Errar é parte no caminhar. Faz parte e é essencial, embora doloroso seja! É a antítese do acertar, da retidão nos fatos... Porém (perdão pela associação demasiado torpe), caminhando, percebe-se: é preciso dar um passo com a perna direita, esquecendo-se da esquerda, deixando-a para trás (e vice-versa) para, assim, aprender a importância de cada momento, ou cada passo! Ora atrás, ora à frente, as duas pernas, todavia, caminham e atingem a meta final juntas, sem mérito maior de uma ou de outra, pois fizeram em conjunto o todo da obra: a caminhada! Não há certo ou errado nessa corrida das pernas...
Por vezes, estamos demasiado confusos com nossos passos na vida pessoal, emocional, profissional... A vida é um eterno e constante caminhar em todos esses aspectos! Demandam, em cada etapa, ao seu tempo, passos mais breves ou mais lentos, mas sempre alternando como em antíteses de sentimentos, de conquistas e perdas, de amores e ódios.
Tropeçamos querendo seguir ora mais com a direita (em pura insistência), ora mais com a esquerda (noutra tentativa desesperada de permanência), afinal, no fundo, não sabemos qual a maneira adequada para seguir! Temos dúvidas. Usamos vários artifícios para saber qual ''perna'' usar no próximo passo. Problemas emocionais? Amar ou odiar? Problemas profissionais? Dedicar, ou seguir novos rumos, ou modificar as coisas? Problemas pessoais? Seguir da mesma forma, no mesmo ''eu'' habitual, ou renovar-se, sendo melhor a cada ''passo''? As dificuldades do caminhar são enormes em todos os passos dados...
Damos ''pulinhos'', sim, pulinhos desajeitados tentando caminhar mais rápido por vezes... Tentativas inovadoras de acelerar as coisas. Coitados de nós! Pular etapas, ou insistir em uma mesma tecla, ou, nesse caso, na mesma ''perna'', é irrelevante e errôneo! Não há espaço para pular etapas na vida nem vale a penas insistir em algo que não nos traga a estabilidade íntima necessária no caminhar! Devemos oscilar de acordo com o sentimento necessário, com a racionalidade devida ao instante, seguindo a questão pendente do momento: profissional, amorosa, pessoal, quer seja uma ou outra ou todas ao mesmo tempo. Ou seja: caminhar ora com a esquerda, ora com a direita! É necessário aceitar ambos os lados das coisas da vida! O eterno oscilar por entre antíteses! Nos momentos de tristeza: chorar, mas nos momentos de alegria: sorrir. Nos momentos de paz: exercê-la, mas nos momentos de guerra: lutar (contra si mesmo, pois nada adianta lutar contra os erros do outro! Guerrear é útil quando o objetivo é vencer-se)! Assim por diante... Dessa forma, seguiremos, caso saibamos obedecer ao devido sentimento ou à devida razão de ser para cada instante vivido.
Tudo gira entorno de, aprendendo com a metáfora da caminhada: a cada momento reserva-se o seu devido passo, numa alternância que requer o benfazejo aprendizado (do auto-conhecimento!) de que devemos nos adequar ao balanço das coisas! O universo é uma onda de atividade que oscila, mas avança; onde há movimentos rítmicos: ora de avançar, ora de retroceder. Talvez por isso os pêndulos dos relógios antigos balançavam. Quiçá fosse um ensinamento que não percebemos? Em meio a isso, a oscilação das coisas, seguimos nesse nosso universo aguardando o momento exato de recobrar os passos. Mas é preciso entender: caso uma das pernas pare, não quer dizer que parou de caminhar. Não! Tudo avança. Como assim? A perna quieta (diga-se do o momento de alegria em que estávamos, ou do sucesso na profissão, ou da harmonia do lar...) parou de ser a referência no caminhar de agora, dando espaço para a outra parte, sua antítese necessária (a tristeza, a derrocada, as desavenças...) que toma a frente. Assim devemos fazer seguindo na vida e em cada momento que ela nos exija passar: respeitar esse ''vai e vem''! Sonhos vem e vão, junto deles sofrimentos, sucessos, lágrimas, alegrias, desilusões... Cada uma ao seu tempo: ora avançam e tomam conta do dia, da caminhada, ora retrocedem e dão espaço ao outro sentimento, sua antítese irretocável.
Direita, esquerda! Alegria, tristeza! Sucesso, fracasso! Pernas que oscilam, ora uma, ora outra, mas fazem com que assim, e somente assim, passemos pelos dias e no último suspiro tenhamos a certeza: eu existi, vivi plenamente! Obedeci ao universo! Chorei, ri! Corri, parei! Cansei, descansei! Amei, odiei! Abracei, afastei! Despedi, chamei de volta! A cada momento, cada sentimento e cada ação em seu devido instante a ser obedecido e (por que não?) desfrutado!
Direita, esquerda.. Direita, esquerda... Sigamos em frente!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier