita sorte e com a proteção Divina, não irão cometer nossos erros, ou o que seria pior, cometer mais erros além dos nossos. Torçamos pela sorte. Torçamos pela proteção Divina. Torçamos por eles, nossos filhos. Afinal, esse é o preço que pagamos por mentir para a juventude.
Pedro Santos Xavier

Sobre a vida, o amor e algo mais


hipocrisia de um homem não se limita aos seus atos, mas abrange, até mesmo com maior intensidade, seus pensamentos. Tudo é um mar de mentiras a serem contadas e repetidas para todos em um mundo onde não basta ser, mas, na verdade, basta-nos fingir ser. 

Todos somos vítimas de um mundo sujo, mentiroso e, como já dito, hipócrita. Somos parte disso. Somos peixes nesse mar! Mas, vez ou outra, percebemo-nos afogando - mas não se preocupe, é apenas impressão. Somos todos fingidores... Fingimos tão completamente que chegamos a fingir que não há dor na dor que de fato sentimos única e simplesmente pelo fato de existirmos e, também, de pensarmos - ou algo assim! Confuso? Sim! É confuso tudo isso. Compreender a realidade humana nos consome em inúmeras dúvidas e confusos pensamentos. 

Viver torna-se difícil se pensamos, se somos reflexivos em relação ao nosso entorno e nossa realidade. Mas, como certa vez gritou ao mundo um pensador: pensar é existir! Todos iguais, sim! Todos nós queremos ter vida em plenitude, feliz, pois todos sabemos que viver é lutar diariamente contra dúvidas, incorrer em riscos e perigos dos mais diversos. Isso é excitante, não? Isso nos faz querer ir além. Um eterno “thanatos” de Freud...


Para viver, aprendemos com o mundo que por vezes é necessário fingir ser aquilo o que de fato não somos - mas que, talvez, seria bom se o fôssemos. Viver hoje se resume a usar máscaras em inúmeras situações. Cada dia uma, mas, por vezes, a mesma por uma vida toda. Isso é a vida, amigos! Isso é a vida, amigos? Não se espantem, não há perigo, apenas falsidade. Falsidade não impõe medo, pois é falsa por si mesma. Não existe nada além do que é inventado quando se permitem as falsidades! Daí, em meio à essa realidade, chega-se à hipocrisia! Confiar cegamente na verdade que se nos apresenta, isso sim é perigoso e nos trás medos, pois já sofremos muito em inúmeras decepções que tivemos. Correto? Logo, não é a falsidade em si que nos faz mal, mas sim nossas expectativas que podem, naquilo, serem frustradas - ou não! 

Um otimista poderia me parar nesse momento, me reprimindo ao dizer que tudo o que foi dito aqui é balela. Devemos confiar nas pessoas. Sim, seria bom, mas com certeza, em seu íntimo, ele estaria refletindo e teimando para não ver como verdade o dito acima – pelo menos parcialmente! Somos sim, em muito, enganados! Estamos cientes disso, mas é interessante fingir que não é assim. É mais confortável. 

Indo além, penso: o amor existe? Ora, tenho cá minhas dúvidas e reflexões também, mas não tenho resposta. Apenas, amigos, quero que te preparem, pois amar é correr em pastos verdejantes com um belo rocinante, mas, uma vez com ele e por sobre ele, em qualquer momento poderemos cair. O preço que pagamos por cavalgar livres nesse pasto traz consigo o risco de uma queda estrondosa e dolorosa. Não pensemos nisso, entretanto...

Ainda sobre o amor, tenho que ele é uma flecha atirada no escuro. Nunca sabemos (nem saberemos) se ela atingiu ou atingirá o alvo pretendido. Mas, apesar de tudo: ame! Viva! Sorria! Principalmente sorria. Sorria mais do que viva e viva mais do que ame. Seja feliz! Embora seja dolorosa uma decepção, permita-se confiar nas pessoas e nos seus sentimentos, mas não confie nisso toda a sua felicidade. 

Vivendo de peito aberto, ciente de possíveis decepções, mas mesmo assim seguindo feliz e confiante, viverás tendo tua felicidade como tua cama, teu sorriso como teu travesseiro, tuas experiências na vida como teus sapatos para a caminhada. E o amor? Ah, o amor...! Ele estará contigo – de alguma forma. Assim, repousarás tranquilo por toda a sua eternidade.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

ALGO



Na vida não apenas se conhecem pessoas, se agregam corações à mente, mentes ao coração, corações ao coração e mentes à mente. Damo-nos conta uns dos outros e contemplamo-nos com a caminhada conjunta. Assim, tornamo-nos amigos, seres unidos em uma caminhada que não importa aonde vai dar, pois como já foi dito por alguém, em algum lugar do mundo: a verdade não é um fim, mas o próprio caminho.




Pedro Santos Xavier

SOBRE OS OBSTÁCULOS




Vivemos em tempos de guerra – ou melhor, estamos aprendendo (ainda) a viver! Somos ora frágeis, ora heróis. Somos vis quando queremos ser, ou quando acreditamos que seja necessário. Ser assim, por vezes, nos é uma alternativa de defesa. As decepções do mundo e com o mundo nos tornam cada vez mais distantes do que somos de verdade, em nosso íntimo. Queremos sempre nos aprimorar “por” motivo dos obstáculos, mas não nos aprimorar “para” eles – o que nos seria mais benéfico. É questão de orgulho nosso. Orgulho humano, pois não sabemos perder, não queremos perder. Nenhum obstáculo pode deter nossa caminhada. Temos direitos! Podemos andar para onde quisermos nos caminhos da vida, mas cedo ou tarde, e várias vezes em nosso tempo, somos detidos. Paramos. Somos freados e nossa trajetória perde o rumo por alguns instantes. Somos assim. Já foi dito, certa vez: “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. Belas palavras, Churchill. Isso também é verdade quanto aos obstáculos da vida – eles são simples oportunidades de vencermos nossas dificuldades e limitações, de nos aprimorarmos.

Ficamos repletos de dúvidas nesses instantes de derrota, em que paramos nossas vidas por motivo de alguns obstáculos, e, por vezes, essas dúvidas se perpetuam por vários tempos após esses momentos. Não conseguimos entender o porquê de a vida não ser simples da forma que queríamos que ela fosse – mas, o que é fato, é que não sabemos o que queremos da vida ou o que esperar dela. Não sabemos de muitas coisas. Restam a nós as hipóteses e os aprendizados da vida que são essenciais para isso. Tornamo-nos melhores com o tempo, mas de forma mais lenta do que poderia ser, pois insistimos em perder tempo reclamando e culpando as coisas, os outros, Deus. Somos os culpados de nossos erros durante a trajetória terrestre, nossa longa caminhada, nossa vida. Somos nós que devemos estar preparados para os obstáculos. Devemos nos adequar para superá-los, e não esperar que eles se amoldem para nós. Não haveria sentido se assim o fosse, pois deixariam de ser obstáculos, sendo apenas pequenas pedras no caminho, fáceis de serem vencidas.

Na vitória sobre os obstáculos, somos nós que vencemos, somos nós que aprimoramos a nós mesmos para os próximos estorvos da caminhada. Precisamos deles. E, inclusive, muitas vezes, pessoas são nossos obstáculos. Com seus erros, sofremos. Com suas falhas para conosco, nos decepcionamos. Isso nos magoa e, quando ocorre, nos tornam receosos para os novos encontros advindos a partir desses que nos decepcionaram. Sofremos por isso. Se alguém nos faz sofrer, os demais são também culpados para nós. Culpamos a todos devido aos erros de um ou de uns. Culpamos toda a raça humana dizendo frases como “o ser humano é assim mesmo”. Não! As pessoas são o que vemos nelas. Mas, as pessoas não são e nunca serão o que esperamos que elas sejam. Todos têm autoridade sobre si próprios. As pessoas existem tal qual os obstáculos: devemos nos adequar a elas, mas não ficar esperando elas se moldarem aos nossos padrões de expectativas.

As pessoas são o que o tempo revela. Mas não sabemos e não queremos esperar. Muitas vezes nos decepcionamos, e essa decepção é uma derrota. Não! As decepções são vitórias. Se alguém te faz triste: erga a cabeça e siga adiante. Aquela pessoa que trai suas expectativas, suas esperanças, é nada mais que um alguém, por ora, desnecessário a partir de então. Não foi o erro da pessoa que te fez sofrer, foram suas expectativas frustradas para com ela que te tornaram triste com os fatos. Não sofra! Se alguém te tira gotas de lágrima, enxugue-as. Siga adiante! Essa pessoa te foi essencial, pois te deu a oportunidade de perceber que estava esperando demais dela num momento em que ela ainda não estava preparada para suas expectativas. Não sofra e não faça essa pessoa sofrer pelos supostos danos que acha que ela lhe causou. Siga em frente! Apenas siga, amigo!
Pedro Santos Xavier