segunda-feira, 30 de junho de 2014

Não sou nada

Não sou nada! Não mereço a vida que tenho! Não mereço os bons pais que tenho! Não mereço os queridos amigos que tenho! Não sou em mim o que eu deveria ser, nem tive extraindo de mim o que deveria ter.

Tenho apenas cá comigo um par de olhos que servem-me para chorar. Esse foi o único fim que construí: mar de lágrimas, lástimas, desespero e arrependimentos. Quero apenas, enfim, um fim que a ninguém cause dor; só isso!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Consolo?

A vida é dura demais. Dura e seca. Dura, seca e sem graça. Quão mais o homem pode sofrer e testemunhar sofrimentos para Deus cessar tudo de errado que há?

O que será do mundo? Tantas são as lágrimas e tão pouco há ou resta-nos de consolo. Cabe-nos ter fé em dias melhores, pois, sem isso, não há nada para ter-se por esperar ou fazer.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Fado

Há solidão demais apesar de tantos rosto em volta de mim... A quem quero enganar? Estou só! Sou só eu! Sou um homem solitário, sim. Não é, talvez, de fato, o que eu esperava, mas foi o que construí. 

Pedra por pedra, ergui um muro que me cerca e afasta-me de todos. Isolado, sigo! Sigo? Para onde? Tantas questões sem resposta e cá estou eu nesse ciclo inquietante. Peço a Deus que rompa comigo as barreiras impostas pelas pedras que amontoei em muro, mas Ele ouve? Ele está onde?

Onde eu estou me é desconhecido, como então saberei eu de Deus? Ele está ocupado demais para ouvir alguém que se desconhece... Sigo só! É meu fado.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Rebanho de sonhos


Quero comprar um pedaço de chão no céu onde eu possa criar um rebanho de sonhos... Sonhos perambulando pelo pasto de minha mente, inacabado, etéreo, infinito... O outro lado da vida, eu e meus sonhos. Eu seria um fazendeiro, ou um cuidador, sabe-se lá, feliz a cuidar de meu rebanho livre, sereno, em paz... Sonhos intensos e vívidos, todos. Um belo rebanho, ah... Colocando fim às expectativas frustradas em terra, quero enfim no céu poder criar meus sonhos sozinho, livres pelo pasto comigo. Queria que fosse simples assim...

Vivos, somos apenas criadores de rebanhos perdidos no espaço impregnado pelo material, pelo mundano... Perde-se o etéreo, o sentido de infinitude. Vê? Não temos controle sobre eles. Mesmo sendo nossos, não sabemos onde estão, para onde vão e que fim haverá para eles. Perdemos um a um! Roubam-nos os sonhos! Torna-se ao longo da vida escasso nosso rebanho que na juventude era tão amplo e trazia-nos gozo e tantas esperanças, expectativas... Na terra, precisaríamos de cercas para impedir que alcançassem eles, ou os roubassem, ou os matassem, mas não é possível. É inevitável ir os perdendo, os perdendo até que terminemos a vida como um cuidador de rebanhos solitário, sem rebanho e sem pasto...

 O pasto dos sonhos é amplo e todos conseguem alcançar nosso rebanho ao longo da vida. A matéria nos consome. Queremos ter mais que todos em nossa volta, inclusive roubar (se for o caso) o sonhos dos outros. Precisamos cuidar dele, nosso rebanho, em silêncio. Não podemos fazer alarde de nossos sonhos, porém, quando temos mesmo um rebanho enorme, em sonhos demais para o pasto do mundo, todos notam a presença dele e alguns se incomodam. É aí que nos roubam, os matam, nos extirpam o quanto podem. 

Quero então um pedaço de chão no céu. Assim criarei em paz meu rebanho. Quero que, naquele pasto, ele seja livre e pastem por terras infinitas onde ninguém os retire de mim. Quero ser um cuidador de rebanhos a cuidar do rebanho de meus sonhos, todos livres pelo pasto infinito e sem cercas. Mas é demais pedir isso? Quisera eu pelo menos ter alguma terra do outro lado, ou atingir o outro lado... Por ora apenas recordo do antigo rebanho que tinha e me vejo só, sem pasto, sem nada.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fim que irá chegar


Só queria que o tempo passasse, 
Que a morte chegasse e tudo tivesse um fim.
Queria cessar essa angústia que me há dentro,
Acabar com esse inquietante sofrimento
De não entender o por quê das coisas sendo assim.
Queria apenas que tudo acabasse, ou tudo voltasse
Aos tempos em que nada importava a não ser acordar.
Hoje acordo, sinto-me vivo e choro, por vezes imploro
"Deus me tire daqui!", mas Ele não ouve e então choro.
Tudo é frio e distante quando estamos mal acompanhado de nós mesmos.
Deus há de ouvir o que calo. Há de entender meu sofrimento?
Há espaço nos ouvidos de Deus às preces que rogo?
Há espaço para amor no coração de Deus se o homem o matou?
Há alguém aí em cima que cale meu pranto e refaça meus sentimentos?
Há alguma coisa além das lágrimas que secam-se aos poucos?
Tudo é como tais lágrimas, também esvaem-se, secam-se aos poucos,
Deixando de existir e dando lugar à secura e fria realidade do mundo.
Lágrimas que vão, caindo, secando, para nunca mais voltar...
Somos nós e nossos sentimentos, aguardando um fim que irá chegar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Milagre dos santos


Parece que a vida quebrou, caiu.
Não, ninguém sabe, nem viu...
Tudo seguiu como sempre, adiante.

Alguém sabe o que de mim partiu?
Quem veio, quem voltou, quem saiu:
Poderia me mostrar um eu radiante?

Não sei encontrar o que quero,
Pois não sei onde estou ou o que espero...
Sei apenas que tudo parece sem sentido.

Construí sonhos, cauteloso, tanto esmero,
Para após tanto tempo passado, austero,
O mundo mostrar-me um sonhador caído.

Não mais espero sonhos, nem encantos.
Não mais espero sorrisos, nem prantos.
Espero apenas o fim ou um milagre dos santos.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Tudo está bem

Um dos segredos da vida é aprender a não prejudicar a imagem que as outras pessoas têm de você. Logo, se te vêem como uma pessoa feliz, sorria. Se te vêem como uma pessoa introspectiva, seja assim. Se te vêem afastado de tudo e todos, não se misture. Se te vêem triste, chore. É algo assim. Esse é tal um segredo da vida.

Você pode passar todo um tempo fingindo ser algo, sorrindo pelos quatro cantos enquanto está morto por dentro, porém, quando você expõe algo de tristeza, contrastando com a figura que você era no saber popular (digamos assim!), você está enrascado. Terá de ouvir coisas como, "o que foi?", "não entendi!", ou a melhor de todas "você está diferente!". Ninguém gosta de entender o que de realidade há por trás da vestimenta corpórea de uma alma qualquer como a nossa. Apenas todos preocupam-se consigo mesmos. 

Chore um dia em meio a uma festa. Imagine-se na situação... Caso aconteça alguma vontade disso nessa circunstância, ninguém choraria, pois e o entorno, como ficaria? O que pensariam? Todos nessa situação iriam para um canto escuro, sozinhos, ou iriam embora... Chorar é para longe dos olhos dos outros. Não somos espontâneos, portanto. Sempre pensamos antes de fazer cada ato. É algo que desde cedo nos ensinam, pois é parte do viver em sociedade. É parte do viver em sociedade? Não sei ao certo, apenas lamento ser assim, é fato...

Quando nas redes sociais você posta fotos alegres, todos acham lindo, curtem, comentam felizes sua felicidade, mas ninguém percebe ser apenas uma foto? Posso estar aos prantos colocando uma foto de sorrisos na minha página, não? Perfeitamente. Mas as pessoas parecem negar-se a esse entendimento. Preferem sorrisos corriqueiros em fotos quaisquer. Isso é um alento, pois ninguém gosta de ser perturbada a ordem da alegria aparente que gostamos de expor como sendo a realidade do mundo. As pessoas precisam estar apegadas a sorrisos dos outros, a realidades aparentemente felizes e promissoras para seguir em frente, por isso, não poste fotos triste, nem introspectivas. Não faça isso!

Sorria nas fotos e cale-se diante do mundo. Pode ser uma solução para muitas perguntas e dúvidas que te sujeitarão. Mas faz parte da rotina das redes sociais expôr-se. Exponha-se, entretanto, feliz. Pois, assim como na vida, ninguém verdadeiramente se importa. Apenas querem para si a certeza de que tudo está bem... tudo está bem...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

A fundo


Às vezes parece que tudo está pura ruína. Você olha para os lados, não vê futuro em nada, porém segue. É a rotina da vida, seguir. Você não tem tempo de parar, pois pensa de antemão o que as pessoas dirão se virem você parado. Seria tanto trabalho para explicar, para tentar abrandar o reboliço que seria dado pelo simples cessar dos passos de seus pés. Alguns momentos, quais fossem, de serenidade, quietude e paz, mas não, você segue sempre.

Daí, vez ou outra, retorna a sensação de que tudo é vão e sem sentido. Você desdenha tudo quanto conclui desanimador, pois tem medo de querer parar de novo. Respira fundo, chora quando ninguém está olhando, aproveita a solidão corriqueira para se rearranjar em lágrimas e reflexões, novas forças, seguir. Sempre seguir, não é? É o que as pessoas querem que você faça, mas nenhuma delas vive e pensa da forma que você pensa e vive... Mas todas querem pensar e agir por você, não é? Isso é viver em sociedade...

Cada qual tem suas formas de viver, pensar, concluir sobre os acontecimentos da vida. Por vezes, um simples encontro ou um desencontro para uma pessoa serve como encanto ou desencanto para alguém que, por aquele feito, será mais ou por vezes menos feliz. Encontros e desencontros aplicam-se a pessoas, mas também a coisas, a planos, a sonhos... Tudo é um eterno ciclo de encontrar e desencontrar coisas, ou até mesmo um encontrar-se ou um desencontrar-se, quiçá. Uns sofrem, é certo, mais que outros. Porém, todos optam sempre por seguir, pois dá trabalho demais provar às pessoas que sofrimentos existem e por vezes nos freiam a ponto de nos fazer querer parar... Trabalhoso demais seria explicar, logo, mais fácil seguir.

E assim, dia após dias, todos habituam-se a ver em seu entorno um emaranhado de pessoas aparentemente felizes, aparentemente bem sucedidas, aparentemente seguindo suas vidas. Tudo aparenta estar bem, afinal, é o que interessa: aparentar! Ninguém está preocupado, pois estamos todos sozinhos no mundo apesar de as opiniões dos outros serem nosso habitual par na caminhada, na mente, nas decisões... Dia após dia, a vida segue, nós seguimos, e infindos problemas que cessariam se ao menos déssemos conta de que parar é necessário seguem a existir. Mas eles seguem conosco, pois nós seguimos, insistimos. E assim tudo segue até o fim, quando enfim nada mais seguirá, apenas os comentários de: "era tão novo...", ou "era tão feliz", ou "por que morreu?" - mas ninguém ao menos nos conheceu a fundo. Todos apenas tinham sua respectiva opinião.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 24 de junho de 2014

Desintegrar

Passei minha vida toda querendo ajudar, minha vida toda querendo ser útil, minha vida toda querendo ser exemplar. O que consegui? Nada! Apenas sou hoje visto por uma nesga de pessoas como uma pessoa querida, boa, quiçá... Nada além disso. 

Sou um homem só, triste, que mais quer morrer do que qualquer outra coisa. Em que tudo aquilo me valeu? Em que motivei a mim mesmo honrarias, ou méritos? Nada. Sou eu apenas um monte pulsante de carne e ossos humanos sem vida, entretanto. Sou eu nada mais que nada...

Um susto, olhando pela janela... Sim, há espaço suficiente para morrer. Mas, caso não, o que seria? Qual alta deveria ser a janela de meu quarto? Queria apenas desintegrar-me, sem deixar vestígios, sem caberem perguntas sobre se sofri, se eu estava mal ou triste. Sem espaço para culpas ou tristezas. Apenas desintegrar... Como o faço?

Estamos todos integrados ao mundo, esse cárcere de loucos. Manicômios? Sim, somos um! Um amplo e irrestrito espaço de loucos que negam a si mesmos e uns aos outros. Loucos que não sabem mesmo de nada, nem mesmo que são loucos... Faz parte da doença do mundo a negação.

Queria apenas negar a mim mesmo sobre o que sou, sobre o que fiz, o quanto tentei, o que sonhei e o quão pouco alcancei. Queria apenas negar que me conheço ou que sou algo de mim. Queria apenas desintegrar-me de tudo. Quem dera eu pudesse...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Pedras de calçamento

O quanto estou triste, cabe a mim decidir? O quanto devo insistir, cabe a mim definir? O quanto quero viver, cabe a mim o fazer? O quanto quero morrer, cabe a mim sofrer? 

Em pedras de calçamento, desfiz-me. Piso em mim mesmo para seguir, acredito. Quanto eu poderia aceitar ser assim? Quanto tempo esperei para atingir o fundo do poço que hoje vejo, mas desconhecia? Quão pavoroso pode ser acordar e ver a si mesmo no escuro? Nem mesmo meu reflexo consigo ver... Sou um louco qualquer e o que há é o fundo do poço. Apenas o poço, profundo, escuro, escuso... 

Queria não cair, não sofrer, estar de pé.. Altivo? Sorridente? Crente em dias melhores e na felicidade... Trai minhas esperanças! Trai meus sonhos! Trai a mim mesmo acreditando que tudo valeria a pena, mas não valeu de nada. Hoje, sou cálice vazio, trincado, esquecido num canto, num lixo qualquer onde não mais serve para o deleite de um bom vinho, mas pode cortar, machucar... Sou um cálice quebrado e vazio.

Não sei mais o que quero, nem onde estarei amanhã. Apenas queria não estar mais. Causa-me medos... Queria apenas não estar, mas poderia doer, traumatizar quem ainda estivesse aqui, quem ficasse. Queria apenas ir, sem despedidas, sem ser notado. Que o mundo seguisse sem mim. Sem mim? Sim! Teria sido tudo muito melhor... Muito melhor, mas eu existo. Quisera eu não mais...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Sobre a idade

Quando menos se espera, o tempo passou, estamos velhos demais e não há mais tempo a perder, pois, afinal, nem mais tempo há.  Quando menos se espera, tudo que passou é motivo de lamúria… Estávamos distraídos demais e não demos conta de termos perdido tanto tempo sem o total aproveitamento de cada instante. Preocupados estávamos com a profissão, com as tarefas, com as contas, com a gasolina do carro, com as janelas deixadas abertas em dias de chuva surpresa… Sim, tantas preocupações. Deixamos tomadas ligadas desnecessariamente? Sim! Geladeira aberta sem querer e estragamos comida deixando-a perder-se? Tantos prejuízos tolos que preocupamo-nos tanto com eles, não é? Sim!

Estávamos sempre preocupados, não? Porém, a idade nos chega, os dias passam, e damo-nos conta: as coisas que estragam e gastam-se, acreditemos nisso ou não, são apenas e meramente nós mesmos. Daí, sobram as lamúrias das viagens que não fizemos, da saúde que tínhamos e não desfrutamos, dos amigos que caminhavam conosco e os perdemos, dos animais de estimação que nunca fomos capazes de levar para passear. Sempre faltou-nos tempo, não foi?

Seguimos sempre caminhando calados, sozinhos… Por mais acompanhados que possamos estar, estaremos sempre, no dia derradeiro, sós. Levaremos apenas lembranças conosco dessa vida. Quando olhar para o lado e não vir ninguém, não se assuste, pois a solidão esteve sempre conosco - embora o barulho do mundo não nos tenha deixado perceber isso em tempo.

Estamos, em vida, caminhando até o túmulo? Cabe-nos então desfrutar dos demais indivíduos solitários  ao nosso redor e, em tempo de viver, desfrutar de cada instante. Viajar? Sim! Conhecer histórias e coisas? Sim! Beber e comer comidas distintas? Sim! Mas nunca, nunca parar de viver como se o dinheiro que precisamos ter para pagar contas amanhã fosse motivo de sofrimentos no hoje. É um estilo de vida ocidental, talvez, que adquirimos e tanto nos impede de viver plenamente…

Sempre norteamos nossos dias e o aproveitamento das horas de acordo com o dispendioso ato de adquirir bens para pagar por outros produtos de consumo. Será essa uma limitação moral ou cognitiva que temos? Sim, gastamos a vida adquirindo pertences e outras formas de bens materiais para trazer-nos confortos, uma velhice confortável, não é? Não pretendo morrer velho, mas sei que morrerei um dia. Não quero, entretanto, morrer sabendo que apenas existi por determinada quantia de anos.

Quero ter a certeza de que desfrutei dos anos de existência ao lado de pessoas que me fizeram bem, de momentos que me fizeram sorrir, de desfrutes que me fazem lamentar não ser eterna a vida. Não quero uma conta recheada, mas sim muitas memórias. É o preço da idade: pagar com sorrisos a devida quantia de anos que se passem. Espero estar certo – se não estiver, recomendo mesmo assim tal feito. Que assim seja!


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 14 de junho de 2014

Do alpendre

Quero tardes vazias de um sábado qualquer onde eu possa deitar-me, escrever coisas que me abrandem, cantar músicas entre assovios e voz ao pé da sacada, esbanjando uma tranquilidade por sobre a sombra de um alpendre... Quero o cheiro do café passado na hora, a sensação de que o dia vai lentamente embora e a certeza de que domingo há de vir para encerrar um final de semana pacato e pleno. Quero a certeza de saber-me existindo num cenário meu, onde não haja espaços para páginas em branco ou monótonas, uma vez que a serenidade do cenário já existente é, para mim, tudo...

Quero calado, mudo, sentindo o vento a bater-me no rosto, ver por debaixo da sacada carros apressados como se dissessem: "saia da minha frente". Quero rir da pressa valendo-me da calma que trago em mim. Quero desfrutar de abraços carinhosos da mulher amada somando sua sombra à minha no piso do chão que testemunha nosso sábado de ócio e carinhos. Quero desvendar os milagres e mistérios do amor em momentos de paz assim! Há vida demais dentro desse espaço de harmonia debaixo desse teto, o alpendre que, numa analogia boba, é para mim um arco do triunfo, pois, triunfando por sobre a solidão de tantas tardes vazias e solitárias, essa corre fazendo-se eterna a triunfar por dentro de minhas memórias como a melhor coisa que exista, ou algo assim... Quero sentir a eternidade nesse momento no tempo que passa calmamente, brando. 

Abro o vinho, ou quiçá uma cerveja, ou meramente divido goles de uma caneca com café e leite quentes, aperto mais ainda o abraço em que eu já embrenhava-me, sinto o cheiro da mulher amada e percebo um sorriso de soslaio que acalenta minhas dores prévias como se as mesmas nunca tivessem existido. Isso é tudo embora pareça uma simples tarde de ócio num lugar qualquer! Uma tarde de sol por debaixo do alpendre... Há espaço demais no mundo para mim, mas aqui caibo bem e sou pleno...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Caminhos

Corremos riscos de ser usados se não formos devidamente ousados. É uma verdade! Aqueles que tomam para si as ações e responsabilidades delas de peito aberto, à revelia de seus medos e preocupações, tornam-se donos de seus destinos, não apenas espectadores. Seguem sendo donos de seus narizes, de suas vidas, deixando de ser guiados por opiniões e preceitos alheios.

A vida passa e quem ousa caminha com méritos; quem não, apenas segue o rumo, o fluxo, tal qual um gado indo a um matadouro inevitável.

Que saibamos ousar, valendo-nos da vontade de ser livre, alcançar objetivos sendo devidamente racionais e pautados em bons sentimentos, sempre. Rompamos os medos, as amarras, os nós na vida e na garganta. Caminhemos seguros, incansáveis... Adiante, rumo a dias melhores sempre, pois quem sempre busca, sempre há de encontrar caminhos amplos a desfrutar e apreciar
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 4 de junho de 2014

É noite

Sim, depressão, deprimido... Humor ausente, quiçá? Demente? Poderia explicar, mas não resolver. Passo os dias a pensar o que se deu em mim para tal fado eu carregar hoje. Quando comecei a esquecer-me de mim? Hoje, apenas encontro restos do sonho de humano que tracei como objetivo. Sou um fardo para meus próprios ombros. Não me deixe só, peço...

Peço com calma, para que não se zangue. Não quero ninguém zangado. Quero apenas vencer esse humor deprimido, esse estado alterado que me deprime. Não, não quero mais nada além de sua compreensão, sua presença. Isso é o que peço! Atenda caso lhe seja possível.

O que mais penso? Sobre mim? Se a janela de meu quarto é alta o suficiente... Isso! Mas não posso atrever-me a tal desvio de rumo. Meu senso de esperança que me faz acreditar que tudo há de tornar-se melhor um dia cobra-me zelo e apreço à minha vida. Derrocada? Ainda não atingi a derradeira, mas eu de fato já estou entregue...

Entrego-me! Deixo-me livre para ser escolhido por alguma alma boa pela vida, alguém que rompa caminhos e atravesse minha caminhada para dar-me esperanças desde o primeiro contato, um simples oi, um abraço... Alguém precisa salvar-me de mim. Isso! Cabe ter esperança. Esperança que hoje mantém-me aqui, por trás da janela! Será por essa mesma esperança que conseguirei um dia olhar novamente da janela com deleite o nascer do sol, ou o entardecer, ou a noite que existe para além da que escuridão que habita em mim. 

Além da janela há esperanças, mas preciso por agora confiar na que há atrás, antes dela. Quero apenas olhar pôr do sol pela janela... Cabe viver e esperar. É noite! Está escuro, ou sou apenas eu?
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


Pássaro caído

Muito prazer, eu sou um pássaro caído! Construí um ninho em solo baixo e por lá fiquei. Gravetos envelhecidos como minha cabeça oca... Sim, estou ficando velho! Crianças, não envelheçam como eu!

Meus cabelos e hábitos não são mais como outrora. Não, não posso me enganar. A juventude esvai-se de mim por entre meus dedos desatentos; mãos calejadas, boca calada, alma enfadada de um "eu" caído...

Doída, sim, é a sensação que resta da vida. Dói o coração, a alma, o âmago que antes abrigava esperanças... Hoje, restam dores apenas? A vida dá-se enquanto aprendemos a carregar as dores, penso eu. Talvez a vida seja puramente aprender a carregar dores, quiça...

Por todos os cantos, em todos lados, olho, penso e choro. Não sou mais o que eu era antes ou planejava ser hoje. Apesar disso, eu era alguma coisa? Tanto sonhei, mas nada... Nada sei a não ser que estou de fato caído. De passos trôpegos, pés calejados como as mãos, voz entalada na garganta como um nó, alma entristecida como em uma despedida eterna de algo que desconheço, sou eu aqui!. O que perdi? Ou melhor: onde perdi-me de mim e onde hei de me encontrar?

Aguento-me a cada dia! Tento criar estratégias para sorrir, suportar... E nisso, faço um ensaio de um novo eu de segundo a segundo, em todo o tempo. Como vencerei essa mesmice de achar-me só, triste, calado, trôpego? Oh, pedaço de mim que me falta, onde estará você que nem sei se perdi, ou onde perdi, ou se devo ou não procurar... O que fazer em meio a tudo quando tudo parece já de fato feito, imutável apesar de seus esforços? Responda-me alguém? Nada consigo mudar. Apenas sigo dia após dia ensaiando um novo eu que em si mesmo suporte a si em passos mais firmes. Alma entalhada por pedras lascadas lançadas pela vida... Pedras do caminho. 

Despretensioso, seguia eu rumo a dias de paz, mas onde eles estarão que não dentro de mim? Cá dentro foi o único local que não consegui expor, abrindo-me para encontrar-me em meio à caça na qual me encontro. Talvez eu me encontre em mim, é a solução? Porém, sigo sem esperanças para tal, uma vez que vejo-me como o pássaro caído em seu ninho em solo baixo: cabisbaixo, olhando para o chão enquanto espero minha sombra desaparecer enquanto a noite cai, cai e cai....
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

A última dança


Trazendo comigo lampejo de esperança, lá vou eu para a última dança.
Valendo-me de um passado distante, peço: dance! Dê-nos essa derradeira chance.
Pegue minha mão e caminhe comigo. Deixe-me ser parceiro, amor, amigo...
Peço-te apenas essa dança, te espero! Sim, trago a esperança, já disse o que quero:
Dançar! Bailar em passos singelos, de mãos e corpos dados em verdadeiros elos.
Elos de amor, de esperança, de vida que segue. Permita-nos a dança, não nos negue!
Espero teu passo. Sim, o primeiro passo. Sem ele, esperarei vão, sozinho no espaço...
E o espaço vazio ao meu redor permanecerá. Cabe a ti ocupá-lo. Esse dia chegará?
Estarei aguardando aquele derradeiro passo seu a iniciar a dança e o sonho meu.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

domingo, 1 de junho de 2014

Pouco importa



Não tenho vivido, tenho apenas matado o tempo.
Não tenho sentido nada além de raros lampejos de vento.
Não tenho conseguido nada, apenas frustrado expectativas.
Não tenho mentido, pois nem mesmo tenho falado.
Não tenho mudado, apenas sido como o errado que sou.
Não tenho dito nada além do trivial na sequência das horas.
Pouco importa se essa é tal a realidade. 
Pouco importa o que sinto, sei ou sou.
Pouco importa "eu"!
Isso é o bastante que há.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Noite adentro

Se todos os corações fossem maiores que o ego das pessoas que os trazem, teríamos um mundo melhor. Há espaço de menos no mundo para tantos egos inflados demais. Por qual motivo tudo isso, penso? Não há como acostumar-se com o excesso de vontades de externar preço das coisas que todos têm, num carrossel de ostentação que transita luminoso nas noites, nos dias, nas festas, nas casas de todos... Há egocentrismo demais. Isso sim. Culto ao ego. Culto a egos inflados.

Saímos à noite e pedimos a bebida mais cara, vestimos a roupa mais cara, informamos nas conversas (mesmo fingido ser sem querer) tudo o que temos, que queremos, que podemos comprar... Um carrossel, sim. Um carrossel de sentimentos centrados no ego, na vontade de se auto-afirmar e querer ser admirado. Porém, penso: admirado? Quem admira-se com isso? Sim, tristemente vemos que há muitas pessoas. Mas, que assim seja. O mundo é grande e cabe gente demais, porém nosso coração, ao contrário, é muito pequeno e não pode comportar tanta gente. É por isso que sempre selecionamos quem queremos ao nosso lado. Que tenhamos a sorte e os olhos devidamente atentos para saber escolher quem transita conosco. 

O mundo está cheio de gente boa, mas bons, em bom funcionamento, também precisam estar nossos olhos e nossa mente (apoiada em nossas sensações, claro!). Chegará a hora em que todos encontrarão a si mesmos dentro do reflexo no espelho, não mais buscando a si nos olhares dos outros. Isso é um aprendizado longo, muitas vezes derradeiro, funesto nesses casos. Para alguns vem no último suspiro.... Amadurecer é uma longa jornada. Mas chega o dia em que todos aprendemos, afinal, crescer é difícil.

Noites bem dormidas ou mal dormidas são parte da existência. Que as mal dormidas sejam devido a estarmos até altas horas com as pessoas que gostamos de estar, sem pretensões de ser mais, ou achar-se menos, pois não é a intenção dos verdadeiros amigos diminuir ninguém. Que sejamos nós mesmos e que nos sintamos amados assim como somos. Afinal, quem ama não exige! Quem exige impõe, e imposição não combina com amor, pois cerceia liberdade. Amar e admirar sem permitir ser livre não é ser amado, nem admirado. Por isso, abramos os braços e abracemos amigos e pessoas queridas da vida! Não mais abracemos quem acha que pode comprar-nos um abraço ou acha que seus (a)braços são melhores que os nossos, algo assim... Deu para entender. Fica aqui uma reflexão algo embriagada, é fato, mas nem por isso menos real... Obrigado às pessoas amadas que tenho a sorte de ter ao redor. Cerquemo-nos de pessoas amadas! Isso! É a solução para agradar nossos corações sedentos de paz, harmonia e amor.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier