Atualizando meus blogs, revendo textos, reencontrei esse que houvera sido publicado por mim há 1 ano. Achei interessante recolocá-lo hoje, dia 31/12/2015.
Aprendi que pessoas podem ter tudo (casa, comida, esposa, filhos etc) numa vida aparentemente feliz aos olhos desatentos (como nos é habitual nessa sociedade egoísta), porém podem essas mesmas pessoas abrigarem um espírito doente, uma mente doente, uma patologia chamada depressão, doença essa extremamente incapacitante (talvez a mais incapacitante de todas!). Concluí de fato que não estamos atentos ao sofrimento alheio, apenas queremos atenção ao nosso quando precisamos. Além de tudo, concluí que essas pessoas tristes serão julgadas como fracas, como "doentes" no sentido pejorativo e nada construtivo. Afinal: quem quer ajudar alguém? Quem quer tirar um sorriso de um rosto habitualmente choroso? Isso é coisa de palhaço? Para mim, palhaços são sim mais importantes que médicos, que juízes, que políticos, afinal, onde há um sorriso espontâneo, há esperança, há luz interior, há saúde que transpassa os lábios abertos em gargalhadas. Que sejamos mais palhaços então - e mais atentos às pessoas ao nosso redor...
Aprendi que pessoas aparentemente felizes podem também sonhar com a própria morte, mesmo que isso contrarie as expectativas das pessoas ou uma aparente lógica que trazemos do viver. Podem de fato se matar até! Vimos isso com Robin Willians... Saudades eternas daquele grande ator. Aprendi mais ainda que o ser humano pode ser infinitamente cruel, afinal, após a morte desse grande ator, vi tantos comentários desdenhosos quanto à sua ''fraqueza'', sua ''doença'' etc - até pude adquirir mais substrato para descrer no homem após isso.
Vi que mestres também morrem, mas seus ensinamentos nunca. Despedi-me de Rubem Alves. Despedi-me de Suassuna. Foram extirpados do mundo ou levados até perto de Deus, melhor seria pensar assim. Acho que Deus está carente de pessoas boas no céu, afinal, ele têm levado tantas para junto dEle...
Aprendi que gera mais comoção social uma seleção perder de 7 a 1 que saber que, em nosso mundo atual, 1 em cada 8 pessoas passa fome. Um placar muito mais nefasto, mas estamos desdenhosos quanto a isso desde sempre... Afinal, o capitalismo nos educa a apenas querer ter poder, conquistar poder e posse. Os pobres? Eles que se virem, pois, para muitos, ser pobre é sinal de fraqueza, algo assim. Somos adeptos da meritocracia. Isso me faz rir, ou chorar, não sei... Mas, é uma triste realidade saber que somos regidos pela égide do egoísmo acima de tudo. Ainda sobre o assunto anterior, vi inúmeros comentários, debates etc com pessoas digladiando entre si sobre o tal 7 a 1, mas não vi nada sobre esse mapa grotesco da miséria humana. Estamos mal, muito mal.
Revi que ainda morrem pessoas de Ebola e conclui que ainda continuarão a morrer como há dezenas de anos já ocorria, mas ninguém nada fez, nem fará. Aprendi que bastou morrer alguém que não fosse africano para um pandemônio ser criado. Porém, a pandemia foi controlada, seguindo ''apenas'' africanos a morrer. Claro, ninguém mais preocupou-se, aparentemente. Entendi de fato que a indústria de medicamentos, de vacinas etc, não preocupa-se com a saúde das pessoas, ou do mundo, preocupa-se com o dinheiro que a doença pode dar. É mais um ponto falho do capitalismo e do ser humano quando juntam-se: a dor não "dói" se não repercutir em lucros.
Confirmei que o ser humano é a espécie que mais traz risco à própria humanidade. Espécie que mata seus iguais, que deixa-os passar fome e não se comove. Deixa-os morrer de doenças e não se comove. Deixa-os fadados à pobreza eterna que é trazida desde seus ancestrais que nossos antepassados torturaram e exploraram, mas não se comove... Ainda, revivi conclusões simples como: o homem não sabe jogar lixo no lixo; não sabe reciclar; não sabe economizar e proteger os mananciais de água pura; não sabe controlar seu consumismo. Acha que dinheiro pode comprar tudo e resolve tudo, porém, chegará o dia, dia esse profetizado numa frase tão bela, em que o homem entenderá que: ''dinheiro não se come''.
Descobri que heróis da infância morrem. Descobri que mesmo nunca tendo encontrado Roberto Bolaños, ele era para mim (e para tantos outros) como um ente querido. Causou sofrimento sua morte, confesso! Mas, ficou um legado: a arte pura não morre. Ficou também a mensagem: aquilo que é produzido com amor, tamanha pureza e boa vontade torna-se eterno, amado e nunca sai de moda. Valendo-me da frase célebre da obra dele, é fato: quem poderá nos defender? Não sei! Mas espero que em 2015 aprendamos a nos proteger uns dos outros, a amar uns aos outros, a tolerar uns e outros, bem como seus argumentos, respeitando sempre - vi muita atrocidade na nossa democracia nesse malfadado ano. Espero que aprendamos mais sobre aquilo que nos disse aquele que é homenageado em seu nascimento no Natal: Jesus. Porém, de Natal, preocupamo-nos apenas com os presentes. Será? Que em 2015 não seja assim.
Nasce Jesus todo ano e morre Jesus todo ano... Até hoje, entretanto, não entendemos nem um nem outro acontecimento e sua lição. Simbólico? Mitológico? Não interessa. Religião é uma espécie de filosofia que pretende nos tornar melhores, muito embora não a tenhamos usado para isso. Não temos sido melhores! A mesma sociedade que condenou e matou Jesus ainda existe, ainda é a nossa. Matamos heróis ou os deixamos morrer, sem nada fazermos quanto a isso. Cultuamos dinheiro, prazeres, nosso ego. No mais, resta esperar que o ano novo seja bom, desde que assim sejamos também. Afinal, o ano é apenas um emaranhado de dias. O real problema é o amontoado de pessoas que convivem travestidas em seu egoísmo como vestimenta nesse tempo que passa através dos calendários e relógios. Esse ainda será um problema? Talvez... Mas eu sou apenas pessimista.
Aprendi que não adianta criar expectativas. As coisas correm de acordo com uma lógica que não entendemos nem depende de nós planejar. Porém, mesmo assim, tenhamos mais amor, mais paciência, mais sapiência e boas intenções, claro. Sejamos melhores! Fique o desafio! Desconfio que não mudará muito, mas é pessimismo meu. Mas, confesso: nunca é ruim surpreender-se - por outro lado, é sempre péssimo criar expectativas...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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de dezembro de 2014; texto inicialmente disponibilizado em outro blog
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