domingo, 30 de janeiro de 2011

Não Fumo

Diga-me, fumaça do cigarro alheio:
Que prazeres jazem em ti?
Causas tamanho asco em mim.
Nunca lhe procurei em tudo o que vivi.
Peço-te desculpas se soe como rude,
Mas te tornas, a mim, algo metaforicamente
E amplamente nebuloso.
Por ti não me viciei, ou não pude?
De longe, percebo: tu obscureces o que vejo
Ao redor do homem que fuma.
O que não lhe faz por dentro?
Garanto: de coisas boas, nenhuma.
Será que tua nebulosidade é menos intensa
Que aquela que ele traz por dentro,
A privar-lhe de qualquer lampejo de bom pensamento?
(Ou sentimento?)
Triste solidão do cigarro que pende à boca.
Triste solidão daquele homem, um mero fumante.
Quisera eu que ele fosse dono de si
E, vencendo sua ansiedade, seguisse adiante.
Não fumo. Não fumarei.
Trago em mim a certeza do que digo.
Sempre a trarei!
Não quero artifícios para aquietar
A eterna inquietude de minha alma.
Não quero tornar nebulosos meus pensamentos
Ou sentimentos, mesmo que tirem minha calma.
Não creio que a fumaça exalada
Leve consigo os males de um fumante.
De minha parte: nada de suspiros esfumaçados.
Não sei se eles pensam assim,
Mas, digo apenas: “Não fumo”, por mim.
Não quero entorpecer-me.
Quero enfrentar a vida são, sóbrio, firme.
Não quero viver em nebulosa e torpe fumaça!
Quero apenas deixar que a vida em mim se faça.
Sem cigarros ou vícios, sem prender-me:  viverei!
Apenas eu, o tempo e a vida.
E assim (são, sóbrio e firme), seguirei.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Ó, Noite

Ó, noite escura reluzente,
Repleta de estrelas
Que não são cadentes:
Venha cá, dentro de mim,
Trazer, a paz que almejo, enfim!
Deixe comigo, no coração e na alma,
A paz que me revelas através
Dos olhos meus que enxergam
Apesar da escuridão que se avizinha.

Sou teu triste admirador que, em vão,
Fita as estrelas, todas elas.
Tento tocá-las, mas, como que em transe de sonhos,
Estico meus braços querendo trazer-te para mim
Por entre minhas mãos calejadas.
Mas sigo a chorar de mãos vazias, atadas,
Presas em mim por total cansaço.
Sigo iludido pela escura e indiferente noite
Sem nunca ter a certeza do amparo naquilo desejo.

Doce noite que aos poucos esvai,
Que não depende de mim,
Nem acata ao que rogo:
De saída, deixa-me o calor do dia!
Deixe-me a luz do imponente sol com sua alegria
E deixa-me sonhando encontrar-te, em paz, tão logo.

Ó, sol, velho amigo meu,
Quem sabe contigo meu coração se aquieta,
Envolto nessa escuridão que te fala, chamada: eu.
Contigo, o calor despertará em mim...
Talvez também o zelo para comigo.
Quem sabe serei feliz assim?
Acho que consigo!
(Abandonarei a indiferença da noite. Passarei a seguir a luz, contigo.)

Quem sabe minha vida se torne, assim,
Menos enigmática e mais correta para mim?
Trarei comigo a tortuosa experiência da noite
E a certeza de, ao sol, ter enfim uma caminhada reta.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 22 de janeiro de 2011

Perdi-me

Perdi-me atrás da sombra daquilo o que sonhava ser. Hoje, não sou o que esperava, nem tampouco sou, de fato, aquilo o que espero. Sou apenas aquilo que se deu, por fim, através da passagem do tempo por mim.

Fiz esforços para ser melhor. Fracassei algumas vezes. Errei tantas outras. Simples erros ou não, mas, de um em outro, cheguei ao estado em que me encontro. Sou isso que vejo por incompetência de ser eu mesmo em mim. Não há espaços para culpa, ou remorso. Há apenas espaço para constatações...

Fui o que sinto ser por breves momentos. Por outros breves instantes, fui algo além do que sonhara. Permaneci em meio a inconstâncias... Mas, há anos, sou apenas aquilo o que hoje em mim se manifesta e, através de mim, se faz definir-me.

Sonhos em vão de ser melhor. Sonhos vãos de ser além do que posso hoje. Dediquei minha vida a fazer felizes a todos quem amo. Hoje, dedico a vida a viver o que sobrou de mim enquanto ainda continuo sonhando com a felicidade para todos. Isso basta-me, mas não nego que me faz perder-me.

Em meio à caminhada, olhando para os lados, perdemo-nos. Perdi-me, por isso! Concentrei minha caminhada em olhar para os lados, procurando ver a todos felizes. Enquanto isso, deixei-me esquecido dentro de algo que, acredito eu, sou eu mesmo, talvez! Sigo. Sigam-me. Preciso de todos. Preciso de mim. Mas: perdi-me!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

A Estrada do Tempo

A estrada do tempo é tortuosa, mas sigo nela, apesar de ansioso, 
À espera da próxima parada. Sinto o vento bater em minha face,
Enquanto, a cada passo, o horizonte se me torna menos distante.
Completo hoje um quarto de século! O passado já me é repleto,
Não mais curto em memórias como antes. Repleto em si,
Em memórias e vivências, boas ou ruins. 
Caminho rumo a novos anos, criando, a cada dia,
Novas recordação para o amanhã.
Continuo seguindo a estrada do tempo!
Em cada curva dela, da vida que passa,
Quando percebo estar diante de um novo obstáculo,
Respiro fundo. Sigo firme, apesar dos medos
Que insistem em me acompanhar...
Sigo e carrego-me apesar deles! 
E essa a jornada pelo tempo.
Sei que, adiante, o caminhar será, novamente,
Correto, sereno, tranquilo, reto...

Sigo ansioso a estrada do tempo que encurta-se.
Envergonho-me dos medos que por vezes ainda tenho.
Medos sentidos, ressentidos.
Mas se não houvesse medos, 
Como saberíamos o que seria ter coragem?
Diferente disso que sou, eu não poderia ser.
(ou não consegui sê-lo!)
O tempo já hoje se me apresenta como penoso relógio
A fazer um eterno e sonoro "tic-Tac" que persegue-me,
Despertando em mim uma ansiedade que, outrora, 
Não me pertencia. Já fui jovem demais para entender...
Vejo-me diante do espelho. Meu corpo, minha mente,
Minha personalidade...Tudo mudou! (Tudo mudou?)
Não sou eu mais o mesmo. Aquele eu jaz há alguns anos.
Mas, apesar de mim e de meus anseios, 
O tempo segue firme! Sempre a correr.
E eu? Sigo no encalço dele. É o que me resta.
Sigo sereno, e não menos firme, apesar dos medos 
E de tantos anseios ainda meus.
Mas o tempo, embora pareça-me um inimigo,
Serve a mim  uma vez que me encoraja.
Apesar de tudo, empurrado pelo tempo
Tenho seguido adiante, sempre adiante.
Por que eu seria diferente nisso?
Seguirei até que o tempo pare para mim
(Ou pare em mim?). 
Não importo-me com ''quando?'', 
Mas, uma vez que chegue esse dia,
Estarei cansado de tanto ter caminhado.
O tempo parar será, para mim, algo de alívio. 
Será como uma benção que estarei a testemunhar
Quando esse momento enfim chegar.
Porém, após isso, apesar dele, seguirei sozinho.
Sim! Aonde vou não me interessarão as horas
- apenas as recordações de tudo aquilo o que aprendi.
Sei que, após esse dia, tornar-me-ei escravo do tempo
Novamente! Não saberei quando será esse novo dia.
Mas, até lá: seguirei sereno.
Num universo infinito, sou apenas um grão de areia,
De tão pequeno. Resta-me seguir adiante.
Sigo cego e sugo da vida o que posso.
Digo cego, pois, a mim, não importa simplesmente
O que vejo, mas, sim, o que aprendo com os olhos.
Tenho aprendido o suficiente?
O tempo? Não o vejo. Nunca o vi. 
Mas aprendi com ele muitas coisas.
Afinal, na vida, apesar de tudo e todos,
Fomos apenas eu e ele, sempre!
Um no encalço do outro, o outro no encalço do um.
Sempre adiante. Assim vem sendo,
E, creio eu, assim será até que o tempo, um dia,
Cesse de seguir em frente.
Até lá, como sempre,
Permaneço aqui achando a estrada do tempo tortuosa.
E, mesmo após tanto refletir, 
Não faço-me ainda diferente desde agora:
Sigo nela ainda ansioso! 

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Caminhar

Temos dificuldades para caminhar, mas não somos mancos. Temos medo de caminhar sozinhos, mas não somos crianças. Temos medo de cair, mas (ainda) não estamos à beira de um abismo. Somos humanos, simplesmente isso.

Caminhar nos causa medo. Iniciar caminhadas ainda mais, pois precisamos do primeiro (e fatídico) passo. Quando saímos da inércia habitual de nossas vidas preguiçosas e decidimos andar (Adiante!), somos obrigados a retirar um de nossos pés do chão, tão firme e sólido, e ficamos por alguns instantes por sobre apenas um de nossos pés, enquanto o outro está livre e solto no ar, na incerteza de onde pisará novamente. Isso denota instantes de insegurança para nós, consciente ou inconscientemente. Somos assim e, por isso, não caminhamos como deveríamos! Temos medo da caminhada. Temos medo de caminhar.

Atentemos para isso: dar um passo requer erguer um dos pés, ficar por alguns instantes por sobre um deles apenas e esperar que aquele pé elevado caia em um lugar seguro. Isso é caminhar. Isso nos causa medo, insegurança. Somos, por saber disso (mesmo que de forma inconsciente) inseguros no nosso caminhar. Aprendamos com isso!

Caminhamos a passos curtos para que os instantes de insegurança sejam menores, ou para que tenhamos mais controle sobre nosso caminhar? Não creio que tenhamos controle sobre a caminhada. Creio que temos simplesmente o direito e o dever de caminhar. Essa é nossa tarefa. Adiante, amigos. Sempre adiante! Acreditem: o chão é o limite para nossas quedas. O infinito é o limite para nossa caminhada.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

domingo, 9 de janeiro de 2011

À luz do amor

Onde está o amor que tanto e por todos é falado? O que dizer de nós, humanidade, que, à mercê de sua própria sorte, é massacrada? Somos assim: falamos muito e sofremos da mesma forma, por nossos próprios erros. Para que pregarmos uma realidade que dela não fazemos uso? Tanto amor saindo das bocas, tão pouco de amor saindo das ações de cada ser humano. Para que pedir a Deus milagres e bençãos se nem ao menos seguimos o que por Ele nos ensinaram? O que está acontecendo com o povo que Ele criou? Matamos e odiamos uns aos outros. Somos egoístas! Somos insensíveis? Por que não amar, de fato, sem medo de críticas? Sem medos de opiniões pejorativas dos inúmeros hipócritas desse mundo de Deus? O que nos diriam a amada Madre de Calcutá ou nosso não menos amado Mahatma, o "pequeno" indiano?

Por que não se fala do bem que poderíamos fazer e apenas salientam-se nas redes de mídia as maldades desenvolvidas e perpetuadas no mundo? Por que não um maior incentivo ao amor, ao bem comum? O bem não é falado, mas o mal a todo tempo nos é mostrado, vomitado das televisões em nossas salas por jornalistas muito preocupados com a audiência de seus telejornais, mas pouco interessados em seu papel tão importante na construção de uma sociedade melhor - sedenta por informação, mas pouco preparada para entender tantas informações e interesses cruzados. Por que não deixamos mais as crianças sonharem com um mundo novo de paz, de amor, da boa e velha cordialidade? O que fizeram com os sonhos de um futuro melhor? Em que momento paramos de sonhar e por que paramos?

Ó, Senhor, tudo aqui está danificado, mas ainda há um jeito. Espero que o homem o mais cedo possível encontre em Ti (ou em si?) a resposta para tais perguntas que nos assombram e teimam em obscurecer sonhos e anseios coletivos. Espero que um dia possamos ter a certeza de que a luz do amor acabou com o ódio e com a dor de um passado tão, por nós, imperfeito.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 8 de janeiro de 2011

Modernidade

A humanidade achava-se linda. Tudo e todos estavam belos. Parecia a primavera da razão. O povo se enfureceu, todavia. Que loucos! Criaram-se as fábricas, criaram-se os carros, aviões... Pareciam sementes de uma mesma planta - e era cheia de espinhos. Planta essa a qual chamamos de ''modernidade''.

Muitos se machucaram, mas nunca desistiram. Tentaram e tentam todos esses adubar a planta objetivando superar limites os quais ainda estão a nos cercear em tantos aspectos. Queremos a planta, mas que ela não nos machuque... Pensamos assim da vida, do progresso, da tal modernidade e das suas conquistas... Por que?

Se quero ficar no chão, na terra, por que não? Uns acham melhor assim. É lícito não querer acompanhar o progresso da humanidade. Talvez sim, mas acho que não deveriam ficar aquém dos avanços. Acho também que tantos tentam orientar o crescimento dessa planta contra o progresso, apenas visando benefícios a si mesmos e suas corporações as quais representam. 

Ah, a planta cresceu, está aí e cresce...cresce... Muitos vão juntos tentando alcançar o céu junto à planta a cada dia mais alta. Mas os espinhos, embora alguns tenham caído, ainda machucam e tantos deles são gente como nós que tomam-se por parte da planta!
                                                                                                   Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



Explicação:
A modernidade é exposta numa metáfora como se fosse uma planta. Uma planta repleta de espinhos, pois a modernidade trouxe inúmeros bens, mas diversos males consigo. Muitos já se machucaram com os "espinhos" da modernidade - o que dizer acerca de Hiroshima e Nagasaki? Sempre queremos desenvolver mais e mais tecnologias - daí o: "Muitos se machucaram, / Mas nunca desistiram.". 
Nunca vemos um limite para a criatividade humana moderna, e não ter limites é o que queremos. Vivemos em um mundo que se renova a cada instante em novas tecnologias e novidades, porém queremos que os avanços conseguidos sejam sempre bons, mas não ocorre assim - "Queremos a planta, mas que ela não nos machuque...". 
Sentimo-nos tão onipotentes devido às tecnologias que criamos no mundo moderno que quase nos sentimos verdadeiros super-heróis, capazes de voar e transportar montanhas e mundos. Porém, nem todos mais conseguem ser tão otimistas e confiantes diante das novidades tecnológicas. Quantos aviões já caíram matando inúmeras pessoas? Quantas doenças já se propagaram em verdadeiras pandemias devido nossa incessante vontade (e facilidade) de viajar pelos quatro quantos do globo. Daí, diz-se: "Se quero ficar no chão, na terra, / por que não?". Ficar no chão pode ser entendido também como vontade de ser indiferente aos avanços da tecnologia.
Pela própria tecnologia, conseguimos corrigir alguns dos erros por ela mesma proporcionados, porém ainda vivemos atormentados por nossos antigos erros ainda no presente - vide as guerras por nós criadas e os inúmeros mortos provenientes delas. Daí, nesse raciocínio, diz-se: "Mas os espinhos, / embora alguns tenham caído, / ainda machucam!".

O pulo do gato

Viveu junto daqueles que amava.
Era feliz!
Estava astuto como um gato!
Um dia, sem saber, estava triste.
Não, se enganara:
Estava bobo!
O que acontecera?
Não sabia o porquê.
Como era um homem estranho,
achou ser tudo parte de sua estranheza...
Ele via-se sempre maldisposto no mundo.
Era um homem cheio de metafísica.

(O pulo do gato é interessante.
Salta mais alto que seu próprio corpo,
mas cai como todos os outros corpos)

Voltou. Levantou-se!
E desde então a história recomeçou
De um novo início.
De um novo ponto de partida...
_ Pedro Igor Guimarães Santos Xavier.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Explicação: Esse poema ilustra a narração de um momento comum na vida de cada um dos humanos: o momento do enfrentamento de uma adversidade, uma queda na caminhada da vida. 
O ato de seguir em frente (e suas consequências) mediante as dificuldades da vida moderna, é comparado ao "pulo do gato". Caímos na caminhada diversas vezes. Nos decepcionamos tantas outras. Acreditamos que os bons sentimentos ainda podem existir nas relações humanas. Muitas vezes, tentando ser bons, tornamo-nos bobos crendo na mentira da bondade e solidariedade humanas - daí, diz-se: "Um dia, sem saber, estava triste. / Não, se enganara, / estava bobo!". Sofremos por isso. 
Somos pisados quando caídos. Mas, sempre, e assim deve ser, levantamo-nos confiantes e retornamos a caminhada. Após muitas de nossas quedas, empurrados pelo auto-conhecimento que adquirimos com nossas dificuldades na jornada da vida, num lapso de otimismo, "pulamos" além do que conseguiríamos prever ou crer ser possível para nós, mas, quando se pula alto, se cai de altura também alta. Daí, mais decepções podem vir em nossa jornada.
Seguir em frente, essa é a sina humana, nosso fado. A vida sempre segue apesar de nossos fracassos pessoais ou coletivos - daí, diz-se: "Voltou. Levantou-se. / E a história recomeçou de um novo início."/.

As lágrimas do palhaço

O palhaço sorriu.
Pulou, gritou...
O palhaço se achava
Engraçado.
Naquele dia, algo mudou.
(Coitado!)

Acordou. Correu. Andou.
Falou. Olhou. Observou:
Não era mais aquele palhaço.
Sentia-se um fardo.
(Coitado!)

Não era mais engraçado
Ou o mundo é que estava triste?
Era com ele ou era com todos?
Que havia mudado?

O palhaço, então,
sorriu por um instante
para seu reflexo num copo d'água.
Mas logo em seguida chorou!
A máscara caiu.
Caída ficou...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


Explicação: a sociedade atual tem se tornado  insensível e um tanto quanto hipócrita. As frivolidades de outrora, a inocência, a beleza das coisas ingênuas eram motivo de sorrisos. Os palhaços eram eternos baluartes da alegria humana. O palhaço muito se utiliza das coisas corriqueiras e da ingenuidade nelas para fazer as pessoas sorrirem. Mas, as pessoas de hoje não mais possuem a beleza da ingenuidade, da inocência. Vivemos em um mundo de pessoas decepcionadas consigo mesmas, envoltas em um mar de atrocidades. Vive-se uma vida baseada em prazeres e, com isso, as pessoas perderam a inocência. As crianças não mais conseguem sorrir dos simples palhaços patetas de outrora. Elas apenas sorriem para os desenhos animados fúteis (muitas vezes) impregnados de maus exemplos na TV.
O poema retrata um palhaço que nos dias de hoje tenta fazer as pessoas sorrirem como em tempos passados - daí, diz-se: "O palhaço sorriu, / Pulou, gritou. / O palhaço se achava / Engraçado...". Porém, as pessoas não mais acham graça nele. O mundo está triste e um tanto quanto mudado - diz-se a partir disso: "Falou, olhou e observou: / Não era mais aquele palhaço. / (Coitado!)".
O palhaço percebe que o mundo mudou, e sorri dos erros humanos, mas logo se dá conta e chora. De rosto pintado, o humano dentro do palhaço chora atrás de sua máscara de tinta. As máscara se desfaz. Ele, percebe que não há mais espaço nesse mundo para ele, daí, decide não mais ser aquele personagem. Volta a ser simplesmente um humano - daí, é dito: "O palhaço, então, sorriu, / Em seguida chorou. / A máscara caiu, / E caída ficou...".

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O amanhecer

Sim, às vezes, ao alvorecer do dia e a incerteza do que virá nos é estarrecedora. Acordamos e ali estamos nós em um novo dia! Novos momentos estão por vir.

Olho pela janela e vejo tantas pessoas. Todas com seus sorrisos e olhares próprios. Penso: são todas felizes? Estariam me vendo? Penso que tudo seria mais simples se todos caminhássemos juntos e pensássemos objetivos semelhantes -
pelo menos semelhantes por assim dizer.

Ser feliz é algo para todos? Quem nunca quis ser feliz? Um louco enganado por si mesmo, talvez! Mas, ao ver pessoas nas ruas, penso: por que são tão indiferentes entre si? Umas com as outras e com as coisas. Vejo: é como se estivesse vendo da janela um daqueles presépios mecânicos animados,
daqueles dos finais de ano. Todos passando uns pelos outros, mecanicamente e sem idéias sobre Jesus
ou outras coisas de bem que os inspire. Apenas bonecos animados, sem alma. Todos bonecos.

As pessoas temem amar ou serem amadas, acredito. Acreditam que, sendo indiferentes umas com as outras ou com as coisas, passarão a ideia de independência, de auto-confiança e força, autocontrole -algo assim. Precisamos das pessoas, entretanto. Seres humanos não sabem viver sozinhos. Precisamos das coisas e de compartilhar, é notório. Eis então que há, de fato, a incerteza dos relacionamentos e das dificuldades de compartilhar. Somos egoístas. Sobram dúvidas sobre as pessoas e seus interesses sobre nós e sobre as coisas.

Precisamos arriscar, isso aprendi. Precisamos conhecer mais: mais pessoas, mais coisas, mais lugares.
Sempre mais e mais! Quem sabe toda mudança nos comece a partir de um generoso e sincero: ''bom dia'' vindo de um desconhecido? Seria um bom começo.

Não sejamos um presépio animado, mecânico, sem alma! Sejamos homens e mulheres caminhando pelas ruas como humanos que somos, todos os dias, desde o amanhecer, compartilhando a nós mesmos e as coisas que há. ''Bom dia!'' - pode ser o começo e o desejo para tudo.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


Explicação: para que mudemos o mundo, precisamos mudar primeiramente nós mesmos. Para isso, comecemos sendo cordiais com as demais pessoas. Não nos deixemos entristecer pela má vontade dos seres humanos em serem felizes junto dos demais, numa caminhada conjunta através da jornada vida que, queiramos ou não, é coletiva. Para que mudemos o mundo, iniciemos por nós mesmos. Propõe-se: "Quem sabe um: “Bom dia”?; / Seria um bom começo.". Dê bom dia às pessoas. Apesar do descaso da imensa maioria ao seu gesto, continue assim. Todos os dias, a cada alvorecer. Mudando a nós mesmos, o mundo mudará por si mesmo.