quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Assassino inconsciente


Entre zumbidos e ruídos, eu estava irritado!
Estampidos estranhos. Eram tiros lá fora?
Estava tudo tão quieto há poucos instantes,
Porém, fui à janela, curioso. O que eram os ruídos?
Em meio à rua, era um corpo, ao chão, caído?
Morto? Como saberia? De longe, nada vi!
Eu, ali, naquele instante, não conseguia mover-me.
Apenas percebia uma poça de algo - era sangue?
Não! Não poderia ter ocorrido isso! E eu ali, travado!
Tudo parecia um real pesadelo. Eu deveria estar sonhando!

Era sangue por toda parte o que eu via.
Dei um grito seco, de ficar rouco...
Daí acordei! Acendi a luz, desesperado, irritado.
Não sei descrever. Sentia-me como que estapeado...
Nas mãos o sangue. O que era aquilo, pensei numa fração de segundos.
Simples: eram pernilongos que zumbiam e
Agora eram apenas cadáveres em minhas mãos!
Voltei a dormir! Sentia-me como um assassino inconsciente.

Parece que o mundo moderno deixa-nos malucos,
Demasiado preocupados ou loucos com a violência.
Fora apenas um pesadelo! Assustado, eu fiquei,
Confesso! Mas eram simples pernilongos que zumbiam.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Palavra escrita



A arte, se ausente, faz da vida um desalinho.
Da sorte, se inexistente:  tristeza; se presente, alegria!
E da morte? Têm-se nela o mais rápido caminho,
Enquanto a vida é de todas a mais árdua travessia.

Palavras soltas, de nada valem a quem as lê.
Lendo tudo, traço rumos em devaneios variados.
Sem pensar, poderia ler tudo, mas para quê?
No leitor, pensamentos devem ser plantados!

Letra a letra, faz-se possível servir à arte escrita.
Bastam-nos algo de alegrias, um quê de tormentos
E, enfim, tem-se na folha algo que à mente agita.

A arte da escrita: talvez de todas a mais bendita!
Eterniza sentimentos, pensamentos e momentos,
E, a todos, faz realidades dos sonhos que incita!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Epílogo


Quero viver de uma vez minha morte.
Cansei dessa farsa a qual chamamos: vida!
Quero abandonar esse corpo à sorte
Do caminho que virá após minha partida.

Irei descansar, se nada houver além;
Fujo de lá se não me for bom, ou feliz.
Quero saber desde já se a morte me convém.
Quero apenas morrer - sem saber por que o quis!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sentimentos calados





Acordei, levantando-me da cama, enquanto ao lado, na esquina, alguém ainda dormia no chão.
Qual mundo é esse onde preconceitos são encarados como parte da natureza, segregando-nos?
Sorte e azar, destino ou acaso. Tantas palavras que se fazem presentes desde já
Como se fôssemos alvejados diariamente por um juízo final, ininteligível!
Carne viva, espírito morrendo! É parte do que se vê na sociedade - pelo menos aos meus olhos.
Olhos meus, doentes, ou sou eu mesmo que, de fato, não gozo mais de tanta saúde?
Vidas repartidas. Sobrevivências difíceis de se ver, mas existem, a cada esquina.
Sentimentos consumptivos. Sentimentos calados no peito, na garganta, na realidade.
Vozes e almas, todas caladas. O que de fato há de se fazer?
Deitado eternamente em berço esplêndido? Não era isso que pretendíamos!
Acho melhor voltar a dormir, mas, nesse mundo, temo não querer acordar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

À primeira vista


Quando meu olhar foi de encontro ao teu, parece que tudo ali havia parado no tempo.
Foram suspiros ofegantes, uma tosse nervosa ou algo assim, não sei dizer.
Era como se houvesse passado por mim um filme que mostrava-me um final feliz.
Suspirei fundo naquele instante. Não consegui continuar com meus passos adiante.
Era como se algo quisesse que eu ali ficasse, estagnado, parado, como que deslumbrado.
Algo assim deu-se em mim, num encanto. Não saberia definir ao certo tal ocorrido,
Apenas digo que, desde aquele instante, nunca mais caminhei da mesma forma,
Ou com a mesma cabeça, ou os mesmos sentimentos. Eu era um outro eu desde aquele momento,
Pois desde ali você passou a ser parte de mim, tomou para si algo que era meu
E eu tornei-me algo de dois donos, ao deleite mais de um que de outro!
Cuidado comigo, linda mulher, pois sou teu, mas não desfaça-se de mim como tua posse.
Olhe antes as chagas que carregarei comigo mediante teus atos, se forem atrozes.
Sou teu, sei disso. Não mais tenho em mim o controle que tinha.
Um algo de dois donos. Tú e eu, eu e tú! Seria simples assim! Nós: eu, o amor e a amada!
Espero que seja recíproco, pois desde aquele dia não mais a vi,
Nem nunca a tive de fato em meus braços, apenas no sentimento, na memória, ilusão...
É muito difícil ser posse de uma dona ausente!
Pobre de mim! Gado de dono distante é gado sem dono algum.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Sobras minhas


Te digo, meu amor, é tão difícil 
Viver ao teu lado sem ter perdão.
Tudo o que passou, foi artifício:
Eram coisas para marcar seu coração.

Se não lhe dei mostras, saibas: era real.
Perdão espero receber um dia.
A imaturidade, eu sei, pode ser fatal,
Ainda mais se o amor já nem valia.

Tentei tocar-lhe o peito, amor,
Mas dores foi apenas o que lhe dei.
Agora sinto a perda, a morte, o dissabor,
De ter perdido a quem mais amei.


De tudo, se restarem sobras minhas,
Peço que guarde migalhas do que te dei
Como amostras de alegria, se é que tinhas,
Do tempo em que tanto, sinceramente, te amei.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Do amor de amar


Felizes os que amam, do amor de amar;
Do amor de se dar e se entregar;
Dos que amam sem permitir a dor
Da perda do sentimento, o todo do par;
Dos dois que se fazem um apenas;
Dos dois apenas que são como a bela flor
De encantos no jardim da vida a se dar,
Por beijos e abraços, num exemplo de amor.

Fino, puro, traço de Deus, quiçá?
Do amor, nada tenho além de sonhar,
Além de querer poder ter e viver,
Nele, o pouco daquilo que sonhei ser, encontrar,
Mas, devido ao excesso de desamores e dores,
Não sei mais o que um dia me virá ou chegará
Do amor para toda a vida - se é que dele ainda há.

Ao lado de uma amada, mulher querida,
Adorada por toda a vida, acolhida nos braços meus.
Àquela que amarei (num dia ainda por chegar) -
Sem dar-lhe motivos para abandono, ou partida:
Dedico a ti palavras de incentivo ao amor na vida
Que, nos dias de hoje, é tão difícil encontrar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


domingo, 20 de janeiro de 2013

Doente dos olhos



O que mais gosto de fazer? Escrever! Se tenho algum valor por isso, que seja. Apenas escrevo, pois letras distraem-me. Apenas gosto delas, pois elas não têm pensamento ou sentimento ou, ainda, julgamento, eu que os tenho por elas. ''Pensar é estar doente dos olhos'', disse Fernando Pessoa. Apenas tenho essa doença em mim; as letras não enxergam! Que elas apenas continuem sendo letras; uma a uma, formando palavras, sentenças, textos e poemas.

Se tem algum valor o que escrevo? Não importa, pois apenas escrevo para tirar de mim as letras que perambulam em minha cabeça. Na forma de pensamentos, elas vagueiam como sintoma de uma eterna doença dos olhos que insisto em ter. Porém, pouco isso importa. Saúde e doença são termos relativos. O real é que preciso fechar o diagnóstico do que sou em mim mesmo, não aos outros - e farei isso a partir dos olhos que trago comigo, doentes ou não!

Vejo e penso, falando comigo mesmo. Penso e escrevo. Escrevo o que foi visto e pensado. Algo estranho, mas é isso. Uma coisa está na outra. Talvez eu precise de um colírio que deixe-me com a mente muda. É isso? Talvez, pois o que torna-se texto é a fala da minha mente que pensou através do que os olhos viram. Sigo esse raciocínio e concluo dele como sendo-me verdade, mesmo que soe sem sentido para outrem. O que me importa é eu ter sentido em mim no que sou. Fecho, todavia, meu diagnóstico: tenho os olhos doentes!

Posso considerar que cada texto é um parto, pois ali nascem idéias que foram fecundadas a partir do que os olhos viram - olhos do corpo ou da alma. Daí, as idéias cresceram e desenvolveram, para, então, nascer em uma oportunidade à frente. Escrever, portanto, é dar voz aos pensamentos daqueles que têm os olhos doentes. Escrever é pintar, desenhando na forma de letras, uma a uma, letra a letra, frase a frase, uma alguma coisa que se perfaz em texto. Escrever é regurgitar a realidade mal digerida, indefinida, vaga ou eliminar algo já bem digerido, pensado, concluído. Como diferir um do outro? Não sei! Definir o que é de fato real e digno de ser tido como conclusão ou como verdade não me pertence, nem me cabe. Escrever, para mim, é um ato de alívio egoísta meu - apenas isso! 

Não entendo, das letras, o que delas me ocorre dentro de mim. Apenas sei que elas somam-se, uma a uma, não permitindo-me calar a mente ou fechar os olhos ou parar a mão que as transcreve. Das letras, apenas as sei ler: letra a letra, frase a frase, texto a texto! Os mesmos olhos que geram pensamentos são os que leem o que tornou-se escrito. Assim, letra a letra, a verdade se torna mais palpável, mesmo que em rasuras. Quem sabe um dia elas terão significado concreto e definido para mim e para o mundo, afinal, elas são apenas letras e eu sou apenas um domador de pensamentos meus.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Bem-te-vi, naquele dia



Bem te vi naquele dia ensolarado.
Teu brilho ofuscou meus olhos.
Era como se ali houvesse dois sóis.
Além deles, lá estava eu também!
Olhos quase fechados, mas vi bem:
Teu andar, teu balançar dos cabelos...
Sim! Era mais uma tarde comum de sol,
Mas havia dois sóis logo ali à minha frente.
Um ao leste, outro a oeste.
Um passeando pelo céu do universo;
Outro que voou e atingiu meu destino em cheio.
Tirei meus óculos escuros para ver melhor
Aquele lindo sol que andava tão belo,
Tão brilhante com um vestido branco
Com certos brilhos espalhados...
Se era moda ou não? Pouco importava,
Pois o brilho que chamou minha atenção
Era o conteúdo que aquele vestido protegia:
Uma linda mulher, uma alma que pintou-se
Em minha vida naquele momento, eterno instante...

Era minha chance de um primeiro contato!
Eu apressei o passo, cheguei até ela.
Uma troca de olhares rápida, mas calei-me.
Fiquei sem voz, embasbacado. Apaixonado?
Não sei, mas daí ouvi um: ''Posso ajudar?''
Então, sorri e, aliviado, disse:
''Sim! Você pode tomar parte na minha vida?''
Ela sorriu. Eu também.
Caminhamos juntos pela calçada que havia.
Foi como um eterno passeio. Trago-o na memória.
O momento da despedida chegaria, enfim!
E chegou! Era o habitual ponto de ônibus dela.
Eu estava a três quadras da minha casa.
O que dizer ali? Deixei meu telefone com ela.
Esperei ansioso, sem saber o que se daria então.
Ela sorriu, deu-me o dela.
Ufa! Achei que eu teria de esperar para saber,
Mas ela quis dar-me o telefone. 
Um bom sinal? Acho que sim.

Era eu ali, desfrutando daquela rosa
No saudoso jardim da juventude.
Foi um lindo e eterno momento,
Marcado na memória e no coração!
Já fazem anos. Já somos uma família hoje.
Ela trouxe novos sons à minha vida.
Trouxe-me a música que embala-me o ser.
Trouxe-me vida de onde eu nada esperava mais.
Sua voz, seu canto! Tocou fundo em minha alma
Naquele dia em que tudo foi tão belo.
Ela, linda: um pássaro que pousou em mim!

A insegurança da juventude,
A troca de olhares inseguros.
A surpresa de minha mudez súbita 
E, em seguida, ouvir a sua pergunta derradeira:
''Posso ajudar?''. Ajudou-me muito, hoje sei!
Com ela, fiquei e sou feliz desde então.
Trouxe-me à vida.
Descobri novos sons no mundo,
A real música da balada do universo,
O real e puro amor trazido a mim do céu!
''Belo dia em que bem te vi''! 
Penso eu a cada manhã ao vê-la ali, comigo.
Esse é o fim do verdadeiro amor: a felicidade!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fogos de artifício



Parem com o que estão fazendo!
Larguem seus carros no meio da rua!
Ouçam: estamos todos encarcerados aqui,
Degredados do céu num planeta, o exílio!
Somos todos fogos de artifício:
Explosivos, brilhando efêmeros, iluminados...
De um estampido, rumo aos céus, a explosão!
Fogos nascem da explosão, que é o parto dos fogos.
Daí: o brilho! A admiração ou inveja de todos em volta!
Somos todos fogos de artifício!

Viver na Terra é algo pouco valioso
Se não tornamos nosso brilho e luz
Mais importantes que o estrondo!
Façamos menos barulho e mais luz!
Mais luz, é o que precisamos.
Mesmo sendo efêmeros, brilhemos!

Evitemos o excesso de barulho,
Muito barulho por quase nada.
Concentremo-nos em brilhar!
Fazer barulho não é qualidade
Apenas dos que emitem luz a todos.
Uns mais, outros menos, mas sempre
A brilhar - esse é o destino dos fogos.
Que nos façamos ouvir e brilhar!
Afinal, somos todos fogos de artifício,
E seguimos a vida como um show de fogos!
Brilhando apressados, por todos os lados,
Mas sempre efêmeros, como fogos:
Esse é o nosso artifício!


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 5 de janeiro de 2013

Traços da dor



Eram palavras, sim, palavras.
Apenas elas, mas causaram danos.
As que foram ditas; as que foram caladas;
Todas formavam um só vulto negro na memória.
Traços de dor, apenas o que foram e são.
Dormiu doente, o pobre homem.
Por muitos anos, por diversas vezes,
Lá estava ele caído
Em sua cama, tal qual numa sarjeta!
Ele, na cama; ele caído. Tanto faz!
Tanto fez! Era ele apenas mais um homem ali.

Sem saber ser ele um ser diferente daquilo,
Manteve-se como por encanto na inércia.
Ele estava inerme, inerte, frio como cadáver.
O sangue ainda corria-lhe na circulação,
Mas o centro dela é o coração que, por sua vez,
Estava de mal a pior.
Uma doença corroeu sua alma.
Ele estava se recuperando.
Ele havia se dado conta.

Era mais um dia na vida dele
Repleto de lembranças a serem esquecidas.
Era apenas o que ele precisava,
Tornar-se livre dos traços da dor 
Que o pintavam como uma caricatura no mundo,
Não permitindo-o ser ele mesmo.
Retratar-se com traços reais, não caricatos.
Era um novo dia. Era um novo homem. 
Já era, enfim, um começo!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Escravo do destino



Sirva-te de mim, destino
Para que possas manifestar-te.
Desde sempre, desde menino,
Carrego-te comigo como estandarte.

Em meio à paz, em meio à guerra,
Sou eu trazendo-te na batalha.
Dia após dia cravando na terra
Uma história minha que algo valha.

Percebo, cansado: em mim te trago
No peito como algo que pesa!
Saibas que por ti, destino amargo,
Meu corpo falha e o coração retesa.

Trago dores que assustam-me o ser.
Valho-me da fé. De Deus, sou seareiro.
As horas passam e eu, sem saber
Prendo minh'alma ao destino, meu cativeiro.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Saindo da linha



Senti um frio; freei-me o caminhar.
Até então, eu pensava estar atento!
Hoje, consigo enfim desviar o olhar
Das várias feridas do sentimento.

Onde antes havia dores,
Restam-me agora cicatrizes.
Curarei as chagas dos ''amores''
Pintados em pálidos matizes.

Sigo reto, mas o caminho é curvo.
A estrada aos poucos se manifesta!
O olhar enxerga horizonte turvo.
Seguir em frente: é o que me resta!

Na caminhada, vivo em devaneios,
Passo a passo na estrada minha!
Para encontrar-me, faltam-me meios
De firmar os passos sem sair da linha.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Poeira


O pó da estrada levantou-se com o vento que passou. 
Tornou nebulosa a paisagem antes transparente e bela.
Mas, como todo vento passa, foi-se embora a ventania!
Deixará, porém, sequelas de muita desordem, eu sei!
Entretanto, tudo é reorganizado ao seu modo, ao seu tempo.
Passam-se os anos, passam cada um dos passos da caminhada.
Passamos nós mesmos, como tudo que é da vida passa.
Somos apenas parte da paisagem na caminhada, a travessia.
Temos de nos preparar para atingir o outro lado... O outro lado? 
O que nos reserva a paisagem além daquilo que podemos ver? 
Como saberei  o que me espera por detrás da nuvem de poeira?
E a nebulosa à minha frente que formou-se com todo aquele vento?
Resta agora esperar a poeira descer ao seu devido lugar e,
No chão, ela deitada e eu em passos firmes,
Rumarei ao futuro, e o destino, a mim, se mostrará!


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Olhando olhos



Eram lindos tanto o olhar quanto os olhos dela.
Não pense serem a mesma coisa ambos.
Olhos denotam anatomia, parte do corpo.
O olhar demonstra personalidade, parte da alma.
Se tens medo quando te olhas no espelho,
Que terás se cruzares teu olhar contigo mesmo?
Se te envergonhas de ti, quem mais dará teu valor?
Se não te olhas nos olhos, como vos conhecereis?
Pense menos. Aja mais. Olhe mais e veja tudo...
Pois olhar e ver, perceba, também diferem entre si.

Olhar é fotografar o que ocorre no entorno.
Ver é entender, assimilar a imagem fotografada.
Os olhos formam o órgão da visão.
O olhar nos permite defrontar a alma
Criando o vínculo: olhos-alma-coração.
Através do olhar, sabe-se quem tú és!
Olhando olhos apenas, o que vemos, minha cara?
Apenas que tú tens dois olhos, belos ou não!
A alma está para além do olhar, querida,
E os olhos são, em si, apenas para a visão.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Sete ondas

Sete ondas atingiram-me em cheio;
Lavaram-me a alma. De espírito renovado,
Sinto que a paz atingiu-me, e, de permeio,
Eu, aqui, tinha-me enfim aliviado!

Eram corridos nada além de alguns minutos
Daquele novo ano que há pouco se iniciara.
Na mesa, apenas nós. Em família, todos juntos!
Tudo parte de um momento que eu tanto sonhara.

Um ano que se fora, e nós, felizes, o deixamos.
Ficam para trás, 365 dias. Todos são passado
Esquecido para sempre. Novamente, começamos!

Novos rumos. Nova vida. Um novo ''eu'' se avizinha.
Outros 365 dias! De alma lavada, enfim, chegamos.
Chegou o novo ano, a nova estrada que se caminha.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier.


Ao par de andorinhas



Joguei fora todo o lixo do jardim. Onde antes era um acúmulo de entulhos, fiz meu jardim novamente. Algo de novo ocorreu em mim. Percebo que o sol brilhou mais intensamente hoje que o de costume em outrora. Pode ter sido apenas impressão minha, mas agradou-me ter os olhos ofuscados por tamanha claridade ao abrir dos olhos em nova manhã, em nova claridade matutina. Era o mesmo sol de sempre, mas eu tinha em mim novos olhos, ou talvez poderia dizer, tenho em mim um novo olhar. 

Talvez fosse o fato de eu ter passado muito tempo na escuridão, ensimesmado, cercado por muitas toneladas de lixo que não permitiam-me enxergar além das montanhas de entulhos que faziam meu jardim ser um antro de sombras e acúmulo de lixo...muito lixo. E agora? Hoje, vejo flores. Sim, flores em meu jardim! Sinto o aroma angelical das rosas espalhadas pelo solo, por todos os cantos. Observo alguns bem-te-vis, alguns outros beija-flores e outros animais. Linda imagem. Lindo cenário. Suspiro e emociono-me. As lágrimas ajudam a regar o solo, enquanto penso comigo mesmo agradecendo aos céu: ''enfim, tenho novamente um jardim!''.

O vento bate em meu rosto, atrapalha meus cabelos e minha barba. Solto uma gargalhada de gozo, enquanto vejo que um novo momento tenho para desfrutar a partir de hoje. Olho pela janela e vejo flores? Sim, é isso mesmo. Flores e mais flores! Um novo jardim. Um novo começo. Onde antes havia um monte de sujeira e sucata inútil, tenho flores, animais, tenho vida novamente com a luz do sol a mostrar tudo para mim, tornando-os reais aos meus olhos e sentimentos. Desprendi-me do cenário insólito que me prendia. Tenho meu jardim de novo com o aroma dos anjos a me inebriar. Solto outro sorriso de gozo, seco os olhos tremendamente úmidos. ''Bom dia!" - disse eu ao par de andorinhas que cantavam logo adiante anunciando o novo dia que se iniciava.

Abro os olhos. Abro as janelas. Todas as janelas estão abertas. Todas as portas também. Não quero criar barreiras à felicidade. Quero toda a facilidade para que ela entre em minha casa e brinde comigo o recomeço que em mim se deu! Se pudesse fazê-lo, eu derrubaria todas as paredes, mas precisamos nos proteger das chuvas e tempestades, sempre, independente de qualquer coisa e das flores do jardim. Chuvas e tempestades...Elas, querendo ou não, se nos chegam, mas, tenho certeza, não terei nada mais que brisa benfazeja de hoje em diante, pois não define-se o poder da chuva pelo tamanho das gotas ou intensidade com que nos atingem, mas sim devemos defini-la pelo nosso poder individual de sustentar nosso corpo em meio aos ventos da tempestade e pingos do temporal. 

Hoje sou forte, rígido, pois a felicidade nutre e preenche meu ser. Nada mais retira-me de mim. Sou meu, enfim, refeito e novo! Não sou mais aquele ser que se via, que era oco, um lânguido trapo que se quedava em prantos à mercê do mais fraco vento, exposto à chuva sem impor qualquer resistência. Sou eu um novo ser, forte e preparado para novos dias, novos momentos e, inclusive, novas eventuais tempestades. Eu e meu novo jardim! 

Plantemos mais e mais rosas, pois o sol de amanhã será ainda mais belo! Tenho certeza disso. Mais flores, é o que precisamos! Recomecemos a plantar novos e cada vez maiores jardins. Assim, sentiremos mais e mais o cheiro e a presença dos anjos em meio ao colorido e ao forte odor angelical da natureza pintada a partir dos milagres das flores que se nos mostram. Estamos prontos para novas colheitas, novas flores... Novas e lindas colheitas de flores, flores e mais flores. 

A luz de Deus está, como sempre, a nos guiar e abençoar o amanhecer de cada dia. Novos dias, um após o outro. Deus espera o melhor de nós, então, façamos um novo começo. Novas oportunidades para mim e meu novo jardim, eu sei! Ou, melhor dizendo, meu velho e costumeiro jardim - mas tenho-o refeito, limpo, revigorado em meio a tantas e tantas rosas que se me apresentam com sua beleza, seu aroma, brindando-me ao abrir dos olhos visualizando meu belo jardim...Inesquecível e eterno, a partir de hoje, jardim! 

Obrigado Senhor, por dar-me uma nova oportunidade de colher rosas, mais e mais rosas nesse jardim onde antes via-se apenas um monte de entulhos e lixo por toda parte. Hoje, vê-se apenas rosas; sentem-se os aromas dos anjos e brindam-nos os infinitos raios de sol vindos de Deus a cada alvorecer. Nessa nova manhã, ao abrir das janelas, ou melhor, ao abrir dos olhos, percebo: tenho um novo destino que se deu e chegou a mim. Obrigado e bom dia, é o que resta a mim dizer!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




Bom dia, mundo! Bom dia, vida!



Era um dia como outro qualquer. Eu havia acordado cedo. O sol já havia se mostrado, entretanto. Nada naquela cama motivava-me a manter-me em repouso.Parecia que o mundo clamava por mim lá fora, acordado. Eu recomeçava mais um dia, mas não como antes já havia feito. Era um novo dia. Era um novo ano. Um recomeço.

Decidi em mim mesmo fazer um novo ano apesar de, coincidência ou não, o ano novo ter acabado de começar há algumas horas, naquela noite que embalei-me em sono, até acordar refeito, após algumas taças de champagne divididas com meus amados pais em brindes sonoros de ''seja bem vindo, ano novo!''.

Eu não havia planejado. Tudo era como antes: a mesma barba, os mesmos pés descalços ao levantar-me da cama, a mesma caneca com um café quente e delicioso preparado pela mãe magnífica que Deus deu a mim, tomando minha xícara ao lado de meu amado pai que, por sua vez, preparava-se para mais um dia de trabalho em mais um lanche matutino conosco. Eramos nós, ali, pai, mãe, filho e o mundo. Um quarteto que recomeçava um novo ano.

Eu havia prometido ser um novo homem como em tantas outras vezes havia feito nos instantes antes da chegada de outros anos. Sim, o ano virou outro! Mas, dessa vez, algo aconteceu de novo e eu sinto: sou um novo eu! A promessa cumpriu-se - ou eu mesmo resolvi cumpri-la dessa vez. Pouco importa o que de fato ocorrera. O que interessa-me é o dia de amanhã; desde hoje, há 365 novas oportunidades de garantir a permanência de minha promessa e a sobrevivência desse novo eu que, enfim, irá definir-me como o que de fato sou. Serei um novo eu - ou, melhor dizendo,serei eu, enfim! Um novo homem, um homem feliz a cada dia, mais e mais... mais e mais! Sempre mais e dividindo toda essa felicidade com todos!

Cá, nesse mundo estranho, éramos meus amados pai e mãe, eu e todo o mundo ao nosso redor, ladeando-nos naquela habitual mesa de café da manhã, o universo que nos havia sido dado por Deus. Sim, lá estávamos nós! Aquilo era tudo. Uma nova manhã; um habitual café junto das habituais e costumeiras risadas matutinas banhadas em amor familiar. Sim, eu senti naquele instante: havia começado um novo ano. Havia iniciado uma nova vida. Era o primeiro dos 365 dias iniciais de uma eternidade. Era um novo momento, um novo início. Iniciava-se ali um novo eu, com novos rumos. Dali, partiria rumo a novas atitudes. Um novo eu que ali se mostrava. Ou, quem sabe, enfim, havia chegado o momento do verdadeiro reencontro de mim mesmo com meu destino? Ou então seria como o amadurecimento de um ser que estava findado, ali, e,a partir daquele instante iniciando um novo tempo? Feliz ano novo. Feliz nova vida, é o que desejo a todos e farei em mim, em nós, ao mundo! O melhor de mim chegou! Começarei hoje novo caminho. Bem vindos, novo ano e novo eu! 

Ao amanhã? Peço que me aguarde. Chegarei em breve até você de pés cansados, sim, de tanto caminhar, mas repleto de felicidade por estar, enfim, caminhando sobre meus pés agora devidamente firmes e livres, seguindo os rumos que tracei junto a Deus. 

Obrigado, Senhor. Farei em mim o planejado. Bom dia, mundo! Bom dia, vida! Ai vou eu, em mim, renovado!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier