quarta-feira, 20 de junho de 2012

O menino e o sino


''Mentira!'', era tudo mentira...
Acordou, irritado, gritando, o menino.
Vira na TV a felicidade no mundo, 
Enquanto, da Igreja, tocava-se o sino, 
Com ele, deitado, perplexo, assistindo
Pais em suas famílias felizes.
Ele, ali, parado,  sem nada daquilo,
Nem mesmo um reflexo... Pobre menino...!
Algo na TV, era apenas o que se tinha.
Família? Deixaram-no pai e mãe.
Foram-se dele, da modesta casinha,
Onde a pobreza era real, uma erva-daninha,
E do amor? Nada se tinha...
Para os pais: tantos vícios, drogas, a cachaça.
Para ele e todos seus irmãos:
Apenas a solidão, o desamparo, a desgraça.
Havia rezado um dia...
Havia chorado por vezes...
Ao ouvir novamente o sino,
Ajoelhou-se, como não o fazia há meses.
Rezou como quando pequenino.
Pediu pelos pais que ele tinha,
Para que voltassem àquela casinha
E lhe deixassem numa vida de menino...
Soltando pelo mundo sons de sorrisos,
Como soltava, em badaladas, aquele velho sino...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




A via

A criança triste da rua,
Calada, com frio, quase nua,
Despida de amor, carinho e afeto,
Vivia vagando sem pai, sem mãe, sem teto,
Numa vida sem rumo, de futuro incerto.
Ao seu lado, elegantes madames e senhores,
Trafegando indiferentes, em altos clamores
Por tantas riquezas e belezas, sem quaisquer dissabores...
Ela tudo via, simples criança numa tarde fria.
Numa vida sem gosto, perdida naquela via,
Entre carros, madames e senhores...
Sem afeto, carinho ou amores,
Ou quaisquer lampejos de alegria.
Apenas eram, a criança e a via,
Para ela, tudo o que no mundo havia.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


Foi-se embora aquele rio



Avisem a todos: o rio secou!
As águas que lhe corriam,
Ninguém mais avistou.

''O que ocorreu?'', perguntaram.
Ninguém soube, nada falaram,
Com lágrimas caídas no chão...

Todos perplexos diante da cena.
Alguns sorriam de alegria.
Outros choraram por pena.

Da Igreja, ouvia-se o sino,
Em meio às orações que começavam.
''O rio secou'', gritava o menino,
Enquanto, atônitos, todos se olhavam...

Foi-se embora aquele rio,
Quando menos se esperava.
Foi-sem embora aquele rio,
Ninguém sabendo o que se passava.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


terça-feira, 12 de junho de 2012

Ampara-nos



Ouço, incerto, um som distante,
Mas sinto ser meu coração...
Percebo dele tal ruído,
Em lentos passos, sem emoção,
Caminhando a esmo, dia a dia,
Numa roda que gira em torno do breu.
Que de fato sucedeu-nos nesses dias
Que desde há tempos vivo eu?
Parece que a trajetória terrena é áspera,
Mais ainda que o chão que piso.
Das lágrimas do mundo correm rios,
E nós bebemos dessa água 
Preenchendo nossos vazios,
Emocional, espiritual, humano...
Somos carentes apesar de tudo.

Seguimos como cegos, surdos,
Num mundo silencioso de amor,
Mundo esse de sentimentos mudos.
Não somos mais como deveríamos,
Nunca o fomos como Ele nos pediu.
E o que pediu o Mestre a nós?
Alguém o ouviu quando ele partiu?
Deixou-nos a palavra, o amor manifesto...
E nós, disso, herdamos Teu livro.
Mas o deixamos numa estante empoeirada,
Abandonado nesse mundo altivo.
Porém, a pompa, a nobreza,
Desse mundo materialista,
Não traduzem a beleza dos ensinamentos
Daquele homem de Deus, altruísta.
Amado Senhor do Céu, ore por nós,
Que, de desamparo e lágrimas,
Caminhamos falsamente felizes e sós.


Banhados em dinheiro e matéria suja,
Do suor medíocre do trabalhador sem fé,
Morremos a cada dia pela riqueza
E com os medos de São Tomé.
Precisamos de ti, Senhor, teu amparo.
Somos falhos demais para seguir assim.
De Ti, tanto amor e reais demonstrações.
De nós, tantos fracassos e totais decepções.
Ampara-nos, Mestre.
Ampara-nos hoje e sempre.
Em passos curtos, seguimos contigo, Senhor
Aguardando de nós o aprendizado sereno
Que Jesus nos deixou pelo amor.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Lampejo



Inúmeras lágrimas, e eu,
O que de fato fiz de mim?
Sou um morto caminhando?
Como pude ser assim?

Os dias correm, livres,
Apesar, disso, todos eles.
E eu aqui, preso em pranto,
Observando os outros seres.

Um amor que esvai-se?
O que é isso que vejo?
Vendo lágrimas em minha face...
Percebo o fim por um lampejo.

Não era disso que falavas,
Desse fim que se nos deu?
A morte do amor é triste,
Mais ainda nossa vida que se perdeu.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Pai, as mães, todos nós e o amanhã

Para um dia de paz, percebemos o quão conflituoso se torna para vivê-lo. Parece, por vezes, que tudo conspira em nossa volta para que adentremos ao mundo de irritação, cansaço mental, desespero etc, de acordo com os fatos que se nos apresentam no andar dos dias e suas respectivas horas. Estranho. Por vezes, sinto que, mesmo em tempos de paz, acontecimentos corriqueiros do dia a dia me fomentam a irritação e outros dos sentimentos inadequados ao mundo de edificação que esperamos. Ora, sentimentos negativos ainda são de fato presentes em nossos dias, mas eles existem apesar de nós? Nunca. Eles se manifestam por nós, através de nós. Fazem-nos criar martírios e sofrimentos vários, desnecessários, em nossos dias, devido nossa ausência de controle sobre os sentimentos ruins e pensamentos negativos que se nos apresentam junto ao âmago do ser que somos. Precisamos refletir: nós perpetuamos em nós mesmos e, por conseguinte, em nosso meio, os vícios de comportamento e mentais, digamos assim, que tantos nos impactam na caminhada terrena.

Amigos, é tempo de despertar para uma nova era, onde as pessoas possam se respeitar, retirando os estigmas e preconceitos que mantemos em nós. Um simples bom dia a ser dado ao ser que nos passa ao lado na rua parece-nos algo incabível. Inventamos mil ''verdades'' para tornar plausível nossa falta de compaixão, amor ao próximo ou, no geral, nossa falta de educação moral para lidarmos em sociedade. Cumprimentar alguém, abraçar ou, em sofrendo pelo próximo ao vê-lo em desespero, amar ao próximo, tem sido para nós tarefa árdua, mas erroneamente árdua - deixe-se claro. 

O que precisamos fazer, amigos? Amar. Simplesmente amar. É tão difícil assim? Não. Nunca foi, mas, amar alguém requer que nos coloquemos atrás dessa figura, dessa pessoa, desse ser. Queremos, mesmo que inconscientemente, sempre, sermos prioridade nas coisas, a causa primeira das coisas...daí, colocarmos algo à nossa frente sempre tem sido difícil. Carência humana? Carência espiritual? Não sei, mas em nossa busca incessante por sermos amados, temos amado pouco, pois queremos receber juras de amor, sem esforços de abnegação de nós mesmos...isso torna nossa concepção de amor em algo falso, incorreto ou, melhor dizendo, incompatível com amor de verdade. 

Que exemplo maior de amor verdadeiro que o da mãe para com seu filho? Penso eu que amar é fazer como essa mãe que, em tendo que alimentar seu filho, criá-lo e educá-lo, sofre as consequências do auto-abandono, da auto-negligência em busca de viver em função do outro, o amado filho, a alma inserida em sua vida e motivo de sua felicidade acima de tudo. Esse amor tem-nos faltado. Amor espontâneo, verdadeiro, que não pede nada em troca, apenas é doado em sua mais forte forma de existir. Não mais sabemos ser como as verdadeiras ''mães'' diante de teus filhos. Diga-se de passagem, pelo que temos visto pelo mundo, nem mesmo as mães de hoje, de fato, tem sabido amar assim, como mães que são, deixando seus rebentos em prantos, abandonados à mercê do tempo. Vivem essas crianças buscando, na instintiva esperança adquirida (como forma de sobrevivência), as forças e o amor para viverem a triste realidade da existência terrena em que se encaixam. Muitos desses ''filhos'', adquirem graus elevados e evolução, de educação, muitas vezes, por méritos próprios, adquiridos ao longo de suas existências, baseando-se naquilo que acreditam ser certo e errado, sem um colo de pai ou mãe para lhes instruir, fazendo, devido a isso, de seus próprios julgamentos, sua razão e medida para evoluírem sozinhos - mas nem por isso desamparados, pois a espiritualidade maior ampara-nos a todos. Sob duras penas, muitas dessas crianças, mesmo desamparadas aos nossos olhos, abandonadas pela ausência do amor materno (e paterno), tornam-se, surpreendendo as expectativas desatentas, seres imensamente evoluídos moralmente, espiritualmente - educação essa que tanto precisamos. Educação moral, educação espiritual. Essa evolução  moral e espiritual de tantos seres que vemos estarem conseguindo é um dos milagres que podemos testemunhar pela Terra. Serve-nos a dar esperança cabível (principalmente aos menos crentes, como sendo ''descendentes de São Tomé'') na real influência benéfica de nossos benfeitores espirituais no caminhar de nosso mundo para um planeta de regeneração, onde estejam devidamente claros os ensinamentos da edificação de Jesus e todo o Teu evangelho. 

Apesar das falhas que temos percebido, do desespero, desamparo, da ausência de amor que temos testemunhado e por vezes sido vítimas, percebemos ainda que nada está perdido. Na simplicidade e humildade de muitos seres ao nosso redor, na verdadeira e amável forma de viver de muitos desses irmãos de caminhada, percebemos o amor Divino materializado...Abramos nossos olhos para acharmos Deus nos corriqueiros fatos e nas passageiras (ou não) pessoas de nosso dia a dia. Amigos, é hora de repensarmos o que temos feito aos nossos semelhantes. Mães, é hora de pensarem o que têm feito aos seus filhos. Somos filhos de Deus e pedimos tudo ao nosso Pai Supremos, mas o que temos feito a ele além de pedir? Pensemos.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sobre o bem, os bens e algo mais

A força do medo impede-nos o avanço necessário. O combatente cai, triste, perante os fracassos. A lágrima, também caída ao chão, denota a leveza do ser que por ali atirou-se ao solo: mais um homem caído. Em um mundo como o que habitamos, os sonhos parecem loucuras, as verdades claras e puras aparentam fantasias. Os medos, ah, os medos, eles comandam as almas que, combatendo diariamente suas lutas, ficam mais fracas para vencê-los conforme necessário seria. Vivemos em uma sociedade assustada. O que é sabidamente correto, é visto com desdém. O que é ético, é dito ineficaz ou tolo. O que é evoluído espiritualmente toma ares de irrelevância em meio a comentários jocosos. O que temos feito nesse cenário?

Trazemos em nós a centelha da alma eterna, do espírito sublime...a coisa única que nos permeia como espíritos que somos. Nossas almas! Feitas do todo que nos circunda, ficam perdidas em meio aos choques de sonhos desfeitos e traumas ocorridos nas batalhas diárias da vida terrena e suas tristezas. Fome. Miséria. Lágrimas por tantos motivos. Doenças. O que temos visto e, antes disso, o que temos feito do que vemos? Um cenário desolador é o que construímos aos nossos descendentes.

Há séculos e, por que não, milênios, os seres humanos norteiam suas vidas pelo dinheiro. Veem através da riqueza sua redenção. Isso é uma forma de sentirem-se seguros. Pensam que, uma vez ricos, compram-se coisas, compram-se todos os acessórios supérfluos para uma vida mundana, por si só, passageira, efêmera. Conquistam-se paraísos...Será? O material é efêmero. E, nisso, o que temos mudado?

Ainda cultuamos os bens, mas não o bem. Entre ''ajudar, espontaneamente, empobrecendo-se'' e ''enriquecer-se apesar da pobreza ao lado'', quantos optam pela segunda opção? A maioria? Se pensas como eu, percebes que ainda cultuamos os sentimentos que nos favorecem no egoísmo peculiar, mas não damos as mãos ao próximo caído. Guardamos mágoas com facilidade, mas não conseguimos nos alegrar com as tantas demonstrações de amor que vemos ao nosso redor, das pessoas que nos amam, mesmo sem que tenhamos dado motivos para sermos merecedores desse sentimento. Optamos por nada fazer pelos outros, se possível, e, antes de qualquer coisa: sermos ''felizes'', ou melhor, ''sermos ricos'' independente do que nos circunda. Seria essa uma felicidade verdadeira quando alcançada?

O que fazemos de nós, amigo? O que temos feito para nos perdermos tanto? Em sentimentos, em frases ditas em vão, criando-se mágoas, em atitudes impensadas, criando-se decepções? É hora de modificarmos nosso padrão de atitudes, de vibrações. O mundo precisa de novas energias, de novas esperanças. Um sorriso despretensioso e espontâneo é como um jato de água no triste incêndio do mundo. Ria, amigo; chore apenas se, de tanto rir, for necessário. Não deposite lágrimas ao solo. Guarde suas tristezas num canto qualquer da alma, pois as tristezas irão passar. É chegada a hora de o ser humano repensar suas atitudes. Entender que mais vale ajudar que ser ajudado.

Pensando de forma solidária, entenderemos que menos vale o dinheiro e mais valem o amor e amizades que deixamos pelo mundo. O dinheiro se perde com o tempo; amor e amizade são eternos - talvez pelo fato de, em muito, se confundirem. Ame, lute, corra atrás da paz que todos merecem. Mas que sua busca seja pelo coletivo, não pela sua própria cabeça. Não norteie sua vida pelo ouro do salário, mas, sim, pelo orgulho (mais valioso ainda) de ter passado uma vida lutando pelo bem, pelo amor, e vice-versa, rumo à felicidade que sonhamos - e teremos.

O que é eterno passa pelos bons sentimentos, o efêmero se consome com o tempo. Como nós, a riqueza morre, mas por nós o bem se perpetua - ou pode se perpetuar. Ajamos corretamente e tenhamos motivos para que, ao término de mais essa vida, possamos repousar a cabeça em solos mais evoluídos que aqueles nos quais pisávamos outrora.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier