Acordou, irritado, gritando, o menino.
Vira na TV a felicidade no mundo,
Enquanto, da Igreja, tocava-se o sino,
Com ele, deitado, perplexo, assistindo
Pais em suas famílias felizes.
Ele, ali, parado, sem nada daquilo,
Nem mesmo um reflexo... Pobre menino...!
Nem mesmo um reflexo... Pobre menino...!
Algo na TV, era apenas o que se tinha.
Família? Deixaram-no pai e mãe.
Foram-se dele, da modesta casinha,
Onde a pobreza era real, uma erva-daninha,
E do amor? Nada se tinha...
Para os pais: tantos vícios, drogas, a cachaça.
Para ele e todos seus irmãos:
Apenas a solidão, o desamparo, a desgraça.
Havia rezado um dia...
Havia chorado por vezes...
Ao ouvir novamente o sino,
Ajoelhou-se, como não o fazia há meses.
Rezou como quando pequenino.
Pediu pelos pais que ele tinha,
Para que voltassem àquela casinha
E lhe deixassem numa vida de menino...
Soltando pelo mundo sons de sorrisos,
Como soltava, em badaladas, aquele velho sino...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier









