sábado, 27 de abril de 2013

O amor não explica-se!

O amor é colcha de retalhos; tece-se parte a parte, passo a passo. Não é possível tê-lo de pronto! Vem de singelos momentos, por tácitos sentimentos e completa-se sem presságios definidos. Amor não explica-se! Certezas têm do amor apenas os tolos, os tontos! 

O amor é duro feito pedra, frio como mármore. Corta como lâmina; fere, pois se faz arma! Sequestra sonhos consigo. Faz-se, de início, amigo, mas acaba com toda uma vida sem quaisquer pesares. Destrói rumores de paz. Transfigura-se em deus e diabo. 

O amor, quando não se dá conta de si mesmo, expande-se de não caber no peito, ao mesmo tempo que destrói aquele que sente quando a ele alguém não corresponde. O amor consome seu dono, de secar! Extrai-lhe o sumo do ser que é eterno, transformando e transtornando tudo o que nele há: tanto de certo como de engano, a deixar-lhe sem rumo. O amor não explica-se!

O amor é ferida que mantém-se aberta. A qualquer momento, infecta-se de esperanças e daí destrói sem chances ao indivíduo que cai em dores. Disso penso: amor não é eterno, eternas são as dores? Essas nem sempre matam, mas, do amor, quando gera-se dor já é sinal de danos. O amor aleija!

O amor deixa sequelas, pois transpassa ao que é lógico, sem deixar vestígios. Do amor, nada conclui-se em vida, e a vida é uma eterna busca do amor, mas buscar o amor é desencontrar-se. Há desencontros demais pela vida, já disseram. De amor? Entende-se apenas das estatísticas de danos, despeito e dores. 

O amor, tal qual o supomos, é sentimento de deus ou motivo de enganos? Não ama-se por inteiro sem, antes, entender-se primeiro! Quem sou eu a entender de amor? O amor não se explica! Explica-se , isso sim, apenas o significado da alma existente que sente! 

O sentido da vida não está no amor, mas sim na própria trajetória em que o ser traspassa-se para, assim, definir-se. É uma viagem ao seu interior, uma auto-descoberta que, em si, gera dores e feridas abertas. Nada há de amor nisso! Quando, porém, o ser a si mesmo encontra, está ali então o amor: à frente, em toda parte. O amor está no ser em si mesmo, pois o amor é a essência de todos! 

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Para o ar


Quero viver a proeza de tempos de paz, fé, amor...
Quero apenas erguer a espinha sem causar-me dor,
Pois andei deveras rebaixado a um patamar de lágrimas.

Quais sejam os horizontes vindouros, hoje, amanhã...
Quero estar apto a receber tudo de alma limpa e mente sã.
Quero desfrutar dos sentimentos benfazejos que se avizinham.

Qual criança que aprende a caminhar, tropeçando pelo caminho,
Sou eu um novo homem de alma ereta hoje - mesmo que sozinho.
Antes não sabia que para ser feliz eu precisava, primeiro, entender-me.

Entendo, enfim, o que sou e quero; conheço-me hoje mais que esperava...
Esperanças aumentam-se às tantas; tristezas apequenam-se rompendo a trava
Do desespero que enfim foi-se embora. Sou livre - como eu tanto aguardava!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Espinhos



O pranto tirou de mim algo - que foi tanto!,
Que hoje não mais sei entender de acalanto,
Ou de carícias, ou de encanto.
Bem-me-quer? Qual mito por trás de ti há?
Tudo que ficou do tempo é cólera perdida
Na página da memória que teima em não esquecer-se,
Preenchendo no coração todo um  isolado canto...
Entala-se em minha garganta ainda muda de dor!
Dos tabefes da vida, bem dados,
Desviei, faceiro, a perplexa face!
Tomei o impacto na alma, entretanto.
E o sol bateu-me de cegar quando eu pensava
Que, enfim, seria apenas brilho a calar o pranto.
Nada foi como eu esperava, no entanto.
O lua transpôs-se linda e calma no caminho,
Onde, porém, eu pensava haver apenas sombras...
Hoje entendo que nunca é vã qualquer que seja a dor.
A lua trouxe-me não algo que havia de sombras,
Mas sim uma espécie de brilho escuro e calmo...!
Diminuto sofrimento é um grande espinho
Quando se entende pouco do que a vida há de trazer de amor.
Ora ou outra, a planta cresce. Daí, o espinho que era grande, desvanece....
E de tudo o que era galho tolo, seco e espinhento, surge a flor.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 16 de abril de 2013

Coisas que passam



Algo como se eu estivesse dormindo até aquele instante.
Nada ali valia a pena, eu vi! Mas, acordei, embora atordoado...
Uma pedra caiu-me por sobre a cabeça? Fora estranho!
Num instante, radiante; noutro momento, anestesiado em dores.
É assim que a vida faz-se a passar. Ora assim, ora assado: tudo passa!
Sem entrelinhas, o roteiro faz-se e desfaz-se em cômica tragédia...
Um romance, ou uma fábula? De amor ou ódio, de que vale?
Todos somos impelidos à interpretação de personagens autênticos! 
Enquanto isso, somos todos vítimas de personagens alheios...
Infindos personagens. Somos todos um mar de atores.
Cenário insólito, modifica-se constantemente apesar de nós...
Estamos ainda aqui, aprendendo a caminhar enquanto tudo,
Tudo mesmo, passa sem dar-nos créditos ou ao que achamos,
Ou ao que queremos. Fantoches do tempo e dos fatos,
Todavia, cremo-nos fortes, ''donos de si''... Tolice!
É como se estivéssemos dormindo e, num estalar de dedos,
Acordados, vemos que toda a vida passou!
Escorreu por entre os dedos de deus...Caiu ao chão...
Partiu-se...! Partimos! Afinal, tudo passa enquanto efêmero -
E é o que somos: tudo e todos um mar de coisas que passam...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Pequeno



Cabe de ser grande para se poder pensar direito. Não vale a pena sofrer de bocado em tanto. Aos poucos tudo se ajeita e a coisa que era grande, ''apequenece'', ou algo assim. Tem hora que a vontade de falar cala a razão... 

Estranho tudo fica aos poucos ou aos muitos quando se sabe nada da vida que se deseja. Quem pouco quer ou disso nada sabe, perde-se no dia ou na noite, já que tudo fica num sem sentido grande, vazio de tudo, que não há nada além do que fica de perdido e vago... É algo assim que te digo, pequeno! Tem de ter fé no que se há de querer pra vida!

Levanta a cabeça e chora, mas olhando para frente. Quem chora de cabeça baixa cai em tentação do desespero... Corre, pequeno! É preciso ser grande da alma para não cair. É um tanto de gente que cai aos montes, nem levanta mais. Falta gente de apoio para subir, mas tem mundo de gente que empurra a gente... Gente, gente...! É algo sem significado algum para quem vê de longe, mas pessoa somada a pessoa forma uma multidão de problemas. Seria melhor tudo ser sozinho, cada canto com seu um. Mas, tudo é dividido e compartilhado nessa roça grande; cabe a gente se adequar e se aproximar dos outros. Assim aos poucos a vida fica menos ranzinza, ou algo assim. Cabe de ter fé no futuro sempre.

Devera, tudo encaixa um a um. A vida vai mostrando aos poucos que dá para dividir tudo e ser feliz também. Choro é coisa pouca. A gente tem é de sorrir. Sorrir deixa a gente maior, radiante. Coisa boa fica no mundo quando alguém morre de sorrir. Ruim é ter de chorar por vez ou outra... Mas choro é água que desce, e água seca. Choro seca! Tristeza morre com a lágrima se a gente souber chorar direito. Cabe de ter fé na vida para que o choro jogue fora as coisas... De tristeza em tristeza o homem cai do prumo que tinha. É preciso aprumar para enfrentar a vida, pequeno!

É preciso mais que sorriso para quem há de querer ser feliz. É preciso abrandar o que inquieta o peito, tendo a alma quieta no peito aberto, ou vice-versa. O importante é não cair na tentação do sofrimento, do desespero. Cabe de sorrir sempre, pequeno, é o que digo! Pois da vida, nada se leva, então: para quê carregar tristeza se ela há de ficar por aqui mesmo? Melhor é guardar alegria até o último cantinho de tempo que Deus há de dar. É o segredo da felicidade, pequeno! Ser grande não é coisa de tamanho, mas de comportamento...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Realidade trôpega



(Sei ser um tema conflituoso, mas tentarei abordar apesar disso...)

Mulheres não querem mais os homens legais. Antigamente, esses eram conhecidos como ''bons moços''. Hoje, os conceitos de bom e mau estão indefinidos, pelo que parece. Mulheres hoje não optam pelos ''bons moços'', pois sabem que, na realidade em que vivemos, eles são a última opção para as demais mulheres. ''Bons moços'' não são concorridos...

Mulheres hoje querem aventuras. Querem desfrutar de prazeres e externar a todos sua liberdade atual; algo como se ainda estivessem tentando mostrar à sociedade que elas alcançaram de fato a possibilidade de independência, a sua real conquista da liberdade. Daí, mulheres optam por aventuras - muitas vezes despreocupadas até demais... Bons moços não impõem riscos, ou aventuras. Talvez isso seja visto como sendo ''previsíveis demais'' - e com isso, como um defeito desses ...

Mulheres não querem mais o sonho feminino antigamente comum de casar, criar uma família, ter filhos, perder a virgindade com o homem que estará consigo por toda uma vida ... De fato, mulheres hoje querem aventuras - pelo menos num primeiro e longo momento...!

Ao desfrute de transas irresponsáveis, entregam-se a homens de índole sabidamente dúbia, ou mesmo desconhecida, em noites de total desvario ao puro deleite da carne. Penso que essa promiscuidade atual é uma das formas que as mulheres encontraram de ''testar'' sua liberdade aos olhos de todos, da sociedade - como a criança que mal aprendeu a andar e, mal sabendo dar seus passos sozinha, arrisca-se em corridas como testando os olhos atentos dos pais. Um sentimento de liberdade e independência trajados em claros sinais de imaturidade psicológica ou infantilidade social do conceito ainda em formação da mulher atual. Talvez essa seja uma definição para a causalidade desses excessos de desvarios que vemos...

Ao que parece, aventuras autodestrutivas têm gerado prazeres muito almejados nos dias de hoje. Vemos exemplos como: pular de para-quedas, ou de bunging-jump... Transas irresponsáveis, aos meus olhos pelo menos, seriam outra forma de aventuras potencialmente autodestrutivas. O ''eros'' e o ''tânatos'' de Freud sempre entrelaçam-se - cabe a nós esperar e ver quem vence...

Mulheres entregam-se a transas com homens quaisquer, quer seja perdendo sua virgindade ou continuando com o hábito já iniciado após a perda; em noites banhadas a orgasmos e, com eles, a uma sufusão de substâncias sanguíneas causadoras da sensação do prazer, alcançam motivos para sentirem-se libres e independentes, ou ''donas'' de si - tal qual a criança que corre a ''testar'' sua liberdade no mundo, antes citada nesse texto. Porém, por descuidos ou não, vez ou outra, com mais ou menos frequência, a menstruação do mês seguinte atrasa! Daí, aqueles dias da manutenção desse atraso tornam-se um martírio auto-induzido e, aparentemente, prazeroso, pois vez ou outra repete-se, e repete-se, e repete-se... Surge disso o estresse presente e crescente de pensar-se grávida de um homem qualquer - homem esse que não será o pai assumido, por boa vontade, daquela possível criança.Porém, após esse surto inicial de responsabilidades assumidas, adquiridas ao estresse da trama do deleite, a nova menstruação enfim chega-se, perdendo-se nela as conclusões e promessas de ter mais ''cuidados'' da próxima vez ou ainda na velha e tradicional frase: ''nunca mais farei isso...!''. Dias, semanas ou, mais tardar, meses depois, mais uma vez aquele martírio auto induzido ressurge, ocorrendo após outra transa com outro homem qualquer e desconhecido... Essa realidade descrita aqui, tem tornado o mundo ''colorido'' e caloroso da modernidade da mulher ''liberta'' em uma mera tela triste pintada em modestos cinquenta tons de cinza...

É estranho, é triste, mas é o que vejo. Daí, após anos em situações como as descritas acima, desfrutando de prazeres com homens quaisquer, mulheres começam, em vendo-se sozinhas de fato, a culpar os ''bons moços'' como se eles não mais existissem - embora sempre estivessem ali por perto! Uma tentativa talvez de criarem-se permissões ou sustentar subterfúgios para aceitar o tempo perdido em comportamentos ocorridos entre desvarios pregressos. 

Após os anos passarem, querem assumir o paradigma da ''mulher de família''. Querem então: ter filhos, tornarem-se esposa, mães, vivendo o sonho antigo, quiçá démodé, do lar. Porém, por vezes esse sonho está ''cinza'' demais para ter cores suficientemente alegres; daí, formam-se casais e famílias às pressas, desde cedo trôpegas, que culminam com os inúmeros divórcios que temos em meio às inúmeras histórias tristes de filhos divididos entre pai e mãe que não se amam, vivendo um lar inexistente e sem amor...

É o mundo que temos? É o mundo que vejo! Espero muito e sinceramente estar errado e que esse texto seja mera ficção, não sendo portanto verdade! O que é ou o que será disso tudo às novas gerações?  

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier