terça-feira, 31 de maio de 2016

...Que nunca falte...


Naquilo que era uma casa, havia um menino.
Mirrado e quieto, coitadinho - tão pequenino.
Dormia, ingênuo; chorava, vez em quando...
Pedindo comida, vinha logo a mãe lhe dando.
Plena em seu amor, tirava do próprio prato e dava.
Sofriam escassez de tudo naquela casa, mas amor?
Esse nunca faltava...

domingo, 29 de maio de 2016

Antes que a vida sangre

Queria dar meia volta.
Ir de encontro ao passado.
Rever velhos amigos, quem sabe...
Ou, simplesmente,
Poder virar, correr e correr!
Sair desse ponto e
Desligar de tudo quanto há.
E que haja algo por haver,
No passado que verei.
No fim, queria apenas correr!
Ver o hoje, parar, virar, correr...
Sim, cento e oitenta graus!
Correr então até o início de tudo.
Chegar à mais tenra infância.
Atingir o tempo mais derradeiro
Do caminho inverso que fui...
Parar lá. Não mais fazer o que fiz.
Fazer diferente as coisas
Ou nunca mais voltar. Ficar lá..
Estancar o passado
Antes que, dele, a vida sangre demais...
Mover no tempo, secar o chão úmido.
Queria apenas correr do presente.
Queria apenas poder estar ausente.
Quem sabe se demente eu fosse...
Poderia encarar melhor os dias?
Queria apenas querer, conseguir ter, reter...
Quantas coisas eu gostaria de ter e reter...
Perdi a mim mesmo em meio a isso.
Como eu poderia reter algo mais, além?
Não encontro mais nada.
Nada, nada. Nem ninguém.
Nada resta além de um suspiro
Enquanto ainda sigo caminhando adiante.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Testamento

Testemunho deixo que tentei. Tentei ser melhor. Tentei sair da vida sorrindo, ao passo que todos nós nascemos já chorando. Lutei, dei o melhor de mim. Não espero a certeza da confiança de todos nisso, mas é apenas o que preciso dizer.

Anos, anos lutando e esperando conquistar algo, conquistei bagagens e bagagens para levar de amargura, angústias, decepções comigo mesmo e com as coisas, o mundo, as pessoas... Mas, ao passar daqui para outra jornada, não levarei nada. Espero até que não haja nada. Nada!

Aos governantes de minha nação, deixo meus braços. Afinal, eles serviram e apanharam na lida posta por eles. Aos que me odiaram, deixo meus pés para que os coloquem longe deles. Assim, nunca mais ouvirão meus passos chegando... 

Às coisas que não consegui alcançar e com as quais me decepcionei, deixo meus pulmões. Afinal, foram tantos suspiros e soluços de choro por elas. Caso seja difícil entrar num consenso entre dividir meros dois pulmões a tantas delas: enterrem meus pulmões debaixo de um muro qualquer! Pois, assim, decepções foram fortes barreiras contra as quais bati, bati, bati e chorei, chorei, chorei, sem vencer. Seria simbólico e apaziguaria os ânimos!

Meu coração? Deixo para que seja jogado no primeiro rio caudaloso, daqueles que levam ao mar... Joguem-no lá! Quero que meu coração atravesse os mares, depois de morto, pois em vida não fui capaz de fazê-lo conquistar na bagagem as viagens que sonhamos. Deixem que o mar o leve até um tubarão qualquer o devorar. Pois em vida ele já foi tão vilipendiado, mordiscado e ferido aos pequenos cortes a cada decepção... Que, fazendo assim, num derradeiro movimento de um "monstro" real, seja causada a laceração derradeira, mas seja rápida e definitiva. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

... sem fim

Não sei quantas são as horas que tenho,
Mas sigo refletindo e, em perguntas, me embrenho!
Vejo tão raso o mar de respostas,
Enquanto tão profunda é a lama de perguntas!
Eis que mais um dia chega, e eu: que fiz disso?
Nada faço a não ser tolices profundas
Pensando que sou algo além de mim, algo além "disso"!
Não me obedeço, sendo esse "eu" - ou esse "isso".
Quem dera eu pudesse desfazer-me do que sou,
Doar minha alma a outro corpo que, enfim,
Pudesse seguir minha vida sem eu!
Quantos "eus" há em mim? Vivo, me perco
Nas horas, no tempo, nos dias que passam....
Pensando tanto, agindo tão pouco,
Sou coisa alguma que por ora existe
- e insiste sempre em não sair do lugar!
Sou como veias que esgarçam-se...
Degenerando após a morte se dar,
Jorram sangue e, enfim: as veias morrem...
Jorrando pensamentos, eu sigo, mas morro!
Pois, pensando, faço nada. Fazendo nada, penso mais.
Não sou herói de ninguém,
Muito menos, de mim, capataz!
Não me obedeço, daí sofro horrores...
Sem um comando em mim, o que ofereço?
Apenas existo, sendo alma perdida,
Sem rumo - mas com automático fim -
Sob a inércia de mim, por sobre ágeis dissabores.



Tardei

Admiro o tempo que passa,
Mas vejo que passo com ele...
Com o tempo que esvai, o corpo se desgasta.
Como o tempo que vai, vou - pois sou nele!

Rápido ou lento, há o tempo - apesar de mim.
Sou o que penso? Sou tantos; sou fato; sou fardo...
O tempo carrega-me nas horas sem fim
Enquanto, em rogativas, sigo - e tardo, tardo...

As horas passam, aos rodopios, acenando.
São como felizes pássaros perdizes!
Ah, horas fugidias... Voam, voam cantando...
E tu, Deus, o que dizes? O que dizes?

Deixo-me entregue à sorte!
Sou viajor desses rincões sem fim...
No incômodo passar das horas, sigo à morte,
Entregue, sem saber dela, dEle ou de mim.












quarta-feira, 11 de maio de 2016

Pátria amada (malograda, vilipendiada), Brasil!

Foi por foro privilegiado 
Que vimos o nobre deputado 
Largar seu helicóptero 
E seguir, inocentado?

Foi por uma pútrida base aliada
Que a democracia, coitada,
Viu-se entregue às mãos despóticas,
Em anos de ditadura, sendo pátria fardada?

Foi por não ter escolaridade suficiente
Que, em meio à corrupção contundente,
Deu-se, por todo um ódio acumulado no país,
Uma imponente caçada a um ex-presidente?

Foi por sermos pouco adeptos a estudos de política
Que elegemos arbitrariamente uma nova figura mítica?
Foi por isso que um deputado qualquer, candidato oportunista,
Pôde babar insanidades na cara de nossa democracia raquítica?

Foi por sermos esperançosos (ou tolos) demais
Que tomaram-nos por cabos eleitorais
A defender gente que mantém plenamente vivas 
As mesmas mentiras que enganaram nossos pais?

Ah, Brasil, terra forjada em séculos de dores e prantos...
Vê-lo entregue a pretensos "mártires" e "santos",
Que insurgem novamente como heróis, causa-me asco! 
Triste, concluo: o país é um, mas eles são tantos, tantos e tantos...

Tudo isso por uma maçã?

"Parem o mundo. Quero descer!"
Não que com isso eu queira morrer...
Mas continuar nessa terra, para quê?
Ah, essa sensação de ser a próxima vítima do ódio...
Ou o próximo a cair numa sarjeta, em episódio
De crueldade corriqueira... Chacina? Bala perdida?
Quisera eu poder olhar para Deus e falar-lhe da vida.
Dizer que abandonei meus sonhos, que estou de partida...
E que de agora em diante viverei somente por protesto!
De início, penso que verei Deus me olhando, rindo-se todo.
Daria de ombros? Ou me castigaria jogando-me no lodo?
Não sei, mas Ele há de concordar que essa terra vai mal...
Claro, eu me explicaria mostrando a Ele dados do mundo!
Seria difícil convencê-lO do horror que é esse caos profundo?
Andamos mal das pernas e vivemos temendo tudo!
Ah, Deus, como deveria ser bom o tal do Éden...
Tão somente pela tal maçã, as alegrias do mundo cedem,
Ou algo mais explica esse mal estar em que todos se perdem?
Enfim, quem sabe Ele me dê alguma justificativa?
Viver nessa terra de gente impune, de maldade tão altiva,
Consome vontades de gritar: "Aleluia!" - e mais ainda: "Viva!".

terça-feira, 10 de maio de 2016

Apesar de tudo!

Homenagem à inequívoca iniquidade

Quer seja cobra...
Quer seja tucano...
Quer seja afamado religioso...
Quer seja um reles tirano...
Quer seja um cidadão de bem...
Quer seja um consciente alienado...
Ou um alienado por (des)engano:
Vemos todos contribuindo
Para aumentar angústias e esperas
Pela ordem e pelo progresso.
Nossos planos tão sonhados
Que foram prometidos noutras eras.
Enquanto isso a tirania e ódio seguem vindo...
Muito "blábláblá" e muito "mimimi".
Muito partidarismo ensandecido!
Muita realidade para poucos sonhos...
Muita briga e ódio num país vendido!
Sem mudanças necessárias, segue o dissabor:
De ver o oprimido, em um todo mal construído,
Se erguer, mas se tornar o novo opressor!
Paulo Freire nos alertou e tinha toda razão:
As realmente necessárias e profundas mudanças
Terão de surgir de um novo modelo de educação!
Mas os poderosos não querem para nós tais saberes!
Muito pouco ou nada deram de si para ouvir o velho Paulo.

Como salientado em famigerada frase, tantas vezes repetida:
"A crise na educação do Brasil, não é uma crise. É um projeto!"
Em nosso povo, década a década sabotado
Com um modelo pífio de formação em educação,
Vê-se hoje, talvez mais que antes, um fato consumado:
Não houve um futuro coletivamente sonhado
Para nossa educação!
Aqueles que sonharam em conjunto
Foram calados ou expulsos da nação!
Não foi posto em prática qualquer plano!
Nunca foi prioridade educar nossas crianças.
Concluíram como caminho ter jovens e adultos
Inseridos num contexto de completa alienação.

Como assim? Explico melhor então:
Mais "produtivo", na visão do opressor,
É ter um povo pouco educado e cativo, não?
Os poderosos de sempre
Entenderam isso muito cedo!
Antes, educavam com chicotes,
Hoje educam destruindo a educação.
Destroem de diversas formas, com diversos boicotes.
O que sobra é um povo sem rumo sobre a terra
E que não se faz nação.
Ignorantes de si e das coisas, um povo assim
Não há de exigir muito de seus líderes eleitos!
Daí, basta educar e guiar esse povo com o medo!
Medo das guerras, medo dos comunistas...
Medo da fome, medo que não some!
É medo sob mais medo, medo e medo...
E o modelo de Estado que cresce
É o que sustenta uma sociedade de degredo.
Perpetua-se uma atmosfera que nos consome
Onde há medo da justiça, medo das leis...
Medo de ser morto na próxima esquina...
Somos terra onde há medo de tudo,
Como o de estar entre os mortos da próxima chacina.
Somos todos parte de uma realidade ferina,
Seguindo curso, suposta sina,
De ser simplesmente um povo acuado e mudo.

Seguiremos como gado, nas mãos de demônios?
Demônios criados que passam como anjos salvadores?
Capitanias hereditárias, ainda há, senhoras e senhores!
Antes eram só terras de reconhecidos "senhorios" medonhos.
Hoje todos vêm em ondas pelo ar, sem fio...
Chegam-nos dando ordens de todos os lados!
A tecnologia pôde trazer nossos tiranos
Para dentro de nossas casas onde seus discursos
E suas conivências ficam enraizados!
Nós? Presos, sem forças, nem asas, nem planos,
Como vamos nos unir, fortalecidos,
Para superar séculos de desenganos?
Séculos de verdades rasas e mentiras,
Tantas, que causaram em nós tantos danos,
Muitos deles já, aparentemente, esquecidos...
Quer ofendam-se por "coxinhas";
Quer ofendam -se por "petralhas";
Quer ofendam-se por outras bandeiras,
Todas hipócritas e falhas:
Dessa divisão criada, nada inteligente,
Apenas mostramos que aceitamos,
Defendemos e até adoramos essa gente
Que por nós não há de fazer nada!

O poder não é e nunca foi do povo
- ou de gente que pense para o povo!
Isso é mágoa para tantos que sonharam.
O sonho da democracia não é novo!
Darcy Ribeiro e Betinho, por exemplo,
Morreram na lida, sempre sonhando...
Dia após dia, lutaram pela igualdade
Que surgiria aos poucos, digamos assim,
Como do chocar de um ovo...
Mas entregamos nosso norte a essa plutocracia
Que nos rouba a democracia
E joga migalhas e discórdia sobre nós,
Povo esquecido, entregue à própria sorte...
Mantendo plutocratas no poder, as mãos calejadas
E os sonhos pueris de nós todos, seguirão vazios
Com o futuro a se perder de novo, de novo e de novo.
Como corvos ou abutres que comem
Nossa carne, que destroem nosso "ovo",
Reelegem-se por nós: esse tão perdido povo...
Fingindo-se de honrados, quase plácidos,
Defecam sobre a constituição enquanto voam...
Transformam a necessária política em indiscutível estorvo.

Que haja logo o desencarne dessa vida
Ou, para ser brasileiro, terei de mudar
Meus sonhos e expectativas na lida.
Pois vejo que o poder nunca será fraterno!
Nossa realidade nunca passará desse inferno.
Ora um, ora outro, gritando palavras
Com bandeiras, estrelas, bonecos nas mãos
E slogans pensados no peito...
Buscam todos, somente (e tão somente),
Levar um dos seus a ser (re)eleito!
Usam o povo que, tolo, deixa-se persuadir...
Surgem os novos messias, a cada pleito,
Com palavras bem ditas e frases de efeito...
Enfim, levaram de mim o que havia de esperança
E seguem matando um tanto de mim que há...
Mas não vou me resignar! Vou resistir!
Claro, não sou daqueles que luta querendo vingança!
"O homem é dono do que fala e escravo do que cala". 
Não vou me calar e posso ainda falar!
Mas sei que há em nossos dias
Gente que mataria, se pudesse,
Quem deles discordar. Ainda posso discordar?
Posso! É direito de todos - e que seja assim
Apesar de tudo!

A busca pela equidade
Nunca sairá do papel?
E o papel da Constituição,
Seguirá servindo a quem?
Aos poderosos de sempre, invisíveis,
Na Terra e nos céu,
Às leis? Fingindo e fazendo propaganda
Auto-intitulando-se gente de bem?
O povo seguirá desunido
Por esse ódio implantado, insano e demente?
E os réus? E os condenados?
Seguirão como algozes libertos
Tendo-nos sempre por massa cadente,
Passando-se de maneira tão hipócrita
Por gente decente?
Decerto, sempre poderosos e impunes,
Ninguém nunca calou suas vozes!
Foram e são  sempre aplaudidos (e votados),
Todos eles tidos não por réus,
Mas sempre por reis - embora atrozes!
Vendo isso, os dizeres "Ordem e Progresso"
Seguem desgastados.
Nossa gente perdeu suas vozes?
Corrompidos numa sociedade imatura
Ainda aceitamos o poderoso que nos adula
Enquanto mata inocentes em uma cela escura.

Galopando

Ah, a tão linda terra do futuro sonhado...
Como é bom quando se tem sonhos;
Quando se espera e se encontra o almejado.
Ah, terra de dias felizes e não enfadonhos...

Quero ir de galope em meu Rocinante.
Devo sonhar mais um pouco? Quem sabe seja isso?
Ainda não cheguei na terra dos sonhos. Avante!
Avante? Avante sempre... Que haja futuro nisso?

sábado, 7 de maio de 2016

Às mães

''Mãe...'', gritou Mafalda um dia, numa tirinha de Quino - o genial Quino. Ela queria ter certeza se ainda existia alguma palavra boa no mundo. E não é que Quino nos trouxe à razão novamente naquela tirinha? 

Mãe...! A origem, o cerne e o envoltório da vida. Mãe! O complemento perfeito. O amparo na dor, a cobrança benfazeja, o colo no desamparo, o alimento na fome, o amor, o amor, o amor a todo custo, a todo momento, a toda prova... Ser mãe não é tarefa fácil! Por isso Deus deu à mulher. Elas são mais fortes que nós, homens. Ser mãe é tudo isso acima e mais tantas coisas, embora escreva-se com apenas três letras.

Ser mãe é tão difícil que Jesus, o representante de Deus na Terra, precisou ter sua mãe! Ele poderia ter surgido do nada e dito tudo, depois sumido... Sei lá! Mas não! Deus colocou seu mensageiro junto a uma mãe - que seria a dEle e representaria a de todos. Isso não é belo de se pensar? 

O filho de Deus, forte na mensagem, potente no verbo, razão e afeto juntos num ser só precisou de ter sua mãe e a procurava sempre que necessário, claro. Jesus deve ter chorado algumas vezes por medo, solidão, tristeza qualquer advinda de Si e do mundo. E sei, dentro de mim, que Ele correu para os braços de sua mãe nas horas de dor e desamparo. 

Jesus quando foi ao deserto, na verdade, simplesmente não queria preocupá-la com suas preocupações. Penso assim. Ele as enterrou na areia do deserto para ela não as achar. Quando voltou, já mais forte e decidido, refeito, fingiu que tudo estava bem. Bons filhos fazem isso: enterram dores no deserto. Mas mães encontram! Rastreiam desamparo, desgosto ou qualquer tristeza em seus filhotes. Não é?

Mães sentem quando seus filhos trazem ''cheiro ruim'' para dentro de casa. Seja ''cheiro podre'' do mundo externo (consumido em tragédias e insanidade) ou do mundo interno (quando temos nossos desamparo e angústias aflorando). Sim, temos mundo ''lá fora'' e ''cá dentro''. Por vezes carregamos os ''odores fétidos'' das podridões que há de um lado a outro... Devido a isso, Deus deu aos homens suas mães! Deu também ao Seu filho! 

Mães constroem barragens quando toneladas de ''lixo'' querem nos inundar destruindo as pequenas cidades dos afetos dentro de nós, matando parte do que temos de bom lá dentro... Lá dentro... Mães freiam carros e desviam rotas de aviões para salvar seus filhos de calamidades. A bem dizer, orações de mãe pegam e mudam mais a realidade que qualquer ódio de quem quer que nos odeie. Não? Mães amam! E amor de mãe não se encerra nunca. Amor de mãe chora, cobra, mas abraça, ama.... Amor de mãe é inesgotável e inexorável!

Obrigado, Deus, por nos ter dado mães! Sem elas, como diria Mafalda: estaríamos nesse mundo atroz sem nem mesmo ter essa bela palavra que encerra em si tanto amor, resume amor - pois ser mãe é sê-lo! Mãe é amor e é amar. 

Mãe não é pessoa, é ato de Deus na encenação da vida na Terra. Encena-se como peça sobre um anjo diuturnamente preparado para trazer alegria quando o choro é notório, reflexão quando o erro está logo adiante... Mãe é pluralidade. Mãe é tudo! Mãe é... sei lá. Mãe é mãe! Isso é tudo do mais resumido que posso falar!

Imagine, só. Só imagine

Tenho certeza que já ouviu a canção "Imagine", cantada por John Lennon. E também que já assistiu ao clipe (ou seria vídeo?) dele com sua amada Yoko. No início, ambos caminham sob neblina, sob pouca luz; mas juntos, sempre! A visão do que há além é prejudicada pela luz escassa. Até mesmo ver um ao outro, ver os próprios pés, ver o chão que pisam é dificultoso. São terras com muito pouca visibilidade, visão enevoada... Visão nebulosa? Geadas e outras muitas coisas fazem isso - fora e dentro da gente! Haja metafísica para tal metáfora. 

Quando a geada passa, vemos o estrago que fizemos, não raro, por não termos sido tomados pelos cuidados necessários, pela prudência, ao pisar naquelas terras desconhecidas enquanto estávamos enxergando pouco. Sim, visão embaçada atrapalha, mas não justifica nossas imprudências. Correto?Retomo a prosa sobre o clipe. Tenho quase a certeza de que uma lágrima tentou cair quando você o viu - e ainda quando o vê. Ele nos faz pensar e sentir tantas coisas... John era daquelas pessoas que ao cantar, cutucava a gente no coração. 

Embora em qualidade não muito boa - mas era a melhor para a época - para alguns (daqueles que são mais amolecidos dos sentimentos, sabe?) a primeira lágrima caída guia outras tantas num pranto que serve de ode à beleza da música, do sentimento emanado por ela - ou dos sentimentos, pois são tantos.

Ah, como é bom ver, ouvir, sentir a música e pensar, tentar vivenciar a letra... Ser alvejado por rajadas de sons na melodia... Embalar-se no som que toca fundo em nós. Embrulhar-se nos sentimentos que emanam dela... Canção tão linda. Lennon era um cara legal! Eu queria ter podido pelo menos apertar-lhe a mão e olha-lo nos olhos por um instante. Restam-me clipes pela internet para isso. Servem-me quando quero pensar ou chorar. Basta - por ora.

Mas Lennon fala de quê? Ele fala de amor! Sim, amor - em resumo. Amar ao todo, a tudo, a todos. Amor como sentimento que nos permita nunca separarmos uns dos outros e lutarmos uns pela paz dos outros. Pois, juntos, somos parte do todo e todos somos (e fazemos) o ''isso'' que há. Certo?

Somos um planetinha vagando no espaço. ''Deus nos colocou aqui'', diriam os religiosos. ''Estamos aqui por obra do acaso'', ''sob leis materiais'' de uma física que ''ultrapassa nossa compreensão'', dirão os céticos. Mas, enfim: estamos aqui! Estamos juntos. E o que faremos disso?

Estar aqui é oportunidade. Seja por Deus ou pelo acaso: estamos aqui! Vivemos aqui! Precisamos daqui - de tudo, uns dos outros; precisamos de ''Deus'' e/ou da ''física'' ou da ''matemática''. Ademais, morreremos aqui! Morreremos... Teremos uma vida inteira aqui para gastar com o quê? Quem sabe com amor e prosa? Vamos prosear mais um pouco.

"E eu com isso?", você pode me perguntar agora. Eu responderia: "Nada! Você simplesmente está aqui e isso não depende de opiniões, pois é fato''. Pronto, poderíamos nos tornar, desde essa minha resposta: inimigos ou amigos - ou continuarmos indiferentes, não? Não. Vamos ser amigos?

Sim, podemos ser amigos de todos. Amizade é um pé da fraternidade! O outro pé é a ação! Isso, com esses dois pés, faz a fraternidade poder caminhar. Ambos, ação e sentimento de amizade são parte do corpo da fraternidade. Dentro corpo há o coração. E o coração de tudo é? O amor. Amar é exemplo a ser dado em casa, na rua, na calçada, no emprego, na praça sentado enquanto vê pombos voando...Ah, pombos voando... Às vezes tenho inveja da capacidade de voar, atingir distâncias rapidamente... Levar o amor, trazer de volta um pouco que foi dado. Será um dia possível isso?

Amor é maior quanto mais se dá? Sim? Sim. Ame a família, os próximos, os distantes. Ou seja: ame o pai, a mãe, os irmãos, os amores, os amigos, as amigas, o cachorro, a cadela, o estrangeiro estranho a nós, logo ali. Não guarde amor. Ele apodrece. Ame a casa antiga que será derrubada - mas sem nostalgia doentia! Ame os amigos que nem conhecemos que são os habitantes desse mundo enorme e que por um erro geográfico de Deus não são nossos vizinhos imediatamente próximos de nossas terras... Exercite o amor! 

Quem sabe amar seja o caminho? Até hoje, mais odiamos em grandes e pequenas ações que amamos. Vamos tentar diferente? Vamos invadir países com tanques cheios de vinho, armas de jogar água e brincar na tarde quente bêbados de alegria, de vinho... De amor...? Vamos amar aos outros. 

Sabe, aquele amor humilde que existe no " bom dia" que nos é dado olhado nos nossos olhos? SAbe aquele amor que existe na devoção do senhor que retira seu chapéu diante da igreja dele para fazer seu ritual de fé, de cabeça desnuda, mas de peito aberto?

Somos todos um todo congregado que insiste em segregar a si próprio. Podemos não estar juntos, mas não necessariamente devemos estar segregados uns dos outros! Entende? As distâncias existem? Sim. A geografia veio para nos desunir, mas isso é coisa pouca... 

O que nos afasta é não exercer o amor, não as linhas imaginárias que criam nossas capitanias, nossos solos tão amados - amados mais que os seres que vivem neles, não raro. Não vou me aprofundar no amor às coisas que uns têm como maior que o amor às pessoas. Sigamos na prosa. As linhas que criamos para definir espaços servem para colocar como aqui sendo meu e como ali sendo seu, mas não. A Terra é de todos. 

A Terra e tudo quanto vemos, com vistas embaçadas ou não, são um imenso terreno para o exercício do amor. Não? Plantemos amor, exercitemos nosso amor. Amor a quem está perto. Amor a quem está longe. Amor a quem não sabe o que é isso. Amor a quem é o próprio exemplo maior de amor e amar: Jesus? Ou Buda? Ou Jeová? Que seja! 

Namastê para quem seja de Namastê. Axé para quem seja de Axé. Amém para quem seja de Amém! No mais: mais amor, por favor! Um abraço e um sorriso para você e obrigado se leu esse texto.


Segue abaixo o vídeo de ''Imagine'' para degustação. 

https://youtu.be/bBW8g64Vzf8

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dissabores

Nunca fui tão longe na tentativa de encontrar algo.
O que eu queria? Encontrar a mim.
Como um estalido, ouvi um clique.
Era a porta de meu peito abrindo-se, enfim...
O coração expôs-se e a alma sentiu a brisa da natureza mundana.
Era eu ali, de peito aberto, alcançando meu tesouro sonhado.
Encontrei-me. Mas não sei de mim nada, até hoje...
Mexi, olhei bem dentro de mim. O coração pulsava.
A alma passou a ter calafrios.
A geada do mundo deixou-a doente.
Não pensei duas vezes: fechei meu peito de novo.
Para que ter coração e alma num mundo de dissabores, tantos?

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Partes

Vem mais um dia e, decerto, a esperança da alegria.
Eu sei, o tempo vai dizer o que há por trás de tudo!
Mas a ansiedade foge do controle que achei que havia....
Nunca foi tão forte o desejo de abdicar de tudo, tudo, tudo...

Um dia a mais, um martírio a mais?
São tantas as pessoas que sofrem e pensam assim...
Mas e eu? Qual direito tenho de querer fugir? Jamais!
Jamais vou desistir - mas não é isso o que me diz parte de mim.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Hoje

Você pode demorar o tempo que quiser,
Mas cedo ou tarde irá perceber o quanto que a vida é curta.
Ontem você engatinhava, comia com as mãos...
Ontem se lambuzava com cachorros-quentes.
Ontem você lambia os dedos sujos de sorvete.
Ontem você dizia "te amo" várias vezes.
Ontem você não tinha preconceitos contra nada nem ninguém...
Ontem você era chamado de estranho e vinham te consolar.
Ontem você ganhava doces quando se magoava...
O tempo passou para você aos poucos.
Você tenta não perceber as rugas...
Essas traças da vida que correm nossa pele
E mostram que estamos ficando distantes
Do primeiro dia que tivemos nessa vida.
Ontem você estava saindo da maternidade
Com seus pais orgulhosos embalando você.
Ontem você adorava a companhia dos barulhos
Da bagunça, da desordem que era ser criança feliz.
Ontem você tinha amigos que te buscavam.
Eles queriam apenas brincar.
Não queriam nem exigiam nada de você...
Ninguém exigia muito...
Um borrão no papel era tido por perfeito.
Uma desordem no quarto dava no máximo
Um: "arrume seu quarto, agora!".

E hoje?
Hoje você cresceu.
Hoje você tem barba.
Hoje você já amou.
Hoje você já perdeu.
Hoje você já acreditou.
Hoje você já chorou de decepção.
Hoje você já chegou atrasado e foi punido.
Hoje você nem mais sente-se em casa.
Hoje você precisa comprar uma casa.
Hoje você não precisa mais dos cuidados.
Hoje você é seu próprio e único zelador.
Hoje você olha para o lado e não vê ninguém.
Hoje você é obrigado a saber da solidão.
Hoje você é obrigado a suar para dar dinheiro ao superior...
Hoje você é obrigado a aceitar uma miséria de salário sorrindo.
Hoje você nem consegue mais ter hora do recreio.
Hoje você almoça sem ninguém prestar atenção.
Hoje você é pisado, insultado, mas ninguém te toma as dores.
Hoje ninguém te abraça e diz: "não acredite nisso, você é o melhor!".
Hoje você sabe que errou, sabe onde errou...
Hoje você sabe o quanto sabe errar.
Mas hoje você não ganha mais doces e guloseimas quando acerta.
Hoje você ganha no máximo um aperto de mão - no aniversário, quiçá?
Hoje você não vive mais sem remédios.
Hoje até seus sorrisos são fundamentados em medicamentos que usa.
Hoje, cada pensamento seu tem um lado negativo.
Hoje você tenta aprender a ver só o lado bom das coisas.
Hoje você tenta ficar livre de remédios.
Hoje você tenta não se viciar em outras drogas.
Hoje você tenta fugir do seu próprio corpo.
Hoje você sonha com transplante de alma...
Hoje você queria dar seu corpo a uma alma mais corajosa.
Hoje você chora sem ninguém te dar a mão.
Hoje você sonha que morrer seria o melhor.
Hoje você ainda está vivo e o que fará disso?
Você vai se deitar quieto, com lágrimas e esperar.
Quem sabe dormindo você não acorde para esse mundo mais?
Hoje você é um peixe estranho que nada, não consegue nada.
Hoje você sabe que é estranho e não há quem te convença do contrário.
Hoje você perdeu uma boa oportunidade de não acordar.
Hoje, mais uma vez, você está diante de si mesmo.
Hoje podia não ser mais ontem de nada...

... e fez-se um bom dia.

Quando cruzar com alguém no seu caminho hoje, andando a pé: dê "bom dia!" - mas não exija resposta. Há pessoas que não conseguem ser mais que um rosto carrancudo e uma língua afiada. É o jeito da pessoa. Perdoe e siga. Dê "bom dia!" assim mesmo.

Quando cruzar com alguém intransigente, arrogante, mal sabedor das leis, no trânsito, deixe passar! Não buzine, se conseguir conter a raiva que não raro surge. Dois imbecis e arrogantes buzinando e fazendo baderna no trânsito são problema. Deixe que exista apenas um, controlando sua raiva e não se tornando igual ao outro. Muitas vezes, um motorista arrogante é um ser em crise! Desculpe-o e deixe-o. Siga, apesar disso, dirigindo! E lembre-se de dar preferência aos pedestres na faixa, em segurança, e a outro(s) carro(s) que precise(m) de preferência conforme as leis.

Quando alguém quiser estragar seu sorriso e/ou sua paz, deixe que tente - pois há pessoas assim, fazer o quê? É erro delas a vontade (por vezes aparentando necessidade) de estragar o dia dos outros e seus sorrisos. Mas não deixe que consiga - isso seria falha sua! Sorria a despeito disso! Uma pessoa sorridente alegra um ambiente e pode mudar o curso de outra pessoa que, até ali, só havia encontrado gente de mau humor.

Quando algum mal pelo qual esteja passando se te apresentar mais forte em algum momento do dia de hoje, quase superando sua força de romper barreiras até então existente: persista! Erga a cabeça e vença mais essa tentativa do destino de te desencorajar. Siga adiante de peito aberto ao amor e à fé - não se esquecendo de sempre ter esperança!

No mais, tente amar ao próximo (seja esse "próximo" a pessoa má na rua, ou o chato ranzinza do trânsito, ou a infeliz e arrogante do local onde trabalha). E não se esqueça: o próximo ao qual seu amor precisa começar a agir desde cedo é você mesmo! Não se descuide de si, de seus pensamentos e de suas ideias.

Um bom dia começa dentro de nós e só acaba ao repouso da cabeça no travesseiro! Lute pelo seu bom dia e pelo bom dia dos demais.

Carpe diem

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Remédios

Não quero ir me esgueirando na vida.
Quero correr a passos largos,
Embora eu insista em andar por caminhos
Labirínticos. Existe essa palavra?
Não sei, mas a quis dizer.
Pois então: quero muitas coisas!
De tanto querer coisas, tantas,
Distintas, ora uma, ora outra,
Díspares, não raro, elas entre si,
Sou eu um qualquer que esgueira-se
Por caminhos insensatos.
Não poderia ser diferente.
Já foi dito que quando não sabemos
Aonde queremos chegar,
Qualquer caminho serve... Não?
Ah, mente inquieta...
Ora aqui, ora acolá,
Minha sanidade permeia
Sonhos sempre de futuro, futuro...futuro...
O hoje é levado aos goles com antidepressivos...
Outrora, os goles foram de uma bebida qualquer,
Qualquer fosse a dose, o importante era a bebida.
Porém, eu era mais sedado que sensato.
Hoje ainda não sou sensato como queria - ou deveria!
Nem tampouco estou sedado como me ocorria...
Estou apenas sentado a escrever agora
Enquanto espero o horário do novo remédio
Outro remédio... Remédio...
Sem eles, caminho trôpego... Que triste!
Há de haver vida sem essas bengalas, não?
Um dia, para mim, quem sabe?

domingo, 1 de maio de 2016

Viva Senna


Acordei estranho. A alma não queria ver...
Ocorreria algo? Eu sentia um mau ar...
Afastei-me de tudo. Desliguei a TV.
Soube depois: era um dia que iria durar...

Passaram-se as horas. A noite chegou.
Fui à cozinha jantar. Passava o jornal.
Foi aí que eu soube o que se passou.
Eu tinha 8 anos, mas a lembrança ainda é real. 

Morria o meu herói imortal, guerreiro.
Senna não mais levantaria troféus!
O eixo da direção partiu-se por inteiro...
Assim, Deus, naquele dia, o levou aos céus.

Viva Senna!