segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Em mim

(das tirinhas de ''Charlie Brown'', de Charles Schulz)

A vida segue seu caminho
Enquanto eu, aqui, sozinho,
Sigo inquieto, sem saber por quê.

Sinto em mim um imenso vazio.
Em dias quentes, permaneço frio,
Pois o gelo ocupa o interior do meu ser.

Sem saber dos motivos, quais sejam eles,
Sigo apressado. Vejo adiante outros seres,
Mas todos estão distantes de mim.

Estando parado, muito tempo passou...
Fiquei estagnado, meu mundo mudou,
Agora o que resta é encontrar-me em mim.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Real Brasil

(tirinha do cartunista Angeli)

Naquele cenário, viu-se o desprezo.
Corruptos levaram do povo o dinheiro.
Roubos sem fim. Na consciência, algum peso?

País incontrolável... Nação febril...
Doente acima de tudo. Onde já se viu:
''Quentes'' pelo futebol, ''frios'' à causa civil?

Torcemos mais pelos esportes
Que pela democracia em nosso país.
Como povo, unidos, seríamos mais fortes!

Somos apenas inertes torcedores...
Não queremos lutar, por mudanças,
Mas esperamos que elas surjam sem dores?

Nosso país está fraco, doente...
Nossa democracia não existe.
Somos um povo sem voz, demente.

Inertes, sim, é o que somos!
Não sabemos o poder da democracia,
Não sabemos o povo que já fomos...

Do ''independência ou morte!'', decidimos morrer? 
Independentes, de fato, somos?
Nem ao menos em luta estamos para ser!

País pobre, doente, febril...
Poderes a alguns poucos poderosos
E sofrimentos ao restante, ao real Brasil.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Por detrás da porta



A parte do mundo preta atrás da porta,
Era sombra medonha para mim.
Por trás de lá, o que havia?
Algo de escuro, um escuro sem fim...

Da escuridão, do desconhecido...
Um estranho ruído ouvi de lá.
Eu sem saber, tapei o ouvido...
Coragem em mim, sei que não há.

A porta se abriu; fez-se ranger
Num ruído medonho, estranho.
Nada vi de lá sair ou se mexer.

Será que ventou, sem eu ver?
Ou meu imaginário sem tamanho
Pregou-me uma peça e fez-me tremer?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A busca do ouro


O amanhã nos reserva infindas surpresas...
Penso, nada concluo e já hoje me inquieto.
Sigo indeciso pelo caminho, antes certo...
Tão ansioso, perco todas as minhas certezas.

Ser humano é estar sempre apressado?
É viver cada dia ignorando o que é certo,
Na incansável busca do tesouro mais perto?
É viver à procura do ouro, perdendo-se calado?

Seguindo, sem fala, sem pensar direito,
O homem se perde na vida de tal jeito,
Que quando se encontra, está velho demais.

Perdeu por si mesmo o devido respeito...
Viveu vagando, sem voz, imperfeito...
Enfim percebeu: tudo passou, não volta mais...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A história que tanto almejo...


O lápis graceja a folha com carícias,
Em um leve e sutil movimento. 
É o obreiro na arte escrita, 
Transcrita naquele momento.

O poeta, por detrás do lápis, 
É o cérebro, o complemento, 
Mas o lápis o autor na obra, 
Perpetuada além do esquecimento.

A arte sublime da escrita, 
Arte eterna e graciosa, 
Traz, mesmo que na guerra, 
Paz à vida tempestuosa.

Oh, sublime arte, 
Permita-me exercer-te... 
Em cada letra, um sentimento; 
A cada página, inequívoco flerte...

Apaixonado por ti, 
Querida arte da escrita,
Amiga tão antiga, 
Amada tão bendita...

Permita-me, em breve, 
Por ti e em ti encontrar-me, 
Alcançando nessa vida 
A paz que me desarme.

Que eu seja um lápis em minha vida, 
Escrevendo em cada dia, 
Em páginas de despedida,
A história que tanto almejo.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Divagando devagar...



Calma, vamos com calma. Iniciemos a discussão por uma pergunta: qual seria o preço da dor? Não a dor de bater a canela na quina da estante...Sim, todos sofremos algo parecido um dia, mas falo da dor dos dissabores da vida...Qual seria tal preço? O preço da dor não é o mesmo do analgésico da farmácia, aquele que nos ''cura'' a canela alvejada por um golpe da estante que estava em nosso caminho. A dor que digo se paga (e se apaga) com lágrimas, que custam muito caro. Sofrimentos freiam a caminhada de qualquer viajante. Por isso, a dor, se é que tem remédio, ele demora para chegar, causando um final feliz e duradouro...

O remédio para a dor, seria o tempo? O esquecimento? Não se esquece o motivo da dor sem entendimento e compreensão, sabendo que aquilo - o momento ruim, o dissabor - passou. Sim, é passado, mas ocorreu de fato. E isso é, afinal das contas, um fato! Negar, não nos traz benefícios. Não crescemos negando fatos. Devemos aprender a seguir apesar das dores, dos dissabores, dos sofrimentos, quais sejam eles. Devemos sempre caminhar apesar deles conosco, pois nos são bagagem necessária para aprendermos a conviver e viver em sociedade - seja no que diz respeito ao todo de nosso país, ou de nossa família, nosso círculo de amizades, ou em um simples par: um casal...

Somos inundados por sentimentos vários dia após dia. Sejam tristes, ou felizes. Mas damos maior atenção às mágoas, aos sofrimentos... Eles marcam mais que os momentos de risos. Por quê agimos assim? Deveríamos dar atenção apenas ao que nos faz e fez felizes, mas não agimos dessa forma. São muito poucos os que conseguem difundir esse modelo agindo sob a luz esse prisma, conseguindo uma prodigiosa façanha de vencer as dores - ou caminhando apesar delas. Devemos nos ater ao bem, ao bom, ao amor, às alegrias da vida, às coisas boas da vida em nossos arredores. Elas estão por toda parte. Apesar disso ser verdade, ao nosso lado, sempre existe alguém em pior situação, o que nos deve servir de impulso - não para que nos sintamos bem com isso, mas que tentemos ajudar a todos ao nosso lado. Nos sentindo úteis, ajudando um outro ser, recebemos energias de bem, de amor, de afeto eternas.... Essas sim nos marcam a jornada e norteiam bons rumos. Não são as lágrimas que causamos nos outros que nos definem apenas na vida, mas sim os sorrisos e alegrias que determinamos ao nosso redor, as coisas boas que viermos a causar e construir, sempre, sem desistir do bem nas coisas da vida. 

Façamos a diferença agindo diferente! Façamos o bem, apesar das dores que não se calam em nós, ou das feridas que ainda não cicatrizaram em nosso peito, em nossa alma... O amanhã está sempre além do que vemos com nossos olhos encharcados em lágrimas desnecessárias... Não se aprecia adequadamente o horizonte estando por detrás da janela fechada de nossa alma... Abram-se as janelas, abram-se as portas de nossas almas e vamos sair por aí. Vivendo o mundo real que não é tão amargo quanto parece, mas apenas temos nosso ''paladar'' viciado, ''enviesado''. Sintamos o doce sabor do bem na vida! 

Ajude a quem puder. Faça-se útil, sinta-se útil. Após isso, retorne ao seu lar e agradeça a todos os que pôde ajudar, pois ajudar alguém, despertar um sorriso: é algo sublime! Felizes daqueles que ajudam e têm a quem ajudar. Solidariedade sempre, é o caminho para um amanhã feliz - para mim, para você, para todos nós.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Horizonte

A cada passo que se fez, 
O começo ficando distante,
Um instante de cada vez, 
Foi a vida seguindo adiante.
Dia a dia, mês a mês,
Ora triste, ora radiante,
No circuito eterno do tempo,
O ciclo inquieto do viver...
A rotina da vida até o morrer:
É isso o que temos de horizonte ?


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Redivivo


Ah, que bom seria se o sol nascesse fosco, 
Pois o brilho em meus olhos chega a ser escaldante.
Queima minha retina, habituada a viver em sombras.
Em mim mesmo, ensimesmado, eu, aqui, estava morto.  
Agora, sigo novamente meu caminho, tenso e absorto.

Parece que séculos se passaram,
Menos eu passei. Menos eu segui.
Mas hoje recordo como era caminhar.
Passo por passo, caminho sem parar...
Sigo os rastros deixados por outros à frente.
Sigo adiante na estrada de chão tão quente, 
Com a luz do sol a me encobrir e me guiar...
Deixo a sombra para trás.
Sigo reto pelo caminho. Sigo sozinho,
Mas tenho Deus em mim.
Os meus entes amados comigo.
Meus sentimentos, das sombras, redivivos...
E isso é tudo, enfim.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Letal


Letal como a flecha que corta e dilacera, 
Ou como o fato que põe fim a uma era.

Letal como o ácido que corrói e destrói,
Ou como a dor da mágoa - como tal nenhuma dói.

Letal como a rocha que cai do despenhadeiro,
Ou como o vento forte que espalha o nevoeiro.

Letal como a canção sentimental ao depressivo,
Ou como o veneno que nos mata o corpo vivo.

Letal como a arma: do estampido tira-se a vida,
Ou como infecção que invade pela ferida.

Letal como o grito na madrugada então serena,
Ou como a enchente ao invés da chuva amena.

Letal como ser o poema que nada quer dizer...
Na intenção de escrever e por ele se transcrever.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

domingo, 11 de novembro de 2012

Levante

charge do cartunista argentino QUINO

Vida, quero-te verde como campina, sendo regada a cada lágrima minha.
No pé da sacada, a gota caída se choca; desfaz-se mantendo sua essência.
Gota a gota, o sentimento se cala à beira da janela. 
Sentimento a sentimento, a boca se cala sem mais palavras dela.
De tempo em tempo, o coração arrepende das recentes metas, 
Mas segue em frente, sempre a bater,
Mesmo que em batida demente....ou, de repente, ausente.

No dia chuvoso, a lágrima em nada soma;
No dia de sol, nem toca o chão, pois seca-se no ar...
Sentimento puro e inefável de amar, és o doce amargor da flor de lótus morta.
Ergue-se a voz, rebaixam-se os sentimentos.
Ergue-se o orgulho cruento, rebaixa-se toda e qualquer sobra de amor.
Dor, segue firme enquanto sentido orgânico.
Sentimento, segue morto como pensamento fugaz, momentâneo.

Vivo e pleno, caminhando em tempos chuvosos, molho o dorso e gasto as solas.
Sigo em frente cansado nos pés.
Adiante sempre, assim; fitando o horizonte.
Avante sempre!
Caminho em terras ermas, mas sinto um levante que enaltece meu brio novamente.

Sigo e espero. Que não seja simples brisa de momento.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Soleira da alma


Pelas dores que trago em mim,
Tornei-me um homem morto.
Sinto uma solidão sem fim.
Sigo pasmo, em mim absorto.

Tornei-me doente da alma.
Uma mágoa se confessa.
Abre-se dela uma ferida,
Mas a quem isso interessa?

Sofrimento, digo que não presta.
A escuridão perfaz-me por inteiro,
E a luz faz-se apenas numa fresta.

Plena de sombras, a alma atesta:
''Não é possível seguir amando...
Com o fragmento de paz que me resta.''

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Movendo a escuridão

Tirinha do artista argentino: QUINO

Não se modifica o mundo com atitudes antigas, nem se modificam os erros com os mesmos sentimentos de sempre. A todo momento, precisam-se de mudanças. O tempo é, a cada instante, diferente do que era, pois passa. Temos de passar adiante. Tornar o que temos dentro de nós a cada momento distinto, sempre visando o melhor em nós mesmos e, assim, em nosso entorno.

Nada é conseguido com ações baseadas na mesmice. Revoluções surgem de atitudes distintas, de gritos que, há pouco, eram sentimentos calados. Não saímos de um estágio para outro sem movimento, mas temos nos estagnado. Luther King sempre defendeu atitudes diferentes, por um mundo melhor, em cada um dos seres humanos da Terra. Deixou sua mensagem detalhando aquilo que sonhava através de seus inesquecíveis discursos. Alguém conheceu ele? Alguém da geração atual de jovens conheceu esse personagem? Não. Desconhecem-no. Infelizmente. Estamos cercados em uma ilha de ignorantes declarados, pois nos dias de hoje ser ignorante é bom, legal, descolado. Passar mais tempo numa academia que em uma livraria é interessante e admirado. Consegue-se mais facilmente uma namorada com algum dinheiro gasto em bobagens que com algum papo inteligente. Consegue-se mais amigos com noitadas banhadas a álcool que em tardes inteiras de conversação. Ser ignorante é legal.

Nos dias de hoje, pensar demais cansa. É como remar contra uma maré. Aquele que reflete torna-se um barco à deriva, pois ninguém o ouve. E o que fazer? Quando se conversa nas ruas, quando se expõe ideais, as pessoas se assustam e não entendem, pois não estão acostumadas com ideais ou com discussões para além do óbvio que lhes é imposto e exposto pelas redes de TV. Conversa-se mais de novela, ficção, que da realidade da cidade onde moramos, do país em que habitamos. ''Política é coisa de corrupto''. Virou jargão popular. Daí, não se discute política. Mas, para cada um dos que não gostam de política, existem outros que adoram e se elegem assim. Daí, mais dinheiro público é roubado, mas, no fim, ninguém sabia de nada. Pura e simples falta de reflexão - e de ação.

Para toda ação, existe uma reação. Para toda reação existir no contexto social, necessitamos de uma reflexão. Por isso os erros e corruptos de nosso país permanecem ilesos. Não se discute sobre as mazelas surgidas no dia a dia, daí, as ações não geram reflexões e, sem essas, não temos reação para as atitudes daqueles que nos são algozes. Ora, o que fazer? Refletir! Mas, sozinho, em nada adianta, pois as conclusões podem ser várias, mas o corpo continua sendo um só.

Lutemos então em conjunto para que modifiquemos nossa realidade. Iniciemos modificando a nós mesmos, pelo menos. O resto acontece como reação em cadeia. Não mais nos silenciemos diante dos erros - nossos e do mundo ao nosso entorno! Sejamos livres para agir, refletir e reagir! Esse pode ser o lema - e talvez uma solução. Será sempre uma máxima verdadeira a seguinte frase: ''nem tudo o que se questiona se modifica, mas nada se modifica sem questionamento''. Falta-nos isso: questionar! Refletir. Assim, e somente assim, teremos um amanhã melhor. Comecemos hoje, fazendo de nós mesmos um ''eu'' diferente para todos!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Cordoalhas



Tudo o que passa, 
Sempre nos fortalece,
Faz-nos mais fortes, 
Sabedoria nos fornece...

Dia após dia,
A dor nos entristece.
Chega enfim o instante
Em que tudo desvanece.

Adiante e, enfim,  radiantes...
Queimando o coração em fornalhas,
Rompemos as amarras da dor
E do amor e suas cordoalhas.

Chegada essa hora,
Suspiros são dados a fundo,
As mágoas vão-se embora,
Deixando-nos seguir no mundo.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jardim



Mais um dia raiou, 
E permaneço em desalinho,
Vendo o tempo que passou
Enquanto eu, aqui, definho.

Em passos lentos, triste jornada,
Tenho hoje aprendizado benfazejo.
Conquistarei a felicidade na caminhada
Alcançando a paz que tanto almejo.

Tempo rude, cruel, nefasto,
Pare de correr rápido assim
Ou de ti, se existe jeito, me afasto.

Plantei minha alma na terra do jardim
Quais frutos colherei um dia,
Da árvore que nascer de mim?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier