A vida é estranha naquilo que ela tem que ser. Entendemos nada de quase tudo. Não temos controle de praticamente nada. Em meio ao viver, nos pegamos diversas vezes sob escombros das coisas que ocorreram em nosso passado e tentando limpar os nossos caminhos para enfrentar as adversidades que virão no futuro. O presente da vida é isso, esquivar-se de escombros do passado que tivemos e tentar abrir caminhos para a passagem dos novos tempos com suas coisas boas e também suas coisas ruins. A vida é feita disso: momentos bons e ruins. Não há vida perfeitamente feliz, nem há vidas fadadas à infelicidade - entendo bem! Tudo passa! Quando dizem isso, os que o dizem têm toda razão.
Em meio à realidade de nossas existências, somos protagonistas na maior parte das vezes dos acontecimentos de nossas vidas. Outras vezes, os acontecimentos vêm e nos deixam sob novos escombros sem nem mesmo termos percebido em tempo a chegada dos fatos novos. Não raro, também, a vida se manifesta com outros protagonistas dentro de nossa própria vida, e nós, nessas horas, ficamos como coadjuvantes do cenário da vida que temos que levar adiante apesar de quaisquer coisas.
Não serão poucas as vezes que vamos querer chorar, em desespero e angústias, mas entre sermos protagonistas em nossos dias e coadjuvantes nos fatos ocorridos, fica uma coisa perene: nós estamos sempre presentes diante dos ocorridos em nossas existências! Estaremos sempre junto de cada acontecimento bom ou ruim de nossas vidas. Portanto, temos de estar em nossa melhor forma para atuar diante das coisas, sendo protagonistas, sendo coadjuvantes, tanto faz... Prontos para agir da melhor forma que pudermos ser! Esse é um aprendizado que parece óbvio, mas é de difícil execução. Somos sempre tentados a desanimar e acreditar que não temos forças suficientes diante das nossas vidas - fato esse que é um equívoco tremendo quando caímos nele. Os males da depressão, p.ex., se dão por inadaptação a esse aprendizado. Perceba bem. Reflita. Somos sempre participantes diretos de nossos males e de nossas alegrias. Somos capazes, sempre, de mudar nossos destinos - tanto para melhor quanto para pior, sei bem.
Os escombros do passado por vezes ficam conosco a atrapalhar os caminhos por todo o resto de nossas vidas. Não raro, vagamos meses, anos, por sobre escombros de um passado que morreu e não percebemos. Ficamos ali tentando colecionar relíquias de uma vida que já passou, já se foi. Temos de tomar cuidado com isso! Escombros do passado servem para que entendamos que eles são restos, resíduos, escombros, ora! Não podemos tentar edificar novas construções para o nosso futuro a partir de escombros de um passado. Basta de ficarmos tentando juntar pedaços entre os escombros do passado para edificar novas construções para nos abrigarmos no futuro. Não! Isso não pode ocorrer. Temos que saber perder e deixar passar aquilo que já passou.
Quando enxergarmos escombros, precisamos deixar que eles fiquem para trás e devemos nos preocupar em manter nossos caminhos limpos de passado e de nostalgias para, enfim, podermos receber as novas coisas do presente de corpo e alma. Querer o passado de volta não é algo incomum entre nós, humanos. Somos nostálgicos! O que me espanta é que, nessa nostalgia, ainda mantemos algo de perplexidade como quem fica insatisfeito de não poder ter algo que sabidamente não existe e não lhe pertence mais. Caímos repetidas vezes nesse engano de sonhar com coisas que já se foram. Essa nostalgia somada à essa perplexidade podem nos atar as mãos, pés e nos prender na estrada da vida. Temos de ter cuidado!
Nada que se foi volta! O que passou e chegou a voltar (se for para voltar!) vem por conta própria. Ou seja: não se foi, de fato! Não será nosso hábito de vasculhar escombros que os fará voltar. Não! Tudo o que é reservado para ser nosso um dia dá seu jeito de retornar a nós, independente de nós. Portanto, sabendo disso, não nos cabe ficar pensando e revivendo coisas do passado de forma insana. Cabe apenas vivermos o presente da melhor forma possível, sem medos, sem nostalgias, sem perplexidade. Cabe a nós recebermos os dias e as coisas com todo o melhor de nosso ser, com o que nos há de melhor em atitudes e pensamentos.
Tentar ser sempre o melhor possível é algo que a vida tenta nos fomentar, nos ensinar em todo o curso de nossas existências. Precisamos ter coragem de romper as amarras e sair de junto aos escombros do passado! Precisamos manter nossos terrenos do presente limpos para colecionarmos e recebermos novas coisas que nos chegam a cada novo pedaço de futuro que se nos apresenta. Precisamos deixar passar as coisas que se foram e não temos mais controle sobre elas. Precisamos receber com o devido encantamento as novas coisas que nos chegam e que, de fato, podem ser fortes o suficiente para serem as coisas que teremos pelo resto da vida.
Quando algo virar escombros: deixe seus escombros no passado e siga! O que é para ser nosso há de um dia ser nosso, seja emergindo do passado, seja aparecendo livre e de forma inocente em nosso presente. Esse é um ensinamento que a vida me deu e tenho tentado aprender com ele ao máximo.